Notícias
Carnaval com saúde: energia, prevenção e cuidado para curtir sem riscos
Foto: banco de imagens Freepik. Carnaval é tempo de alegria — e cuidar do corpo antes, durante e depois da festa é a melhor forma de garantir que ela termine apenas em boas lembranças.
Fantasia pronta, bloco na rua e programação definida. Mas, além do brilho e da música, o Carnaval também exige planejamento quando o assunto é saúde. Calor intenso, longos períodos em pé, consumo de álcool e maior exposição a situações de risco tornam esse período um teste para o corpo. Para aproveitar com segurança, especialistas do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) reforçam que preparo físico, alimentação equilibrada, hidratação adequada e prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) precisam fazer parte do roteiro.
A nutricionista Thais Cauduro Dallasta, da Unidade de Nutrição Clínica, a profissional de Educação Física Josi Mara Saraiva de Oliveira, da Unidade Multiprofissional, e o infectologista Felipe Zancan Ferrigolo, da Unidade de Vigilância em Saúde, destacam que o cuidado é resultado da combinação de estratégias. “A prevenção engloba um grupo de iniciativas que, em conjunto, proporcionam menor risco de adquirir uma IST”, afirma o médico. O mesmo raciocínio vale para a saúde e o preparo físico: equilíbrio e regularidade fazem mais diferença do que medidas isoladas.
Antes do Carnaval: preparar o corpo e planejar a prevenção
O preparo começa dias antes da festa. Para Josi Mara, o corpo responde melhor à regularidade do que aos extremos. “O condicionamento físico é construído ao longo de meses, com prática regular de atividade física. Alguns dias de preparação ajudam, mas não substituem uma rotina ativa ao longo do ano”, explica. Caminhadas em ritmo moderado, dança e exercícios simples de fortalecimento para pernas, abdômen e tornozelos ajudam a reduzir dores e inchaço. Um aquecimento de cinco minutos antes de sair já melhora a circulação.
Na alimentação, Thais Dallasta orienta fazer uma refeição equilibrada duas a três horas antes de sair. A combinação de carboidrato complexo, proteína magra e legumes garante energia e evita mal-estar. “Não é recomendado sair em jejum, principalmente se houver consumo de bebida alcoólica”, reforça. A hidratação também deve começar cedo. O ideal é sair de casa já hidratado.
No campo da prevenção sexual, o planejamento também é essencial. Ferrigolo lembra que o preservativo — disponível gratuitamente nas unidades de saúde — segue como principal ferramenta de proteção. Além disso, a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) está disponível no SUS para pessoas com maior vulnerabilidade ao HIV. “Se usada corretamente, possui capacidade extremamente elevada de impedir a infecção pelo HIV”, afirma. Ele reforça que a medicação não substitui a camisinha. Para a comunidade de Santa Maria, o acompanhamento é feito nas Unidades Básicas de Saúde e no Serviço de Atendimento Especializado (SAE – Casa Treze de Maio).
Durante a festa: equilíbrio, hidratação e atenção aos sinais do corpo
Horas em pé, calor e consumo de álcool aumentam o risco de desidratação. A estratégia recomendada pela nutricionista é simples: intercalar um copo de água para cada dose de bebida alcoólica. A medida reduz ressaca, diminui sobrecarga hepática e ajuda no controle do consumo. Água de coco e sucos naturais diluídos também auxiliam na reposição de eletrólitos perdidos no suor.
Pequenos lanches ao longo do dia evitam hipoglicemia e mal-estar. Frutas e sanduíches leves são opções práticas. Também é importante observar a higiene dos alimentos para prevenir intoxicações e gastroenterites, comuns nessa época.
Para a profissional de Educação Física, pausas estratégicas fazem diferença. Alternar o apoio das pernas, buscar sombra e usar calçado confortável reduzem o risco de dores e lesões. “Se houver tontura, cãibra ou dor intensa, o mais seguro é interromper a atividade, hidratar-se e descansar”, orienta.
No campo da saúde sexual, o infectologista faz um alerta: o excesso de álcool pode comprometer o uso correto da camisinha. “A eficácia desse método está vinculada ao uso adequado, e o consumo demasiado de bebidas alcoólicas pode prejudicar o manuseio correto do preservativo.” Informação e moderação caminham juntas.
Depois do Carnaval: recuperar o organismo e manter o cuidado
Após dias intensos, o corpo pode apresentar fadiga, desidratação e alterações digestivas. A prioridade é reidratar ao longo do dia e adotar uma alimentação leve nas primeiras 24 a 48 horas. Arroz, batata, frango, ovos, legumes cozidos e frutas ricas em água ajudam na recuperação. Suspender o álcool e priorizar boas noites de sono também favorecem o equilíbrio metabólico. "A recomendação é manter uma boa hidratação e uma alimentação equilibrada e descanso”, esclarece Thais.
Para quem teve relação desprotegida ou situação de risco, a orientação é procurar atendimento. Muitas ISTs podem não apresentar sintomas imediatos. “Podem ser oligossintomáticas ou mesmo assintomáticas, o que dificulta o diagnóstico”, explica Ferrigolo. A testagem deve ser feita o quanto antes e repetida após 30 dias, podendo ser necessária nova avaliação em 90 dias. Testes rápidos estão disponíveis nas UBS.
Em casos de exposição recente ao HIV, existe a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), que deve ser iniciada em até 72 horas. O tratamento é gratuito pelo SUS, dura 28 dias e inclui acompanhamento clínico.
A atualização do calendário vacinal também faz parte do cuidado contínuo. HPV, Hepatite B e Hepatite A estão entre as vacinas disponíveis na rede pública. “Todos nós devemos estar com nosso calendário vacinal em dia”, reforça o infectologista.
Seja na avenida ou no descanso, a principal orientação dos especialistas é respeitar os próprios limites. Carnaval é tempo de alegria — e cuidar do corpo antes, durante e depois da festa é a melhor forma de garantir que ela termine apenas em boas lembranças.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário de Santa Maria faz parte da Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Rede Ebserh) desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.