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Mês de Abril lembra cuidados e tratamentos para a Doença de Parkinson
Embora a doença não tenha cura, é importante saber que existem inúmeras opções de tratamento - Foto: Banco de imagens (Freepik)
O mês de abril é dedicado à conscientização sobre a Doença de Parkinson e sobre a importância do cuidado com o parkisoniano. Neste mês é comemorado o aniversário do médico inglês James Parkinson, que nasceu no dia 11 de abril de 1755, e foi o primeiro a pesquisar cientificamente a enfermidade, chamada na época de “paralisia agitante”.
A Doença de Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, crônica e progressiva. É causada por uma diminuição intensa da produção de dopamina, que é um neurotransmissor (substância química que ajuda na transmissão de mensagens entre as células nervosas).
A dopamina ajuda na realização dos movimentos voluntários do corpo de forma automática, ou seja, não precisamos pensar em cada movimento que nossos músculos realizam, graças à presença dessa substância no cérebro. Na falta dela, particularmente numa pequena região encefálica chamada substância negra, o controle motor do indivíduo é perdido, ocasionando sinais e sintomas característicos.
De acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), existem aproximadamente, 4 milhões de pessoas no mundo com a doença. Com o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população, esse número pode dobrar até 2040.
Os principais sintomas da Doença de Parkinson são a lentidão motora (bradicinesia), a rigidez nas articulações do punho, cotovelo, ombro, coxa e tornozelo, os tremores de repouso notadamente nos membros superiores e geralmente predominantes em um lado do corpo quando comparado com o outro e, finalmente, o desequilíbrio.
Estes são os chamados “sintomas motores” da doença, mas podem ocorrer também “sintomas não-motores” como diminuição do olfato, alterações intestinais e do sono.
No Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (HU-UFSC), o neurologista André Dias de Oliveira, coordenador do Ambulatório de Distúrbios do Movimento, falou sobre o tema:
- Quais são as linhas de cuidado oferecidas no HU-UFSC para os casos de Doença de Parkinson?
Avaliamos em consulta neurológica no Ambulatório de Distúrbios do Movimento o manejo medicamentoso de acordo com os sintomas do paciente, já que cada pessoa com a Doença Parkinson terá sintomas não motores e sintomas motores de grau e evolução de maneira individual e locais específicos do corpo. O tratamento é feito com o objetivo de melhorar a mobilidade do paciente, assim como sua qualidade de vida. Para isso, além do tratamento medicamentoso, orientamos o paciente, os familiares e os cuidadores em relação a própria evolução da doença, sugerimos adaptações no dia a dia para facilitar as atividades básicas do cotidiano. Encaminhamentos para a Fisioterapia, Fonoaudiólogo e Psicólogo também fazem parte do tratamento, esses são realizados e encaminhados através da rede do SUS.
- Que tipos de tratamentos existem hoje e quais são oferecidos no HU-UFSC?
Embora a doença não tenha cura, é importante saber que existem inúmeras opções de tratamento medicamentoso para o tratamento dos sintomas, e a maioria das medicações é oferecida pelo SUS. Os principais fármacos são para aumentar a dopamina, que é o principal neurotransmissor em falta na Doença de Parkinson. Esses remédios repõem parcialmente a dopamina e ajudam a melhorar a mobilidade da pessoa. Medicamentos antidepressivos, ansiolíticos e antipsicóticos podem ser prescritos pelo médico de acordo com os sintomas do paciente. Para casos refratários e selecionados, existem tratamentos cirúrgicos, com implantação de eletrodo estimulador cerebral profundo, esses não disponíveis no HU-UFSC, mas disponíveis pelo SUS. Caso o paciente preencha critérios para tal, fazemos o encaminhamento. Além disso, acompanhamento com fonoaudiólogo auxilia para melhorar a fala e a deglutição, distúrbios que podem estar presentes na doença. Alguns pacientes acompanham no HU-UFSC e outros, de cidade e bairros mais distantes, são encaminhados através da rede para um fonoaudiólogo próximo ao seu domicílio. Acompanhamento com fisioterapia e terapia ocupacional, assim como a realização de atividades físicas regulares, são importantes para ajudar a melhorar a força e o equilíbrio, reduzindo o risco de quedas e auxiliando a autonomia do paciente.
- É verdade que a tendência é, no futuro, haver mais pessoas com Doença de Parkinson? Como reverter isso?
Com o envelhecimento, todos os indivíduos saudáveis apresentam morte progressiva das células nervosas que produzem dopamina. Algumas pessoas, entretanto, perdem essas células num ritmo mais acelerado e, assim, acabam por manifestar os sintomas da doença. Existem fatores genéticos e ambientais desconhecidos que causam a perda exagerada desses neurônios no decorrer do envelhecimento. Com a projeção atual de aumento da expectativa de vida no Brasil e no mundo, o envelhecimento da população pode fazer com que essa doença se torne mais comum. Como não se sabe a causa exata, não há maneiras específicas de curar ou prevenir a doença. No entanto, como para todas as doenças neurodegenerativas, estabelecer hábitos de vida saudável, com alimentação nutritiva e balanceada, atividade física regular e dormir bem, são práticas aconselhadas, que podem ser benéficas.
Sobre a Rede Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.