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ASSISTÊNCIA
Hospitais da Rede Ebserh atuam na proteção e no cuidado de crianças vítimas de violência
Entre 2022 e 2023, as agressões físicas na faixa etária de 0 a 4 anos aumentaram 52%, segundo um levantamento recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com o intuito de minimizar a violência infantil, foi criada a Semana Nacional de Prevenção da Violência na Primeira Infância, que ocorre anualmente de 12 a 18 de outubro. Os hospitais universitários vinculados à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) oferecem serviços de amparo a essas vítimas.
A campanha tem como objetivo central alertar a sociedade sobre a necessidade de um desenvolvimento saudável e protegido para as crianças até os 6 anos de idade. Como enfatiza Jakson Cerqueira Gama, psicólogo hospitalar do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), as violências podem causar processos traumáticos para toda a vida, e a vítima infantil sofre também a tendência em reproduzir a violência que sofreu. “Os traumas são mais profundos em casos de abusos contínuos e podem provocar alterações significativas na personalidade, como transtornos de personalidade dos tipos borderline, esquizofrênica, histriônica, entre outros”.
Ainda de acordo com o psicólogo, muitos casos de violência têm ligação com a forma com o que os pais foram criados, reproduzindo inconscientemente seus traumas ou sonhos não realizados e projetando-os na criação dos filhos. “A conscientização sobre violência na infância busca evitá-la, e divulga os meios de combater e as formas de tratar ou como lidar com a criança vítima dessas situações”, ressalta. A violência causa danos ao desenvolvimento social e emocional. Situações traumáticas podem comprometer a capacidade da criança de construir relacionamentos seguros e confiáveis.
No Hospital Professor Polydoro Ernani de São Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (HU-UFSC), a Emergência Pediátrica voltou recentemente a funcionar no sistema porta aberta, o que ampliou o acesso da comunidade e a capacidade de acolher casos sensíveis que chegam à unidade.
De acordo com Francisca Gisela Rocha de Andrade, psicóloga do HU-UFSC, nos atendimentos pediátricos, é fundamental que os profissionais estejam atentos a possíveis sinais de violência contra crianças. “A observação cuidadosa do comportamento - discurso e contexto familiar - pode indicar situações de risco. Quando são identificados sinais físicos, sintomas psicológicos ou alterações comportamentais que não se justificam por eventos esperados dentro do desenvolvimento infantil, torna-se necessário aprofundar a avaliação”, afirma.
“Nesses casos, pode ser indicada a realização de uma entrevista de Escuta Especializada, conforme previsto na Lei nº 13.431, de 4 de abril de 2017, que estabelece o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência”, ressalta a psicóloga. Segundo ela, a escuta especializada consiste em um procedimento realizado por profissionais capacitados, em ambiente adequado e acolhedor, com o objetivo de obter informações sobre a situação de violência, assegurando a proteção e evitando a revitimização da criança ou adolescente.
Os tipos de violência mais comuns na primeira infância são as negligências, os maus-tratos ou abuso físico, sexual, emocional ou psicológico, e o abandono. A grande maioria ocorre dentro das residências das crianças. Segundo Marta Maria Alves, médica sanitarista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), muitas vezes as violências contra crianças não vêm isoladas e podem estar associadas entre si.
Responsabilidade de todos
O profissional de saúde tem um papel fundamental na identificação de sinais e sintomas sugestivos de que a criança esteja passando por situações de violência. “Durante o atendimento, é possível identificar sinais no corpo dela, que muitas vezes são incompatíveis com a história relatada pelos pais ou responsáveis. Alterações no comportamento da criança ou atraso no desenvolvimento infantil podem ser sinais de alerta. Então, o profissional pode identificar precocemente, durante um atendimento, suspeita de que a criança esteja sofrendo violência e, a partir disso, desencadear toda a linha de cuidado em saúde”, ressalta Marta Maria Alves, médica sanitarista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG).
Por isso, o HC-UFG implantou um protocolo clínico de atenção a crianças e adolescentes em situação de violência. Publicado em outubro de 2022, o documento tem a intenção de identificar precocemente sinais e sintomas de violência e orientar os profissionais de saúde quanto ao manejo adequado em cada situação.
Rede Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.