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46 anos
HU-Furg, um hospital sonhado para transformar vidas
Sonhar... quem nunca buscou seus sonhos? Traçou metas ou lutou por seus objetivos? Desde criança temos nossos sonhos: queremos voar, ter um determinado brinquedo, ser adulto e ter uma profissão. Vivemos e projetamos o futuro sem nos preocuparmos se nossos sonhos são possíveis ou não. Mas, para nosso sonho se realizar ele pode depender de um sonho ainda maior, como a existência de uma instituição. Foi assim, sonhando em oferecer um ensino de qualidade na área da saúde que, em 1966, surgiu o Hospital de Ensino em Rio Grande. Por ser um sonho, ele foi alocado em um pavilhão de isolamento da Associação de Caridade Santa Casa de Rio Grande (ACSCRG).
Foram 10 anos de trabalho e conquistas até a emissão da “certidão de nascimento”, por meio da Portaria da Reitoria da Furg nº 233, de 29 de março de 1976, assinada pelo Reitor Professor Eurípedes Falcão Vieira. E o sonho tornou-se realidade com o nome de Hospital de Ensino Prof. Miguel Riet Corrêa Júnior (HE), em homenagem ao primeiro diretor da Faculdade de Medicina do Rio Grande e primeiro diretor do Hospital. Cada fragmento desse sonho foi acalentado por diferentes profissionais que, de acordo com suas especialidades, foram abrindo novas portas, idealizando serviços e ampliando o HE.
Ao logo dos anos e em atenção às necessidades do ensino/pesquisa e da população local, foram implementadas unidades assistenciais; novos serviços e projetos foram idealizados, bem como foram criadas as estruturas administrativa e de apoio ao Hospital. Mesmo com as lacunas no registro da história do HE, podemos citar o início das atividades de algumas áreas, em ordem cronológica: Cardiologia, Hemodiálise, Laparoscopia, Rectosigmoidoscopia, Laboratório de Análises Clínicas e Patológicas, Endoscopia Digestiva, Ambulatório de Clínica Médica, Fundação de Apoio ao Hospital de Ensino de Rio Grande (Faherg), Cozinha, Cantina, Lavanderia, Capela Mortuária, Área de Agenciamento, Serviço de Prontuário, Bloco Cirúrgico, Serviço de Pronto Atendimento, Radiologia, Almoxarifado, Unidades de Internação diversas, Serviço de Aids, UTI Neonatal, Planejamento Familiar, Endoscopia Respiratória, Centro Obstétrico, Maternidade, Hospital Dia para pacientes com Aids, Cirurgia Videolaparoscópica, Associação das Amigas do HU, Serviço de Estomaterapia, Capela Nossa Senhora de Fátima, Ala Rosa, Serviço de Farmácia, Ala Azul, Centro Regional de Estudos, Prevenção e Recuperação de Dependentes Químicos (CENPRE), Centro Integrado de Diabetes (CID), Hospital Dia para pacientes crônicos, UTI Neonatal Intermediária, UTI Adulto, Serviço de Imagem, CID/Oftalmologia, Ala Verde (Centro Integrado Regional de Pneumologia - CIRP e Gastroenterologia - CIRG), Grupo Viver Mulher, Ambulatório de Cirurgia Geral e Especializada (Urologia, Cirurgia Pediátrica, Cirurgia Torácica e Cirurgia Vascular), Serviço de Nefrologia, Centro de Traumatologia, Ambulatórios, UTI Pediátrica, Laboratório de Habilidades Clínicas Multiprofissional (LaHCliM), Laboratório de Apoio Diagnóstico em Infectologia (Ladi) e, com a pandemia de coronavírus, as áreas Covid-19, os teleatendimentos e atendimentos específicos que os novos tempos requerem.
Sabemos que muitos outros serviços, unidades e projetos foram gestados, fomentados e executados, com curta ou longa duração. Nosso reconhecimento aos profissionais que amam, lutam e ousam sonhar e realizar ações que favorecem o ensino, a pesquisa e o atendimento à população de Rio Grande e Região. Um especial agradecimento aos coordenadores, diretores e superintendentes do HU-Furg, pois foram sonhadores incansáveis, persistentes e dedicados:
Coordenadores do HE-Furg (1966-1985):
- Miguel Riet Corrêa Jr.: 1966 - 1977
- Luiz Gonzaga Cardoso Dora: 1977 - 1984
- Moacir Assein Arús: 1984 - 1985
Diretores do HE-Furg (1986-1991):
- Laviera Bessouat Laurino: 1986 - 1988
- Paulo Marcos Duval da Silva: 1988 - 1989
- Vicente Mariano da Silva Pias: 1989 - 1990
- Romeu Selistre Sobrinho: 1990 - 1991
- Ícaro Camargo Batista: 1991 – 1991
Diretores do HU-Furg (1991-2015):
- Paulo Marcos Duval da Silva: 1991 - 1992
- Ari Mossi Feris: 1992 – 1997
- Vicente Mariano da Silva Pias: 1997 - 2005
- Raúl Andrés Mendoza Sassi: 2005 - 2006
- Sandra Crippa Brandão: 2006 - 2009
- Romeu Selistre Sobrinho: 2009 - 2011
- Tomás Dalcin (Administrador, Diretor pro tempore): 2011 - 2012
- Helena Heidtmann Vaghetti: 2012 - 2015
Superintendentes do HU-Furg/Ebserh (2016-atual):
- Helena Heidtmann Vaghetti: 2015 - 2018
- Sandra Crippa Brandão: 2018 – em exercício
Realizações nunca antes sonhadas
Em 26 de abril de 1991, a partir de portaria do MEC, o Hospital passou a adotar a nomenclatura de Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr (HU) – único hospital público federal da Microrregião Litoral Lagunar, que abrange as cidades de Rio Grande, São José do Norte, Santa Vitória do Palmar e Chuí. Em 1995, o sonho ganhou novos contornos com a inauguração da Área Acadêmica Prof. Newton Azevedo. A nova estrutura, junto ao Hospital, melhorou as condições dos cursos de graduação e de pós-graduação de Medicina e Enfermagem, pois passou a disponibilizar salas de aula, secretarias, salas de permanência dos departamentos e Biblioteca Setorial da Saúde.
Todo sonho possui um dinamismo próprio e necessário, no caso de um Hospital, para reorganizar constantemente suas estruturas e equipes. Desse modo, o HU-Furg precisou reinventa-se para manter vivo seu compromisso com a formação de novos profissionais e assistência à população do Rio Grande e Região. Assim, em 26 de outubro de 2004, com a certificação recebida dos Ministérios da Saúde e da Educação como “Hospital de Ensino”, o HU entrou em um programa de reestruturação que mudou seu perfil (gestão, ensino e modelo assistencial) e financiamento (previsão orçamentária), objetivando a maior inserção no Sistema Único de Saúde (SUS). Isso só foi possível com o comprometimento, a responsabilidade e a determinação de muitas pessoas.
Seguindo, em 2010, o HU começou a viver uma nova realidade em função da pactuação com o Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários (Rehuf). O Programa é destinado à reestruturação e revitalização dos Hospitais das Universidades Federais, integrados ao SUS, nos termos do art. 4º da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Com os recursos do Rehuf foi possível realizar diversas obras e adquirir novos equipamentos hospitalares. Como consequência, em 14 de março de 2011, o HU passou a atender seus usuários exclusivamente pelo SUS, ou seja, sem convênios ou pagamentos particulares.
O caminho da realização dos sonhos supõe constante reavaliação dos passos dados e, se necessário, a ousadia para trilhar novas rotas. Nesse sentido, o Conselho Universitário da Furg, em 14 de agosto de 2014, decidiu pela aprovação da indicação que propunha a adesão da Universidade à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). O contrato foi assinado em 23 de julho de 2015, pela Reitora da Furg, Cleuza Dias e, em 14 de agosto, a Resolução Nº 176 oficializou a abertura de filial da Ebserh no município do Rio Grande/RS, objetivando a gestão do HU-Furg. O próximo passo, em fevereiro de 2016, foi a realização do concurso para diversos cargos e especialidades, totalizando 908 vagas. Em maio, o concurso foi homologado e, em julho de 2016, foram chamados os primeiros empregados da Ebserh.
