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AMBULATÓRIO TRANS
HE-UFPel promove 3ª Roda de Conversa no Dia Nacional da Visibilidade Trans
Pelotas (RS) – O Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), promoveu, por meio do Ambulatório Multidisciplinar de Pessoas Trans (Ambu “T”), a 3ª Roda de Conversa com o tema “Ambu ‘T’ HE-UFPel: uma trajetória de luta e conquistas para a população LGBTQIA+”. O encontro foi realizado no dia 29 de janeiro, no Auditório Central do Hospital, em alusão ao Dia Nacional da Visibilidade Trans, reunindo comunidade, profissionais de saúde, estudantes e representantes de diferentes áreas e instituições.
A atividade teve como objetivo promover diálogo, escuta qualificada e troca de experiências sobre avanços e desafios no cuidado à saúde de pessoas LGBTQIA+, além de dar visibilidade às políticas públicas e aos serviços disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A assistente social do HE-UFPel, Mariângela Gonzales, destacou que a data tem origem em um movimento histórico de luta por direitos. “O Dia da Visibilidade Trans é comemorado por conta de um ato político da população trans, em 2004, que buscava mais políticas públicas, mais acessibilidade e direitos. É uma data que simboliza essa trajetória de resistência”, explicou.
Durante a roda de conversa, participaram profissionais do Ambu “T” e convidados externos, ampliando o debate com aspectos sociais, jurídicos e de garantia de direitos. Estiveram presentes o endocrinologista Jivago Lopes, a psiquiatra Nicolle Roswag Gonçalves, o infectologista Hilton Luis Alves Filho, a escrivã da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) Daniele Iglesias Langone dos Santos, a coordenadora da Rede de Atenção às Equidades da Secretaria Municipal de Saúde Bianca Medeiros da Silva, o presidente do Conselho Municipal de Direitos da Cidadania LGBT Marcos Ronei Peverada Fernandes, além de Jana Neves e Raquel Silveira Dias, da Coordenadoria de Diversidade e Gênero da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidades da UFPel.
Para Jivago, também coordenador do Ambu T do HE-UFPel, “Promover uma roda de conversa no Dia da Visibilidade Trans, dentro de um hospital público do SUS, é transformar princípios em prática. É garantir escuta, acolhimento e cuidado qualificado para uma população historicamente excluída. Mais do que uma ação simbólica, é um compromisso com a equidade, a dignidade e a saúde baseada em evidências. Como instituição do SUS e ambiente de ensino qualificado, também promovemos a diversidade da nossa população e contribuímos para a formação de profissionais mais empáticos!”.
A jornalista e paciente do Ambu “T”, Isabelle dos Santos, foi responsável por mediar a roda de conversa. Para ela, ocupar esse espaço também é um ato de representatividade: “Como pessoa trans e jornalista, participar desse momento é uma responsabilidade grande, mas também muito gratificante. Estar aqui, mediando e, ao mesmo tempo, fazendo parte dessa população, é uma forma de dar visibilidade e mostrar o quanto esse cuidado faz diferença”.
Ao longo do encontro, foram abordados temas como acesso aos serviços de saúde, acolhimento, violência, políticas públicas, atuação em rede e a importância do trabalho interinstitucional para garantir atendimento integral e humanizado. Os participantes reforçaram a necessidade de ampliar a informação e fortalecer os fluxos de cuidado, especialmente para pessoas trans que ainda enfrentam barreiras no acesso aos serviços públicos.
Um espaço de escuta, diálogo e acolhimento
A assistente social Mariângela ressaltou o papel do Ambu “T” como um serviço que vai além do atendimento clínico. “O ambulatório é um espaço de cuidado integral, com uma equipe multidisciplinar que acompanha tanto quem opta pelo tratamento hormonal quanto quem não deseja realizá-lo, sempre com respeito às singularidades de cada pessoa”, destacou.
Criado em 2018, o Ambu “T” do HE-UFPel é referência regional no atendimento especializado à população trans e, desde abril de 2024, está habilitado pelo Ministério da Saúde para o tratamento hormonal. O acesso ao serviço ocorre por meio de encaminhamento das Unidades Básicas de Saúde (UBS), fortalecendo a rede de atenção à saúde no território.
Para Isabelle, os avanços representam uma mudança concreta na vida das pessoas trans. “Hoje, quem está chegando tem a quem procurar, tem profissionais preparados e uma rede de apoio. Isso evita que as pessoas passem por esse processo sozinhas, como acontecia no passado”, pontuou.
Sobre a Ebserh
O HE-UFPel faz parte da Rede Ebserh desde 2014. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Andreia Pires
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh