Notícias
SÉRIE CRIANÇAS NA REDE EBSERH
Sob o olhar das crianças: ambientes e atividades lúdicas modificam o dia a dia da internação
Brasília (DF) - Em Rio Grande (RS), as crianças atendidas na Brinquedoteca do Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr., da Universidade Federal do Rio Grande (HU-Furg/Ebserh), são convidadas a dar um grande mergulho no oceano Atlântico e deixar a imaginação interagir com os animais que fazem parte desse habitat. A imersão só foi possível graças à nova pintura do espaço, realizada pela própria brinquedista e assistente administrativa do setor, Mariana Almeida Lucas.
“Misturei arte com o propósito educativo e de imersão. Eu queria muito proporcionar aos pacientes e pais uma ‘fuga’ do ambiente hospitalar, para um ambiente mais lúdico e acolhedor. A intenção é que ao abrir a porta da brinquedoteca, eles mergulhem em novas experiências. E assim provoquei sorrisos, foi muito além do que esperava”, disse Mariana, que também é formada em Artes. Essa e outras empolgantes histórias, estão nessa penúltima reportagem da série especial “Crianças da Rede Ebserh”, para mostrar que tudo vale a pena, sejam grandes ou pequenas iniciativas.
Ester Conceição Gomes, de 7 anos, ficou internada por dois meses e 15 dias no HU-Furg. Ela não só conferiu de perto a transformação da brinquedoteca, como fez questão de pintar. “Eu amei pintar, o que eu mais gostava de fazer quando estava internada era ir para a salinha dos brinquedos. Fez muita diferença durante minha internação, fiquei mais calma”, afirmou Ester.
A brinquedoteca realiza cerca de 127 atendimentos mensais, no qual todas as crianças internadas na clínica pediátrica podem frequentar o espaço e as que não podem se locomover, são atendidas no leito.
A chefe da Unidade da Criança e do Adolescente do HU-Furg, Ana Paula Olmedo, explicou que são desenvolvidas atividades de musicalização infantil, contação de histórias, além de disponibilizar jogos, museu de conchinhas, desenho e brinquedos próprios para cada faixa etária e videogame. “O mais cativante nesse trabalho são os olhinhos brilhantes, muitas vezes carentes de afeto ou com medo por estar em um ambiente tenso para eles. Dessa forma, tornamos o dia deles e o nosso muito melhor”, pontuou.
O Davi Luiz, de 10 anos, ficou 15 dias internado e aproveitou o período para desenhar bastante. “Gosto de desenhar, mas no hospital fiquei com mais vontade ainda. Fiquei muito encantado com as pinturas nas paredes e me apeguei muito com a Mariana. Dou pulseiras para os amigos que gosto, por isso, fiz questão de entregar uma pulseira para ela, para que não esquecesse de mim”, relatou o Davi. E a pulseira, segue firme no braço da brinquedista, que é enfática quando fala que esses pequenos gestos são o melhor presente. A brinquedoteca, inclusive, foi reinaugurada no dia 05 deste mês, com direito a circo, músicos, mágicos, pintura facial e muito mais.
Lá em Uberaba, a Maria Nicole, que hoje tem 10 anos, está internada no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), desde 2013. O hospital é, na verdade, sua casa. Ela tem o diagnóstico de Atrofia Muscular Espinhal, (AME) tipo 1 e precisa de aparelhos para a sua qualidade de vida. Sua mãe, Shirlene Fernandes, 50 anos, que vive essa luta com sua filha, destacou dois momentos marcantes vividos no hospital: a visita de um cão, organizada por residentes, e a apresentação da banda da Polícia Militar da 5ª região, durante as festas juninas, organizadas pela Terapia Ocupacional na enfermaria de pediatria.
“A Maria Nicole teve o contato pela primeira vez com um animal, graças a essa ação, realizada em 2019. Isso nos marcou muito. Ela saiu um pouco do quarto e foi para o jardim para conhecer o cachorro. Outro dia importante foi quando teve a apresentação da banda. Foi maravilhoso. Guardo na memória com muito carinho até hoje”, relembra a mãe.
O Kerlon, 6 anos, também mora no hospital. Está internado desde 2018 com diagnóstico de isquemia cerebral neonatal e insuficiência respiratória. Sua mãe, Jéssica Lopes, 29 anos, relata que ele adora ações divertidas no leito e presta muita atenção nas músicas. “Ele se comunica pelos olhos e pelo sorriso, adora que a gente converse com ele. O Dia das Crianças para mim é muito significativo, pois é o único filho que eu tenho. A data mexe muito comigo, pois ele podia estar em casa, correndo, mas Deus mudou minha história da noite para o dia, para que eu pudesse ver a minha vida com outros olhos. Então tudo o que eu puder fazer para ele, eu faço”, desabafou Jéssica, que trabalha pela manhã e fica com ele todas as tardes.
No Hospital Universitário Ana Bezerra, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Huab/UFRN), localizado no município de Santa Cruz, estratégias de humanização são desenvolvidas para propiciar um cuidado respeitoso e com atividades construtivas a crianças e adolescentes hospitalizados. Giovana, que completou 1 ano durante sua recente internação no hospital, teve direito sim a uma festinha e com participação especial do irmão, Benjamim, e do seu pai, Lucemário de Souza. Eles são de Currais Novos, outro município, mas foram no dia do aniversário se juntar à mãe, Raiane de Souza, e à bebê Giovana para a tão esperada festa. A internação não foi barreira para que a celebração da vida acontecesse.
“A vinda do papai e do seu irmãozinho nesse dia tão especial contribuiu para sua recuperação”, relata a chefe da Unidade da Criança e do Adolescente do Huab, Raissa Afonso da Costa. Ela complementa dizendo que o bem-estar emocional do paciente é essencial para a resposta adequada ao tratamento, podendo reduzir o tempo de hospitalização.
Essas e outras boas práticas são realizadas na Unidade perpassando também por atividades educativas e recreativas, suportes nutricional, pedagógico e psicológico, além de ações integrativas em datas comemorativas. Objetivam, além da melhora do quadro clínico, trazer leveza ao período da internação hospitalar, como preconiza o Ministério da Saúde por meio da Política Nacional de Humanização – Humaniza Sus.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Danielle Morais com revisão de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh