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INOVAÇÃO E QUALIDADE
HUSM-UFSM realiza cirurgia cardíaca inédita no interior do Rio Grande do Sul
Santa Maria (RS) – Em 20 de agosto, o Hospital Universitário de Santa Maria da Universidade Federal de Santa Maria (HUSM-UFSM), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realizou uma cirurgia cardíaca via percutânea para tratar a coarctação da aorta, um estreitamento arterial. O procedimento, inovador e inédito no interior do estado, foi realizado pela equipe de Cardiologia do Hospital e representou um avanço em termos de tecnologia e de segurança para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Os médicos responsáveis pela cirurgia foram o cardiologista intervencionista, Romualdo Bolzani, e o cirurgião vascular e endovascular, Alcides Vogel. Segundo o estudante de medicina da UFSM e estagiário do setor de Hemodinâmica do HUSM, Gian Bisognin, “o procedimento foi realizado com sucesso e é um marco histórico para o HUSM, pois foi o primeiro do interior do Rio Grande do Sul e um dos primeiros a utilizar essa tecnologia, no SUS, no interior do Brasil”.
A coarctação da aorta ocorre quando há um estreitamento na maior artéria do corpo humano. Essa condição é congênita, o que significa que o paciente já nasce com a malformação. Se não for tratada adequadamente, a doença pode levar a complicações graves, como hipertensão arterial, infarto e até mesmo um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. Exemplificando, o estreitamento da aorta causa elevação da pressão arterial que pode causar um AVC hemorrágico – o rompimento de um vaso sanguíneo no cérebro, causando hemorragia no tecido cerebral e podendo levar à perda de função neurológica. Por isso, é importante buscar tratamento adequado, corrigindo o problema e evitando as possíveis complicações.
Gian enfatizou que diversas equipes contribuíram para a realização do procedimento, desde a preparação até os cuidados pós-cirúrgicos: setor de Hemodinâmica, Unidade de Terapia Intensiva (UCI) do HUSM, profissionais da Residência Médica, administração e gestão do HUSM. “Foi um grande esforço coletivo, mostrando a capacidade do HUSM de oferecer uma medicina de qualidade, com tecnologia de ponta, pelo SUS”.
Entenda o procedimento e os materiais utilizados
O procedimento realizado no HUSM foi minimamente invasivo, utilizando um stent coberto com uma camada de politetrafluoroetileno (PTFE), um material de alta performance que previne microrrupturas. Essa é uma tecnologia mais avançada e foi introduzida no Brasil no final de 2022. “Esse stent, mais conhecido como ‘molinha’, é mais tecnológico e proporciona maior segurança para o paciente”, destacou Gian, ressaltando que a técnica evita a necessidade de uma cirurgia aberta, tornando o processo mais rápido e seguro para o paciente.
Gian explicou que, ao contrário dos stents tradicionais, que chegavam ao HUSM com as partes separadas e precisavam ser montados, o novo modelo vem pronto para uso, facilitando a operação e reduzindo riscos. “A diferença desse stent é que conseguimos uma solução muito mais eficiente e segura, tanto para a equipe assistencial quanto para os pacientes”.
Após a preparação do paciente, os médicos realizaram uma punção na artéria femoral, na região da coxa, e introduziram um cateter e fios guias que levaram o stent até a aorta, onde a obstrução estava localizada. Uma vez no local, o stent revestido foi posicionado e expandido, permitindo a dilatação da aorta e a correção da coarctação. Além da melhora a saúde cardiovascular, o procedimento atua na qualidade de vida dos pacientes. A correção da obstrução na aorta contribui para um aumento geral no bem-estar, permitindo que os pacientes desfrutem de uma vida mais ativa e saudável.
Sobre a Ebserh
O HUSM-UFSM faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Andreia Pires
Apoio de Luiza Cremonese e Laura Quoos Dotto/HUSM e fotos de Mariângela Correa/UCR16
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh