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Saúde Mental
Projeto Cinoterapia no HUSM retoma atividades com pacientes da Psiquiatria
Depois de dois anos sem entrarem no Hospital Universitário de Santa Maria, na tarde de ontem, os cães labradores Guapo e Kira retomaram suas atividades na Unidade de Saúde Mental, Paulo Guedes. Os animais fazem parte do Projeto Cinoterapia no HUSM – proposto pelo Corpo de Bombeiro Militar, em 2017, e que vem colhendo bons frutos desde então, com relatos positivos tanto de pacientes, quanto de profissionais.
“... Eu sinto saudades. O ser humano não faz o que a Kira faz. Ela me salvou, ela me puxou e não deixou eu encostar num fio solto que tinha. E tem pessoas que não dão bola, só mandam. Eu gostava demais, demais (choro emotivo). Foi uma coisa tão inédita que nenhum ser humano faria. Tem que voltar, muita gente sofre porque gosta de animais e não tem aqui. "
Foi com o depoimento de uma paciente de 57 anos, que a professora do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Daiana Foggiato Siqueira, iniciou seu relato no início da tarde da última terça-feira (5). Daiana junto com a professora Dilce do Carmo e outros 8 pesquisadores fazem parte do Grupo de Pesquisa Cuidado em Saúde Mental e Formação em Saúde, que irá transformar em artigos e publicações a experiência vivenciada no Hospital Universitário de Santa Maria.
- O Grupo de Pesquisa se inseriu no projeto em 2019 e, no ano seguinte, estourou a pandemia. Gostaríamos de já termos resultados, porém com esse período sem as práticas não teve como fazer pesquisa. Agora, voltamos a ativa para relatar as comprovações científicas dos benefícios da cinoterapia no hospital universitário – disse Daiana.
De acordo com o chefe da Unidade de Saúde Mental, Sidney Marques, o projeto faz parte do investimento em novas práticas humanizadoras no cuidado com os pacientes.
- Já demonstrou que aumenta adesão do paciente ao tratamento, reduz a ansiedade e melhora a interação social deles – disse Marques ao projetar no telão desenhos dos animais, feitos pelos pacientes.
- Eu sempre falo que neste projeto todos ganham. O simples fato do cão entrar na unidade já transforma, aproxima as pessoas, deixa o ambiente mais leve. Poucos Bombeiros Militares do país têm essa oportunidade de acessar o ambiente hospitalar e ver como o profissional da saúde trabalha. Ao observar esse profissional, a gente adquire experiência para lidar com pessoas com transtorno mentais em ocorrências de busca e resgate – recordou o Sargento Alex Brum.
Após uma breve apresentação sobre a retomada do projeto, no Auditório Londero, o momento mais esperado da tarde: os cães foram levados para o pátio interno da psiquiatria, onde interagiram com os pacientes. Dos 28 internados, apenas dois não quiseram participar da cinoterapia. Conforme iam chegando, o afago no animal se tornava obrigatório. Todos queriam passar a mão, acarinham o pelo e participar das atividades propostas pelos Bombeiros Militares e a profissional de Educação Física Josi Oliveira. Espalhados pela quadra, alguns optaram por um passeio ao lado do animal, outros por jogar a bolinha para vê-los buscar e entregar aos seus tutores, enquanto outros corriam para o abraço.
As visitas irão ocorrer uma vez por semana, na Unidade de Saúde Mental. Ao longo do ano deverão ser estendidas para outras unidades. Também fazem parte do projeto os soldados Silveira, Estefânio e Machado.
Uma parceria com o Petshop Cia dos Bichos faz com que os cães – que cumprem um rigoroso controle sanitário – sejam higienizados antes de vestirem seu uniforme e o crachá que dão acesso ao HUSM.
O pátio interno da psiquiatria foi revitalizado, graças ao trabalho conjunto do Grupo de Trabalho de Humanização (GTH) do hospital Universitário e a Gerência Administrativa. Recebeu pintura e flores no jardim para acolher o projeto.
Exposição – Quem quiser conhecer um pouco mais sobre o projeto, pode conferir a exposição fotográfica do Projeto Cinoterapia no HUSM, que ficará exposto no Hall de entrada do hospital até o dia 12 de abril.
Estiveram presente nas atividades da tarde de terça-feira o superintendente do Hospital Universitário, Humberto Palma, o ouvidor do hospital e incentivador do projeto, Angelino Moreira, a coordenadora do Grupo de Trabalho de Humanização (GTH), enfermeira Juniara Santos, o Capitão Anderson Luis Menezes da Silva - comandante da 1ªCIABM do 4ºBBM, o 1º Ten. Alexandre Andrade de Sena - comandante do 3º PELBM/1ªCIABM do 4ºBBM, além dos profissionais, acadêmicos e residentes do projeto de pesquisa e da Unidade de Saúde Mental.