O sonho se tornou realidade!
Ao completar 46 anos dedicados à saúde e à formação de novos profissionais, o HU-Furg/Ebserh possui 231 leitos vinculados ao SUS, em uma área construída de 15.678 m², no prédio principal do HU; 1.436 m2 do Prédio Anexo; 1.534 m² do Ambulatório; e a atual Área Acadêmica é de 4.897 m². Dados de 2019, antes da pandemia de covid-19, mostram que foram realizadas, em média, 633 internações e 53.554 atendimentos ambulatoriais por mês. Hoje, há em atividade no HU-Furg: 205 estagiários, 80 residentes, além de 797 empregados Ebserh, 333 servidores Furg e 324 colaboradores terceirizados. Toda essa área física e quadro de colaboradores favorecem o desenvolvimento das atividades do tripé: assistência, ensino e pesquisa. As áreas se retroalimentam e se fortalecem, tendo o paciente como foco central.
O Hospital é referência em média e/ou alta complexidade para a 3ª Coordenadoria Regional de Saúde do Rio Grande do Sul (RS), constituída por 22 municípios do Extremo Sul do Estado: Amaral Ferrador, Arroio do Padre, Arroio Grande, Canguçu, Capão do Leão, Cerrito, Chuí, Cristal, Herval, Jaguarão, Morro Redondo, Pedras Altas, Pedro Osório, Pelotas, Pinheiro Machado, Piratini, Rio Grande, Santa Vitória do Palmar, Santana da Boa Vista, São José do Norte, São Lourenço do Sul e Turuçu. Também, é referência em alta complexidade para seis municípios da 7ª Coordenadoria Regional de Saúde do RS: Aceguá, Bagé, Candiota, Dom Pedrito, Hulha Negra e Lavras do Sul.
Os serviços referenciados de Alta Complexidade são Traumatologia e Ortopedia, HIV/AIDS e Gestação de Alto Risco. Já os serviços referenciados/especialidades são 34: Banco de Leite Humano (BLH); Centro Regional de Estudos, Prevenção e Recuperação de Dependentes Químicos (CENPRE); Cirurgia de Cabeça e Pescoço; Cirurgia Geral; Cirurgia Plástica; Cirurgia Vascular; Infectologia; Hepatologia; Hematologia; Endocrinologia – CID; Gastroenterologia; Tabagismo; Ostomizados; Abortamento Legal e Violência Sexual; Medicina Intensiva Adulto; Medicina Intensiva Neonatal; Medicina Intensiva Pediátrica; Nefrologia; Neurologia; Ortopedia/Traumatologia; Otorrinolaringologia; Oftalmologia; Pediatria; Pneumologia; Psiquiatria e Psicologia; Reumatologia; Urologia; Imaginologia; Citopatologia; Cardiologia; Dermatologia; Proctologia; Genética Médica e Serviço de Pronto Atendimento (SPA). As 15 especialidades multiprofissionais são: Enfermagem, Fisioterapia, Educação Física, Terapia Ocupacional, Odontologia, Cirurgia Bucomaxilo-facial, Biologia, Biomedicina, Pedagogia, Fonoaudiologia, Psicologia, Serviço Social, Farmácia, Nutrição e Bioquímica.
Na área de ensino e pesquisa, há muita dinamicidade, cabe destacar as residências: Residência Integrada Multiprofissional Hospitalar com Ênfase na Atenção à Saúde Cardiometabólica do Adulto (RIMHAS), Residência Médica e Residência Multiprofissional em Saúde da Família (RMSF). São cursos lato sensu, com duração dois a três anos, desenvolvidas em tempo integral e com atividades teóricas e teórico-práticas (20%) e atividades práticas de formação em serviço (80%), realizadas sob supervisão de preceptores.
