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HUSM-UFSM coleta medula óssea para transplante que será realizado nos Estados Unidos
Santa Maria (RS) - Em 2011, um vendedor de 38 anos, decidiu entrar para o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Quando fez o cadastro, ele sabia que as chances de encontrar alguém compatível eram pequenas: 1 em cada 100 mil pessoas. Mas acreditava que, em algum momento, poderia ajudar a salvar uma vida. E esse dia chegou: nesta quarta-feira (21), ele passou pelo procedimento de coleta da medula no Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM-UFSM/Ebserh), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh/MEC). O material será enviado para um paciente com aplasia de medula, que aguarda pelo transplante na Califórnia, nos Estados Unidos. “É uma sensação muito boa, não consigo nem descrever. Fico muito feliz em saber que posso ajudar a salvar a vida de alguém”.
A coleta foi feita no Bloco Cirúrgico e durou cerca de 1h30min. Por meio de punções, foi retirada parte da medula óssea, líquido que fica no interior de ossos da bacia (local onde a medula óssea é mais abundante). “Quem define a quantidade a ser coletada é o hospital onde está o paciente que vai receber a medula e depende, entre outros critérios, do peso do paciente que irá receber. É em torno de 2 milhões de células por quilo”. Explica Gustavo Brandão Fischer, médico hematologista, que realizou a coleta.
O material foi colocado em uma maleta térmica com condições especiais de temperatura, e será transportado até o hospital nos Estados Unidos pela equipe do Redome para a realização do transplante. A viagem é longa: sairá de avião de Santa Maria para Porto Alegre. E da capital gaúcha rumo a São Paulo, para então chegar nos Estados Unidos. O transplante pode ser realizado em até 72h. O doador segue internado, em repouso e depois de 24h, estando bem, recebe alta. Retorna para revisão médica em 15 dias.
O Redome é vinculado ao Ministério da Saúde e é o terceiro maior banco de doadores de medula óssea do mundo. Ele atua em articulação com cadastros de diversos países e os bancos internacionais também buscam doadores aqui.
Sobre o procedimento
O doador está sendo acompanhado pela equipe do HUSM-UFSM desde o início de junho para a realização de exames prévios. Ele deve ficar internado por 24 horas após o procedimento e, em até uma semana, poderá retomar todas as atividades diárias. “Fui muito bem recebido por todos e a dedicação da equipe do hospital me deixou muito tranquilo. Espero que dê tudo certo e que o paciente que vai receber minha medula fique bem de saúde”, afirma.
O HUSM-UFSM retomou o serviço de coleta de medula óssea para o Redome no final de 2021 e este é o segundo procedimento realizado. A enfermeira Simone Nunes participou das duas coletas. “Somos o único Centro de Transplante de Medula Óssea do interior do Rio Grande do Sul e é muito importante ver que o nosso hospital está entrando no patamar de grandes hospitais mundiais que realizam o transplante”, explica Simone.
O Centro de Transplante de Medula Óssea (CTMO) do hospital também faz transplantes autólogo (quando são utilizadas as células-tronco do paciente) ou de doadores da própria família, além do transplante haploidêntico (quando o doador não é 100% compatível com o receptor). Em 2022, foram feitos 29 transplantes de medula.
Números
A maioria dos transplantes de medula óssea é feita com doadores da própria família do paciente, normalmente irmãos ou pais. Neste caso, as chances de compatibilidade são de 25%. Quando não é possível encontrar um doador na família, é preciso buscar alguém nos bancos de doadores. Atualmente, o Redome tem mais de 5,5 milhões de pessoas cadastradas e o banco de quem espera pelo transplante tem 611 pacientes. Nos quatro primeiros meses deste ano, foram realizados 128 transplantes no Brasil por doadores desconhecidos.
O transplante de medula óssea pode ser indicado para o tratamento de cerca de 80 doenças relacionadas à fabricação de células do sangue e com deficiências no sistema imunológico. Os principais beneficiados com o procedimento são pacientes com leucemia, linfomas, doenças originadas do sistema imune, gânglios e baço, anemias graves, mielodisplasias, doenças do metabolismo e autoimunes e vários tipos de tumores.
O transplante dura cerca de duas horas e é parecido com uma transfusão de sangue. Depois de passar por um tratamento que destrói a própria medula, ela é substituída por células normais da medula óssea do doador, o que possibilita a reconstituição de uma nova medula saudável.
Como se tornar doador
Para ser doador de medula óssea, basta procurar o Hemocentro mais próximo, realizar o cadastro no Redome e coletar uma amostra de 10 ml de sangue. Confira abaixo alguns dos critérios:
- Ter entre 18 e 35 anos de idade;
- Apresentar documento de identificação oficial com foto;
- Estar em bom estado geral de saúde;
- Não ter nenhuma doença impeditiva para a doação.
Leticia Justus, com colaboração de Mariângela Recchia e revisão de Marília Rêgo
Coordenadoria de Comunicação Social