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QUALIDADE DE VIDA
Projeto piloto do Ambulatório de Pneumologia do HUSM ajuda pacientes a abandonar o habito de fumar
No Brasil, 18 % da população é considerada fumante. Segundo o Ministério da saúde é preciso reduzir esse percentual. O tabagismo está no topo da lista das doenças preveníveis e evitáveis. Fumantes tem risco aumentado de desenvolver câncer de pulmão, infarto agudo do miocárdio, bronquite crônica, enfisema pulmonar, entre outras. Estima-se 200 mil óbitos relacionados ao tabaco ao ano no nosso país.
Com intuito de ajudar quem quer abandonar o uso do cigarro, o Serviço de Pneumologia do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) criou o Grupo de Controle e Cessação de Tabagismo (GCCT). O projeto piloto está atendendo a primeira turma de 12 pacientes.
Dona Terezinha Lurdes Pilon Fernandes, 64 anos, e a filha, Daiane Pilon, estão no grupo. Terezinha é fumante há mais de 50 anos. Começou aos 12 anos, quando morava no interior e trabalhava no plantio do tabaco. Recentemente, sentiu falta de ar e dificuldade para realizar suas tarefas domésticas.
- Minha família sempre me pedia para parar. Mesmo já tendo perdido um irmão assim, não consegui. Daí, tive essa oportunidade. Estou fazendo tudo que eles orientam para eu conseguir – afirmou Dona Terezinha, ao revelar que o marido se queixa, com frequência, do mau cheiro relacionados ao fumo.
A filha que também começou a fumar cedo, disse que entrou no grupo para incentivar a mãe, e acabou aderindo ao projeto.
O grupo de apoio conta com atendimento multiprofissional: médico, enfermeira, fisioterapeuta, educador físico, nutricionista e psicólogo. Ao todo são 12 encontros: os quatro primeiros preveem sessões semanais – nas sextas-feiras - e seguem a metodologia do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Cada sessão adota uma das apostilas do manual Deixando de Fumar Sem Mistérios: 1) Entender por que se fuma e como isso afeta a saúde; 2) Os primeiros Dias sem fumar; 3) Como vencer os obstáculos para permanecer sem fumar e 4) Benefícios obtidos após parar de fumar.
O primeiro encontro, segundo a Enfermeira Teodora Alves, tem como objetivo fazer o paciente refletir sobre o grau de dependência em relação ao cigarro, avaliando a dependência química ou comportamental.
Nesse primeiro encontro é solicitado ao paciente que estipule uma data para parar de fumar – o Dia D. O ideal é que até o quarto encontro todos tenham definido esse dia. Isso porque, para que possam fazer uso de um dos medicamentos prescritos para o tratamento – os adesivos de nicotina e ou outras medicações – não podem estar fumando, devido ao risco de efeitos colaterais.
Com a data definida, o paciente inicia a medicação entre 7 e 14 dias antes da mesma, com finalidade de antingir o limiar terapêutico. A medicação ajuda a diminuir a ansiedade relacionada à abstinência da nicotina. A mesma é fornecida pelo Ministério da Saúde. Depois das quatro primeiras sessões, os encontros passam a ser quinzenais (manutenção). No último módulo, estão previstos mais quatro encontros mensais.
- O objetivo é testar a autonomia e a persistência deles em casa. E sempre dar suporte para os que estão com dificuldades – explica a enfermeira Teodora.
Entre os motivos apresentados por aqueles que ainda não conseguiram parar de fumar, estão a ansiedade e o estresse. Nesses casos, a atividade física é uma das estratégias para vencer a abstinência. Veja a seguir a dica do bolsista de Ginástica Laboral do HUSM, acadêmico de Educação Física, Ubiratan da Rosa Vanini.
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Cada grupo é composto de 10 a 15 participantes. No projeto piloto, participaram pacientes já em atendimento no Ambulatório de Pneumologia.
- Todos os pacientes encaminhados são submetidos a avaliação completa: consulta médica, exames de imagem e função pulmonar, recebem orientação na primeira consulta, tratamento para as patologias associadas e posteriormente são encaminhados ao grupo – explica a médica pneumologista do grupo, Keli Cristina Mann.
Lembre-se: os benefícios de abandonar o cigarro são imediatos. Em 20minutos a frequência cardíaca e a pressão arterial caem; em 8h o nível de oxigênio na corrente sanguínea volta a subir; em dois dias o cheiro e o sabor dos alimentos ressurgem porque o olfato e o paladar voltam a funcionar bem; em três semanas a circulação e a respiração melhoram; em 5 a 10 anos o risco de infarto pode ser comparado ao de pessoas que nunca fumaram.
Para saber mais sobre o Grupo de Controle e Cessação de Tabagismo (GCCT) ligue (55) 3213 1585.