A comemoração de 46 anos é de todos os que contribuíram, e contribuem, para a concretização do sonho do espaço chamado HU-Furg/Ebserh. Tudo valeu a pena, pois foi um sonho alcançado com coragem, amor e dedicação. Somos protagonistas e herdeiros desse legado, que tenhamos sempre diante de nossos olhos e em nossas ações a visão do HU, construída em 2021: “Ser referência na formação de pessoas, buscando melhoria contínua no ensino, pesquisa, assistência e gestão, atuando de forma transparente, segura, humanizada e inovadora, contribuindo para o aprimoramento do atendimento aos usuários do SUS”. Afinal, os sonhos têm poder de transformar vidas, neste caso, de salvar muitas. Acredite. Lute. Ouse sonhar e realizar!
Compartilhando histórias
“A minha trajetória profissional está diretamente ligada à história do HU-Furg, já que grande parte dela eu vivi aqui. Começou na graduação de Medicina, quando o Hospital estava instalado na Santa Casa e, depois, na década de 90, foi transferido para o prédio atual. Lembro-me das primeiras aulas de Semiologia na Clínica Médica. Além dessa unidade, na época, tinha o SPA e estavam sendo implantadas a Clínica Cirúrgica e a Pediatria. Depois de formada, ingressei como residente de Cirurgia Geral. Naquela época, o Bloco Cirúrgico funcionava em três salas, sendo uma delas de cesarianas. Depois da residência, atuei como cirurgiã plantonista, já na estrutura nova do Bloco Cirúrgico, com o dobro do tamanho. Na sequência, foram implantados vários serviços, surgiu a UTI Geral, o Centro Obstétrico, a Maternidade, o Serviço de HIV/aids... Se pararmos para pensar, isso não faz tanto tempo e a mudança foi grande. Nosso Hospital cresceu bastante, tornando-se referência para 28 municípios. Isso tudo foi possível pelo empenho de várias pessoas, pois se tinha pouco, mas, trabalhávamos muito e com dedicação. Várias pessoas sonharam com o HU, como ele é atualmente e como ainda será. Com certeza, todos estão satisfeitos com o que conquistamos, pois, hoje, temos um Hospital financeiramente estável, que se sustenta, com administração independente. Crescemos muito e iremos crescer mais! Aos nossos colaboradores quero dizer para que olhem a nossa história, valorizando o passado e vivendo o presente, na busca de sempre fazer o melhor. Não podemos esquecer da nossa importância, pois ensinamos e assistimos. A educação e a saúde são os bens mais preciosos do ser humano. Lembrem-se de que a história do HU é feita por todos nós. Por isso, vamos juntos construir uma estrada para o futuro, garantindo a continuidade desse grandioso trabalho, para que ele continue sendo uma realidade. Parabéns HU-Furg pelos 46 anos!”
Sandra Brandão, Superintendente
“Falar um pouco da história do HU-Furg significa resgatar memórias e falar de um tempo já bem distante. Essa relação teve início no ano de 1979, começo de minha vida universitária, cursando Medicina. Durante muitos anos, o HU teve sua casa dentro das instalações da ACSC do Rio Grande e, encolhidos em poucas unidades, muitos de nós, médicos e enfermeiros, nos preparamos para a vida profissional. Um breve tempo daqui me afastou, período em que cumpri o programa de residência médica em pediatria. Retornei em janeiro de 1988, ainda para as antigas instalações, como pediatra e via Faherg. Ainda eram tempos difíceis e desejávamos muito ter nossa casa própria, crescer e tornar o HU um grande hospital. No início da década de 90, a Furg (via MEC) adquiriu o prédio em frente à Santa Casa e, aos poucos fomos nos transferindo, na medida em que as novas unidades tinham condições de desenvolver suas atividades. Eram tempos desafiadores, assim como hoje, precisávamos