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EQUIDADE
Profissionais do HU-Furg participam do 1º Seminário Nacional de Assistência de Enfermagem à População LGBTQIA+
Rio Grande (RS) – Como garantir que o cuidado em saúde reconheça e respeite a diversidade das pessoas atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS)? Essa foi a questão central do 1º Seminário Nacional de Assistência de Enfermagem à População LGBTQIA+, promovido pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), nos dias 11 e 12 de fevereiro, em formato híbrido, com programação presencial na sede do Cofen, em Brasília (DF), e transmissão online. O Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr., da Universidade Federal do Rio Grande (HU-Furg), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), esteve representado por dois profissionais da Enfermagem.
O encontro reuniu especialistas, pesquisadores e profissionais para discutir como qualificar o cuidado, organizar práticas assistenciais sem discriminação e ampliar o debate sobre equidade, diversidade e direitos na saúde. A proposta foi contribuir para o fortalecimento da assistência no SUS, com foco no acesso e na atenção às necessidades da população LGBTQIA+.
A enfermeira do HU-Furg e colaboradora da Câmara Técnica de Diversidade e Equidade do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (Coren-RS), Priscila Cadaval, participou como palestrante na mesa “Assistência de Enfermagem nos consultórios voltados à atenção à população trans”. Ela apresentou a experiência do Serviço de Atenção Especializada no Processo Transexualizador do hospital, habilitado em 2023. O HU-Furg integra o SUS na oferta desses cuidados, atendendo pessoas trans no processo de afirmação de gênero.
Durante sua participação no Seminário, Priscila destacou o papel da Enfermagem no acolhimento, na escuta qualificada e na organização do cuidado. A enfermeira também participou da construção do Parecer Técnico Coren-RS nº 02/2025, homologado pelo Cofen, que reconhece não haver impedimento legal para a atuação da Enfermagem no perioperatório das cirurgias de redesignação genital, desde que respeitados os limites éticos e técnicos da profissão.
Para Priscila, a realização de um seminário nacional específico sobre a assistência de Enfermagem à população LGBTQIA+ fortalece esse avanço técnico. “O parecer nasceu a partir de uma provocação que levei ao Coren e desenvolvi em conjunto com os colegas da Câmara Técnica de Diversidade e Equidade, a partir das demandas que vivenciamos na prática assistencial. Consolidar esse entendimento técnico-legal foi fundamental para dar segurança aos profissionais. Quando esse debate ganha espaço em um seminário nacional, ampliamos o diálogo, qualificamos o cuidado e fortalecemos a atuação da Enfermagem no SUS”, pontuou.
Já o chefe da Unidade de Regulação Interna e Gestão da Informação Assistencial do HU-Furg, Matheus Souza, também é membro da Câmara Técnica de Enfrentamento ao Racismo do Coren-RS, participou do Seminário como ouvinte. Segundo ele, “o evento foi muito importante para aprofundarmos o cuidado da Enfermagem às pessoas LGBTQIA+, além de proporcionar um espaço de troca entre representantes de todos os estados do Brasil. Também foi uma oportunidade para conhecer as práticas de regulação adotadas em cada região e perceber que há serviços espalhados por todo o país que enfrentam dificuldades e possibilidades semelhantes às vivenciadas no Rio Grande do Sul”.
Além disso, Matheus destacou os desafios relacionados ao acesso à assistência. “Ainda é um grande desafio ampliar o acesso dos pacientes, tanto na Atenção Primária quanto na Atenção Especializada, especialmente nos processos cirúrgicos. É motivo de orgulho afirmar que, atualmente, nossa fila de espera para cirurgias de redesignação genital é inferior a um ano”.
Sobre a Ebserh
O HU-Furg faz parte da Rede Ebserh desde julho de 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Andreia Pires
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh