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SAÚDE INFANTIL
HUSM-UFSM promove evento de conscientização sobre Pé Torto Congênito
Santa Maria (RS) – Na manhã de 9 de junho, o Hospital Universitário de Santa Maria da Universidade Federal de Santa Maria (HUSM-UFSM), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realizou ação alusiva ao Dia Mundial do Pé Torto Congênito, celebrado em 3 de junho. O evento, aberto a profissionais da saúde, pacientes, familiares e à comunidade, aconteceu no Auditório do Gulerpe, no HUSM, das 8h às 12h. A programação incluiu palestras, rodas de conversa e atividades lúdicas para crianças. O atendimento é oferecido pelo Hospital via Sistema Único de Saúde (SUS).
O ortopedista e traumatologista do HUSM, Vanderson Roso, um dos organizadores do evento, destacou a importância do momento para o compartilhamento de informações e experiências. “O evento ‘Pequenos Passos, Grandes Conquistas – Pé Torto Congênito’ foi uma oportunidade para debatermos um tema que ainda é pouco conhecido, mas que precisa ser enfrentado com informação e acolhimento”.
A ação promovida no HUSM teve início com uma palestra sobre a definição da condição e o tratamento pelo método de Ponseti, ministrada por Vanderson. Em seguida, a técnica de Enfermagem Luci Helena Soares da Silva, mestranda da UFSM e integrante do grupo de pesquisa CRIANDO — dedicado à saúde do neonato, criança, adolescente e família — apresentou dados epidemiológicos sobre o PTC na região.
Para Luci, o evento surgiu da necessidade de dar visibilidade à condição no âmbito da saúde pública e destacou que, nos últimos cinco anos (2020 a 2024), 68 crianças iniciaram o tratamento no HUSM. Em relação aos dados anuais, ela detalhou: “Em 2020, 14 crianças começaram o tratamento; em 2021, nove; em 2022, 25; em 2023, 11; e, até o momento em 2024, nove crianças iniciaram o acompanhamento”.
A técnica também chamou atenção para o início tardio do tratamento em muitos casos. “Nosso objetivo seria que todas as crianças iniciassem o tratamento antes de completar um ano de idade, mas isso nem sempre acontece. Vinte começaram com menos de um mês, sete com um mês, quatro com dois meses, sete com três meses, oito com cinco meses, cinco com seis meses. Ainda tivemos crianças iniciando com sete, oito, nove e onze meses. Além disso, três crianças começaram após um ano de idade e duas somente aos dois anos”, explicou.
Desafios no tratamento e continuidade do cuidado
Segundo Vanderson, o PTC afeta de um a dois bebês a cada mil nascimentos. Embora o tratamento, quando iniciado precocemente, apresente altas taxas de sucesso, ainda existem barreiras importantes a serem enfrentadas. “O tratamento precisa começar logo após o nascimento e segue por várias fases: a etapa de uso de órtese, por exemplo, vai até os quatro anos de idade, e o acompanhamento deve seguir até os dez anos. Infelizmente, muitos casos são abandonados no meio do caminho, seja por dificuldades de transporte, por falta de informação ou pelo uso inadequado da órtese de abdução, que é essencial para manter a correção obtida”, explicou.
Durante a roda de conversa realizada após as palestras, profissionais e gestores do HUSM, da 4ª e da 10ª Coordenadorias Regionais de Saúde e da Secretaria Municipal de Saúde de Santa Maria debateram os obstáculos enfrentados no encaminhamento e na continuidade do tratamento. “O encaminhamento ainda costuma ser tardio, o que compromete os resultados. E o alto índice de abandono também está relacionado à falta de apoio contínuo às famílias. Levantamos propostas e ações para tentar reduzir esses problemas e garantir melhores resultados às crianças”, detalhou Vanderson.
Ainda segundo o especialista, cada atraso ou falha no processo impacta diretamente na vida das crianças. “Queremos que essas crianças tenham uma infância plena, com direito ao brincar, ao convívio escolar e ao desenvolvimento saudável. O sofrimento físico e psicológico gerado pela falta de tratamento adequado pode comprometer toda uma vida. Nosso objetivo é evitar isso e garantir que elas se tornem adultos saudáveis e integrados à sociedade”.
Outro ponto crítico levantado foi a dificuldade no acesso às órteses, essenciais para a continuidade e sucesso do tratamento. “O valor das órteses é muito alto, e muitas famílias não têm condições de adquiri-las. Algumas são doadas, e em alguns casos conseguimos apoio de instituições como a APAE. No entanto, a demanda atendida por essas entidades é ampla, o que pode gerar algum tempo de espera”, pontuou Luci.
A roda de conversa contou com a presença do ortopedista e superintendente do HUSM, Humberto Moreira Palma; a fisioterapeuta Naiane Machado Fontoura; a coordenadora da Política de Saúde da Criança, Laís Alves; a médica intensivista pediátrica Marinez Cassarotto; e o ortopedista Cleber Lotti.
Para as crianças, o dia foi de alegria: atividades como contação de histórias, brincadeiras inclusivas e dinâmicas ajudaram a fortalecer os laços familiares e a tornar o tratamento mais leve.
Entendendo o Pé Torto Congênito
O PTC, também conhecido como pé equinovaro congênito, é uma deformidade ortopédica presente ao nascimento. Essa condição afeta principalmente os pés e tornozelos, podendo dificultar a mobilidade se não for tratada. O PTC apresenta características como o pé apontado para baixo (equino), o calcanhar desviado para dentro (varo), aumento do arco plantar (cavo) e a ponta do pé voltada para dentro (adução). Embora não seja exclusivamente genético, fatores hereditários, ambientais e intrauterinos podem contribuir para o seu desenvolvimento.
O tratamento padrão é o método de Ponseti, que utiliza gessos seriados para corrigir gradualmente a deformidade. Em muitos casos, é necessária uma pequena cirurgia chamada tenotomia do tendão de Aquiles. Após a correção inicial, o uso de órteses ajuda a prevenir recidivas. O acompanhamento é feito por uma equipe multidisciplinar, com ortopedistas pediátricos, fisioterapeutas e outros profissionais.
O HUSM oferece atendimento especializado para crianças com Pé Torto Congênito por meio do Serviço de Ortopedia Pediátrica. A equipe segue protocolos reconhecidos internacionalmente, como o método de Ponseti, e realiza tanto atendimentos ambulatoriais quanto procedimentos cirúrgicos quando necessário. Além disso, o Hospital trabalha para conscientizar a população e fortalecer o vínculo entre pacientes, famílias e profissionais da saúde.
Sobre a Ebserh
O HUSM-UFSM faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Andreia Pires
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh
Tags: husm-ufsm, saúde infantil, pé torto congênito, assistência, ensino, inovação