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SEMANA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE
Pequenos hábitos com o lixo ajudam o meio ambiente e beneficiam famílias de Santa Catarina
Catadores realizam coleta de resíduos recicláveis no HU-UFSC. Foto: Nick Bokeko.
Você sabia que o Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago (HU-UFSC) destina de duas a três toneladas de resíduos recicláveis para uma associação de catadores? Sabia que esse material serve de sustento para quase 20 famílias? Sabia que este número pode ser ainda maior se adotarmos hábitos simples como dispensar o lixo corretamente, nos locais destinados para cada tipo de resíduo?
De acordo com o administrador Nick Bokeko, do Setor de Hotelaria do HU, atual fiscal técnico dos contratos de manejo de resíduos sólidos do hospital, existe todo um fluxo de destinação dos resíduos que produzimos no dia a dia. “O aproveitamento e descarte correto dos resíduos beneficia o hospital, as famílias de recicladores e o meio ambiente”, explicou.
Segundo ele, o hospital tem parceria com a Associação de Recicladores Esperança (Aresp), que fica na comunidade do Monte Cristo, Florianópolis. Periodicamente, eles recolhem o material – papel, plástico, papelão e outros itens recicláveis. “Tive a oportunidade de visitar a Aresp e conhecer de perto o trabalho incrível que eles fazem. Cada vez que a gente joga o nosso lixo no recipiente correto estamos gerando trabalho e renda para pessoas que realmente precisam”, disse.
A coleta seletiva já existe na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mas foi reforçada dentro da estrutura do hospital e atende a uma exigência do Decreto 5940/2006, que estabelece que todas as instituições públicas têm de destinar resíduos recicláveis à cooperativas de catadores. Desta forma, a coleta seletiva de resíduos cumpre uma função legal, além de trazer benefícios ambientais e sociais.
Nick Bokeko explicou que cada um pode fazer sua parte para garantir o sucesso de todo o processo. Segundo ele, o lixo reciclável deve ser depositado nas lixeiras com saco azul. Ali entram copos recicláveis limpos, restos de papel, embalagens limpas, plástico e outros.
Materiais que não são recicláveis – restos de alimentos e embalagens sujas por exemplo – vão para os depósitos com sacolas pretas. “Colocamos lixeiras com saco azul em todo o hospital e devemos ter o cuidado de não jogar o resíduo comum nesses recipientes, pois isso inviabiliza a reciclagem”, acrescentou Nick.
Segundo ele, às vezes são detectados erros que podem ser corrigidos com pequenas mudanças de hábitos. Um exemplo é que o papel-toalha, usado para enxugar as mãos, não pode ir para as lixeiras com saco azul. “Esse resíduo não é reciclável e deve ser colocado no lixo comum, nas lixeiras com saco preto. Esse material é coletado pela Comcap e é destinado ao aterro sanitário”, explicou.
Outra dúvida muito comum é sobre o aproveitamento de papel usado nas impressões. Para estes casos, nos locais de trabalho, geralmente ao lado das impressoras, são colocadas caixas de maneira que este papel possa ser reaproveitado para rascunho, criação de blocos e outros.
Quem tiver dúvidas sobre o assunto pode procurar o Setor de Hotelaria Hospitalar. “Nós podemos colocar estas caixas e recipientes com sacolas próprias para o recolhimento adequado dos resíduos. Muitas vezes conseguimos fazer a realocação das lixeiras dentro de uma mesma unidade. Observamos que existem alguns lugares com excesso de lixeiras. Não é necessário que cada mesa tenha a sua lixeira, podemos compartilhar”, afirmou o administrador.
Lixo produzido no HU sustenta famílias
O lixo produzido na rotina no HU-UFSC representa pouco no local de trabalho, mas tem um peso muito grande no sustento das famílias envolvidas, segundo lembra o jovem Bruno Roni Branco Antunes, que sustenta sua família – filho e esposa – com o que ganha na Aresp.
“A gente ganha por produção, então quanto mais lixo reciclável a gente levar, melhor para todas as famílias porque no final de quinze dias é feita uma partilha e é disso que a gente vive agora”, explicou Bruno, lembrando que, nesta época de pandemia, o material reciclado do Hospital Universitário é ainda mais importante para essas famílias.
“Agora, as empresas deram uma parada e, por isso, o papelão e o papel aqui do HU é o que está fazendo a diferença”, informam os associados da cooperativa, Carlos Alberto Rosa e Edson Camargo da Silva.
“Esse trabalho faz muita diferença na vida de muitas famílias. A gente vê muitas pessoas que, como nós, dependem disso aqui”, afirmou Edson, pai de três filhos e que viu na reciclagem de lixo uma forma de sobrevivência. Segundo ele, o que ajuda muito é quando o material chega já selecionado. “Tem muitos casos de resto de comida com papel e isso atrapalha”, explicou.
No HU, são produzidos cerca de 35 toneladas de lixo por mês, sendo que metade é lixo comum (aí entram restos de comida, papel molhado, papel toalha e outros) e o reciclável representa aproximadamente 8% do total. A ideia, segundo Nick Bokeko, é alterar esta balança, reduzindo o lixo comum e aumentando o lixo reciclável e isso pode ser feito na hora do descarte, evitando, por exemplo, colocar restos de alimento nas sacolas azuis.
Todo o material que é jogado fora no HU é recolhido em contentores e levado para a área de transbordo, onde cada tipo de lixo - infectante, químico, reciclável, orgânico e comum - tem sua destinação correta. É dali que saem as cerca de 2,5 toneladas mensais de resíduos recicláveis que geram renda para famílias de catadores de Florianópolis.