contratar pessoas, melhorar a infraestrutura e éramos importante campo de prática para os cursos da área da saúde, além de buscar atender as expectativas assistenciais daqueles que buscavam o Hospital da Furg. Uma situação que compartilhei com professores naquela época e com colegas médicos (também os residentes), enfermeiras e suas equipes, quando da troca de espaço, foi a mobilização de todos para realizarmos a mudança. Existia um terreno onde hoje é a Área Acadêmica, por onde transportamos todo o mobiliário e os pertences que tínhamos na antiga área. Um mutirão, um trabalho de equipe. Iniciamos então um ciclo novo e desafiador, iniciavam os atendimentos no espaço da UTI Neonatal e Pediátrica. Uma equipe médica e outra de enfermeiros e técnicos se constituindo e demarcando seu espaço no novo HU. O sonho de crescer mais nos movia como grupo e, em final de 94, grande parte daquele grupo foi incorporada como técnico-administrativo Furg. Hoje, muitos desses colegas já não estão mais conosco, já cumpriram seu tempo de serviço. Outros ainda estão aqui e em pouco tempo também o farão. Sinto saudades desse tempo e de tantos colegas... E muitos vieram para somar ao longo do tempo. Enfim, hoje ainda permaneço aqui, na condição de docente da Furg cedida ao HU, buscando por meio do trabalho em prol do ensino, da extensão, da pesquisa e da inovação tecnológica, junto com tantos outros, a qualificação cada vez maior do nosso HU-Furg. Sim, sinto-me parte dele e de sua trajetória e desejo que tenha vida longa e saudável, e que, ao mesmo tempo em que faz assistência aos seus usuários, possa ser um grande polo de formação de profissionais de saúde qualificados. Esse texto é apenas um recorte dos laços que fiz ao longo de toda minha vida profissional dentro do HU, que é mesclada certamente com outras tantas experiências pessoais e que me constituem.”
Marilice Magroski Gomes da Costa, pediatra e atual gerente de Ensino e Pesquisa
“O Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr. é uma grande referência em assistência à saúde e, muito especialmente, um espaço acadêmico fundamental para o desenvolvimento de expressivas e numerosas ações de ensino, pesquisa e extensão da Furg. Nestes 46 anos de existência, o Hospital Universitário reafirmou essa importância por meio do trabalho dedicado de inúmeras pessoas e, com a gestão partilhada entre a Furg e a Ebserh, foi possível aprimorar tanto a assistência à saúde, quanto as atividades fins da Universidade, contribuindo ainda mais para a formação dos nossos estudantes. O HU demonstra, cada vez mais, seu grande potencial para o atendimento à população do município do Rio Grande e da Região, nas mais diversas especialidades. Parabenizamos o Hospital Universitário pelo compromisso e responsabilidade com que desenvolve todas as suas ações!”
Danilo Giroldo, Reitor da Universidade Federal do Rio Grande
“Tive a honra de, há seis anos, me juntar a esta Instituição que me recebeu de braços abertos e logo transformou-se em minha nova casa e família. Por fazer parte do administrativo, de lá para cá, pude acompanhar inúmeras mudanças globais no HU-Furg: infraestrutura, organizacional, quadro de pessoal... Porém, mesmo com todas as transformações, a base do HU-Furg continua a mesma, um hospital acolhedor para com seus colaboradores e usuários, sempre evoluindo (inclusive em seus momentos de maior dificuldade) para continuar servindo e sendo referência à população de Rio Grande e Região, bem como formando excelentes profissionais de saúde, afirmando, assim, o seu maior compromisso, como Hospital Universitário 100% SUS, em melhorar a qualidade de vida de sua comunidade.”
