Notícias
USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS
HUSM adota Conciliação Farmacoterapêutica em duas unidades de internação
Pacientes que participaram do projeto, apoiaram a iniciativa das farmacêuticas.
Quando um paciente é internado para tratamento no Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) traz consigo informações importantes sobre uso de medicamentos que nem sempre são evidenciadas pela equipe assistente. Para evitar a suspensão inadequada de um medicamento ou a tomada em dose dupla, é feita, desde 2015, a Conciliação Farmacoterapêutica. O principal objetivo desse trabalho desenvolvido pelas farmacêuticas da Residência Multiprofissional da Ênfase Crônico-Degenerativo, é evitar que os pacientes fiquem expostos a possíveis problemas relacionados aos medicamentos devido à falta de comunicação entre as equipes de saúde e/ou a omissão de informação por parte do próprio paciente.
Por isso, logo após a internação – num prazo de até 48h – as farmacêuticas consultam o prontuário do paciente para verificar a anamnese (entrevista clínica que busca identificar fatos que se relacionam com a doença).
De posse desses dados, vão até a unidade de internação conversar com o paciente ou um familiar sobre quais medicamentos ele fazia uso em casa: nome, dosagem, frequência e via de administração são informações comparadas com a prescrição médica hospitalar.
– Quando encontrada discrepância, o farmacêutico, então, irá conversar com a equipe médica, buscando otimizar a farmacoterapia do paciente – explica Juliana de Oliveira, farmacêutica residente.
– Iniciamos a Conciliação Farmacoterapêutica ao percebermos que muitos pacientes interrompiam os tratamentos prévios à internação. Alguns por vergonha de informar ao médico e outros porque imaginavam que o profissional sabia todas suas necessidades medicamentosas – explica Laura Vielmo, farmacêutica da Farmácia de Terapia Antirretroviral do HUSM e preceptora de núcleo farmacêutico da residência multiprofissional.
Foram observados muitos casos de duplicidade terapêutica por falta de informação aos profissionais da saúde. Ou seja, o paciente tomava duas vezes o mesmo tipo de medicamento: um que ele trazia de casa e não informava ao médico e outro dado no hospital.
Além disso, o trabalho desenvolvido pelas farmacêuticas evitou que medicamentos, utilizados em casa e que não eram disponibilizados pelo HUSM, deixassem de ser administrados. A equipe médica era avisada sobre as medicações e, se o tratamento não pudesse ser interrompido, o médico mantinha os medicamentos na prescrição hospitalar e o paciente e/ou cuidador eram orientados que esses medicamentos fossem trazidos ao hospital e entregues à equipe de enfermagem, possibilitando a continuidade do tratamento.
A Conciliação Farmacoterapêutica começou há dois anos no 3º e 5º andares do hospital, a partir de um projeto sob orientação da tutora de núcleo farmacêutico da residência multiprofissional, Dra Farmacêutica Sandra Trevisan Beck. Durante esse período, foi realizada Conciliação Farmacoterapêutica com quase 500 pacientes: 285 no ano de 2015 e 210 no ano de 2016, nas especialidades de Neurologia, Doenças Infectocontagiosas, Cabeça e Pescoço, Clínica Vascular, Pneumologia, Cardiologia e Medicina Interna. Dentre estes pacientes, metade fazia uso de medicamento em casa, antes da internação.
– A implantação da Conciliação Farmacoterapêutica aumentou a segurança e eficácia dos medicamentos prescritos entre transições de cuidados, reduzindo os riscos para os pacientes. Também trouxe economia hospitalar e melhorou a integração entre as equipes da área de saúde – afirma Cláudia Sala Andrade, chefe do Setor de Farmácia Hospitalar e preceptora de núcleo farmacêutico da residência multiprofissional.
Para que a Conciliação Farmacoterapêutica se torne prática vigente no HUSM e alcance as demais clínicas atendidas, o grande desafio, segundo as farmacêuticas, é possuir no quadro da instituição o farmacêutico clínico que poderá priorizar a sua atuação na coordenação e monitorização do processo, estimulando e monitorando o uso racional de medicamentos.
Artigo com resultados foi publicado em revista do CFF
O Conselho Federal de Farmácia publica anualmente – desde 2013 – a revista "Experiências Exitosas de Farmacêuticos no SUS". Na edição de nº 4, de dezembro de 2016, o trabalho desenvolvido do HUSM mereceu destaque.
Entre todos os artigos enviados para apreciação, 24 foram selecionados para essa edição da revista. O objetivo da publicação é sensibilizar os gestores públicos de saúde sobre a importância do farmacêutico e provar que a gestão adequada de produtos e serviços é um dos fatores primordiais para que sejam cumpridos os princípios constitucionais que regem o Sistema Único de Saúde (SUS).
Além das profissionais entrevistadas para essa reportagem, participam do programa e foram autoras do artigo: Sandra Trevisan Beck, Luma Elsenbach Schutkoski, Marília Buss de Marchi, Andriely Bersch e Débora Hermes.