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QUALIDADE DE VIDA
Equipe de transplante renal do HUSM realiza dois transplantes simultâneos no hospital
Cirurgia durou quase 6h e envolveu dezenas de profissionais.
Segunda-feira, 17 de julho: um telefonema da Central de Transplantes de Porto Alegre coloca em alerta os nefrologistas da equipe de transplante renal do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM). Acionado pelo grupo da capital, o Nefrologista Arnaldo Teixeira Rodrigues – sobreaviso do dia – inicia uma série de ligações na tentativa de retirar da fila de espera dois, dos 50 pacientes da região. A ação bem sucedida contou com a participação de dezenas de profissionais (veja quadro abaixo) e em um procedimento raro: dois transplantes simultâneos de rins - o 8º e o 9º do ano no hospital.
Um homem de 66 anos e uma mulher de 61 anos saíram da lista de espera do transplante de rins da Região. Ambos faziam parte da lista de espera da população atendida pelo HUSM: Santa Maria, Santiago e Frederico Wetsphalen.
A cirurgia, que durou quase 6h, ocorreu na manhã de terça-feira, dia 18 de julho, depois que os rins chegaram por transporte rodoviário de Porto Alegre. A paciente já teve alta hospitalar e o paciente permanece internado no HUSM e passa bem. Para que o transplante simultâneo fosse possível, um time de médicos e enfermeiros se uniu em prol da melhoria da qualidade de vida desses dois gaúchos.
O trabalho da equipe iniciou 12h antes do transplante propriamente dito, já que envolveu desde o contato inicial com os pacientes, com os cirurgiões, residentes e enfermeiros, com a equipe da Central de transplantes até a reserva de sala no bloco cirúrgico e a verificação de material.
Ainda na segunda-feira, os pacientes foram acionados por telefone.
- Quando a gente liga a primeira vez, não tem a certeza que o transplante vai ocorrer. Temos o cuidado de dizer que tem uma oferta e ele vai fazer o teste para avaliar se é compatível com o doador. A partir desse momento, já pedimos para o paciente ficar em jejum. Então, se cria uma expectativa neles e nos familiares que atenderam a ligação – explica o nefrologista Arnaldo Teixeira Rodrigues.
Cada vez que há a doação de um rim para a Central de Transplantes do Estado, dentre os pacientes que aguardam na lista de espera, se constituiu uma fila por ordem de compatibilidade. Isso porque, além de ter o mesmo grupo sanguíneo do doador o candidato ao transplante precisa apresentar condições imunológicas de compatibilidade para realizar o procedimento.
- Não pode estar com gripe, com pneumonia, com febre ou com uma infecção ativa, por exemplo. Uma vez que ele esteja bem, ligamos para a Central e o liberamos para fazer o último teste – afirma Cauduro.
Esse último teste é a chamada prova cruzada, realizado com material biológico do paciente, armazenado na Capital, assim que ele entra para a lista de espera e renovado a cada três meses. O resultado leva de 4h a 6h.
- Assim que sai o resultado, - e algumas vezes, conforme a distância que esse paciente mora em relação ao hospital, antes mesmo do resultado - ligamos para o paciente vir internar. É nesse intervalo de tempo, enquanto ele desloca para cá, que vamos verificar os últimos detalhes para a cirurgia – diz Rodrigues.
Assim que o paciente chega, ele é examinado, avaliado pela equipe e inicia a medicação imunosupressora. Durante o transplante esses profissionais trabalham com absoluta dedicação e sintonia. Isso porque uma especialidade médica complementa o trabalho da outra para que a cirurgia tenha sucesso.
Os pacientes que receberam os rins estavam em salas separadas. A primeira equipe a entrar foi a da Vascular.
- O transplante renal tem duas etapas cirúrgicas. A primeira é o preparo do rim, que vem acondicionado em baixa temperatura, para que ele fique pronto para ser reimplantado. Sempre é a equipe da vascular que começa, porque faz a anastomose dos vasos. Por último a Urologia implanta o ureter na bexiga. A equipe da nefrologia acompanha todo o procedimento – explica Leila Dantas, Urologista.
- O mais importante foi o benefício que os pacientes receberam. Saíram da hemodiálise, três vezes por semana, para uma vida praticamente normal. Podem viajar, sair, ficar mais tempo longe de casa - disse Clóvis Konopka, cirurgião vascular.
Essa foi a segunda vez que o HUSM realizou um transplante simultâneo de rins. A primeira ocorreu em 2013. O procedimento não é rotina, justamente porque envolve uma grande equipe e salas do bloco que nem sempre estão disponíveis quando a doação de mais de um órgão é confirmada.
Ainda não é possível afirmar o tempo de internação dos pacientes. Varia conforme o tempo que o rim demora para entrar em funcionamento, o que não é imediato.
- O transplante de rim não é uma salvação. É um tratamento, o paciente vai continuar fazendo exames e o uso contínuo de medicamento para evitar a rejeição do órgão - enfatiza Cauduro, ao explicar que a medicação é fornecia pelo Estado e, quando o paciente recebe a alta, já leva a prescrição para a retirada do remédio.
Em cinco anos, a sobrevida dos pacientes que realizaram o transplante é de 89% e, dos enxertos renais, de 81%.
- A sobrevida dos pacientes e dos enxertos renais realizados no HUSM é no mesmo nível da sobrevida dos transplantes renais realizados no Brasil, o que comprova a qualidade do serviço – afirma Rodrigues.
O paciente transplantado deve evitar ambientes fechados e com aglomeração de pessoas, controlar a pressão arterial, o diabetes e fazer as consultas regularmente. Isso porque a medicação imunossupressora – como o próprio nome sugere – tem o objetivo de suprimir as defesas do organismo, pois o rim é um órgão estranho no corpo de quem o recebeu. Por isso, ao mesmo tempo em que evita a rejeição do órgão, diminuindo as defesas do paciente, aumenta o risco de infecções.
Quem usa essa medicação tem que cuidar também a exposição solar. O uso do protetor solar passa a ser obrigatório, pois o risco de câncer de pele aumenta.
Equipe que realizou os transplantes renais
Médicos: Arnaldo Teixeira Rodrigues (nefrologista), Clovis Knopka (vascular) Leila Dantas e Augusto Prado (urologistas)
Residentes: Leonardo de Souza, Heitor Silva, Anderson Kalbeck, Pedro Delazari, Bruna Mohr e Vinicius Menegola.
Anestesistas: Rafael Correa, Marcele Dorneles, Eduardo Correa, Katia Foltz, Marcelo Otto.
Circulante de sala: Rosangela Schardong, Rosimar e Sonia Soquetta
Enfermeira do turno: Graziela Cauduro e Caren Jacobi
Enfermeira responsável pelo gerenciamento da lista de espera: Macilene Pauletto.
Os Números do HUSM
- O transplante de rins no Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) iniciou em 1988, com os médicos nefrologistas Luiz Alberto Michet da Silva e Henry Mor Pansard (hoje aposentados);
- Nesses quase 30 anos, o HUSM realizou 306 transplantes;
- Cada órgão doado tem um tempo para ser transplantado. No caso do rim, o ideal é até 24h, por isso a mobilização da equipe envolvida no procedimento é fundamental para o sucesso da cirurgia;
- Atualmente 48 pacientes aguardam em lista de espera da região;
- 200 pacientes estão em atendimento ambulatorial no hospital.
Agradecimento
"A Direção do HUSM se congratula com a equipe de transplante renal pela ocorrência de transplante simultâneo, beneficiando de forma significativa a qualidade de vida desses paciente."