Rennan Tarradt Rocha Wanderley, Engenheiro de Segurança do Trabalho e atual Chefe da Unidade de Saúde Ocupacional e Segurança do Trabalho, 1º colaborador Ebserh contratado no HU-Furg
“Eu me formei como enfermeira na Furg em 1982. Na época, não tinha muito campo de trabalho, eram o hospitais Santa Casa ou Beneficência Portuguesa. Comecei a dar algumas aulas e, em 1986, fui convidada a participar de uma seleção para trabalhar no Hospital de Ensino da Furg. Na época fui contratada pela Santa Casa e cedida ao HE. No ano seguinte, fui para a Faherg, sendo a quinta pessoa a ser contratada e a primeira profissional de Ensino Superior. Trabalhávamos nos fundos da Santa Casa, éramos um grupo de 13 enfermeiras. Nessa época fui trabalhar na Unidade de Clínica Médica, no turno da tarde, e eu era a única enfermeira para atender 50 pacientes e comigo havia mais três ou quatro funcionários que auxiliavam nas atividades. Era muito trabalho, muita dificuldade, mas fazíamos como muita dedicação, amor e satisfação. Quando comecei a trabalhar, eu não tinha prática nenhuma, não tinham muitas atividades práticas na Universidade, eu só sabia o que estava escrito nos livros, foi um desafio. Tive a sorte de ser adotada por uma experiente atendente de enfermagem, Terezinha Libório, que me ensinou e me protegeu muito. Fui aprendendo com colegas e médicos. Não tínhamos a oportunidade que hoje os jovens têm de fazer um estágio. O aprendizado que atualmente o nosso HU proporciona aos alunos, é algo que na nossa época não era imaginado. Foi um período muito difícil, trabalhávamos atendendo a área dos indigentes, ainda não existia o SUS, os materiais eram escassos. Para se ter ideia, para a área da indigência não ia o butterfly, que era o que tinha de mais moderno em termos de punção venosa. Então, recebíamos agulhas metálicas, e eu puncionava os pacientes com elas e acoplava o soro. Tínhamos só uma pessoa da higienização para a unidade, então a limpeza do Posto de Enfermagem era feita por nós. Pintávamos os móveis e fazíamos o que fosse necessário para manter tudo da melhor forma possível. As refeições, fazíamos todos juntos, independente da função, e era o momento de trocarmos ideias e aprendizados. Na hora do café, só tínhamos uma colher, era engraçado até! Lembro-me de levar os pacientes para participarem da missa, levava um a um, estacionava a cadeira de rodas na capela e buscava o próximo, depois levava todos de volta. Não sei de onde tirava tempo, mas adorava ver a felicidade deles. No final dos plantões, eu sentava e afiava as agulhas metálicas em uma pedra, depois passava em um algodão para ver se tinha ficado alguma ponta e, por último, esterilizava, para usar no outro dia. É inacreditável, mas nós pegávamos as gazes mais limpas que tinham sido usadas e lavávamos para reutilizá-las. A nutrição parenteral era feita por nós, dentro do Posto de Enfermagem. Até comida para alimentar os pacientes chegamos a fazer. Muitas vezes, não tínhamos luvas para trabalhar. Cursos eram raros, quando nos ofereciam um treinamento em Porto Alegre, embarcávamos em uma kombi, com furos de ferrugem na lataria e fazíamos uma viagem de seis horas ou mais até a capital. Não era fácil, mas fazíamos tudo com muita vontade e alegria, valorizando e aprendendo com cada momento. Passando por tudo isso, nosso grande sonho era um concurso para a Furg, pois era a esperança das dificuldades diminuírem. Até que teve o concurso e eu fui aprovada. Já se passaram 36 anos e hoje relembrando tudo isso, orgulho-me de ver o quanto nosso Hospital cresceu e se desenvolveu. Quantas possibilidades os profissionais e alunos têm em aprender e evoluir dentro do HU. Só tenho gratidão e satisfação por fazer parte dessa linda história”.
Gicelda Pardo, enfermeira e ouvidora do HU-Furg
“Eu sou a Sonia da Silva Lemos, tenho 34 anos de HU. Fui assistente administrativa pela Faherg durante 30 anos e me aposentei. Fiquei em casa uns 30 dias, mas não consegui parar de trabalhar. Como na época o gerente Tomás Dalcin disse para mim que as portas do HU estariam sempre abertas, pedi para voltar e consegui ser admitida em uma empresa terceirizada. Então já faz mais quatro anos que estou aqui no Hospital, onde sou muito feliz em trabalhar e prestar serviços a todos que precisam. Sempre acho que falta fazer mais pelos pacientes e pelas pessoas que precisam do meu serviço e minha ajuda. Procuro fazer o melhor sempre.”
Sonia da Silva Lemos, terceirizada