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Ministério da Saúde e Centers for Disease Control and Prevetion visitam CHC-UFPR
O Complexo do Hospital de Clínicas da UFPR/Ebserh, referência e Sentinela, foi visitado nesta terça-feira (16), por comitiva do projeto “Fortalecimento do sistema brasileiro de vigilância da resistência antimicrobiana” do Ministério da Saúde e do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), que incentiva e acompanha boas práticas de segurança do paciente. O objetivo foi o compartilhamento de práticas, processos, controle e expertise do CHC-UFPR para auxiliar na redução do impacto da resistência antimicrobiana no país.
O Ministério da Saúde, por meio da Coordenação-Geral de Laboratórios de Saúde Pública (CGLAB/DAEVS/SVSA), é gestor do Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência Antimicrobiana, que orienta e define ações e estratégias multisetoriais para entender, controlar e reduzir o impacto da resistência antimicrobiana no país, em consonância com as ações definidas a nível regional e global pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Tais ações incluem a estruturação da vigilância de AMR, onde a Rede Nacional de Laboratórios de Saúde Pública (RNLSP) tem atuação fundamental no monitoramento e identificação de mecanismos de resistência, na difusão do conhecimento e na integração com os serviços de saúde, o que possibilita a tomada de decisão e controle oportuno no âmbito da saúde pública.
Renata Tigulini Peral, Consultora Técnica da CGLAB, explica que o problema da resistência antimicrobiana é global. “Estimava-se que até 2050 essa resistência poderia acometer e levar ao óbito mais pacientes do que o câncer. Porém, a pandemia acelerou muito esse processo: foram três anos onde o uso indiscriminado de antimicrobiano aumentou muito em todo o mundo”, alerta a especialista.
Elizabeth Bernardino, Gerente de Atenção à Saúde do CHC-UFPR/Ebserh, que recepcionou o grupo, ressaltou a importância do Complexo integrar a iniciativa, cumprindo seu papel na inovação e na qualificação das práticas assistenciais, de ensino e de pesquisa. E reforçou os investimentos em tecnologia, processos e protocolos que o Complexo tem realizado e que retornam à sociedade em forma de melhorias para a saúde global.
Peral destacou ainda que “a participação do HC-UFPR dentro dessa vigilância é importante, porque, através disso, nós conseguimos fazer uma triagem, uma análise de microrganismos circulantes e resistentes dentro do país. E o HC-UFPR tem um porte e estrutura muito capacitada para ajudar nessa ação”.
A Chefe do Setor de Gestão da Qualidade do CHC-UFPR/Ebserh, Denise Jorge Munhoz da Rocha, falou sobre a relevância da visita técnica e do projeto e destacou outros pontos fortes da instituição: “a integração entre o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) e o Laboratório, e o Programa de Controle de Infecções relacionadas à Assistência à Saúde, em que se atua fortemente junto às equipes de linha de frente no uso racional de antimicrobianos”.
Apoio do CDC amplia projeto
Com o objetivo de fortalecer a vigilância da AMR no país, a CGLAB, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Laboratório Central de Saúde Pública do Paraná (LACEN/PR) e a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), desenvolvem o projeto “Fortalecimento do sistema brasileiro de vigilância da resistência antimicrobiana”, voltado para ampliar a capacidade técnica, qualidade e disponibilidade de dados sobre AMR nos Laboratórios Centrais e Hospitais sentinela em todo o território nacional, sendo o projeto submetido e aprovado no Edital CK21-2104, do Centers for Disease Control and Prevetion (CDC).
Marcelo Pillonetto, Coordenador das atividades laboratoriais para todos os Hospitais Sentinelas no Brasil, consultor do Ministério da Saúde e bacteriologista do Lacen-PR, explica que agora, por meio do CDC, conseguiu-se reunir várias atividades de monitoramento e epidemiologia da resistência microbiana em um único projeto. E adotou-se a metodologia dos Hospitais Sentinelas para esse momento. “Hoje temos 15 hospitais em 11 estados que notificam bactérias resistentes por meio de um sistema específico e dessa rede de monitoramento e vigilância e prevenção da resistência“ Ele aponta que, a partir desses dados, os entes federais, estaduais e municipais podem tomar ações.
Ainda de acordo com Pillonetto, este é um projeto de longo prazo, que objetiva criar casos de sucesso que possam ser repetidos em outros hospitais, acelerando a detecção de bactérias multirresistentes.
Participação do HC-UFPR
O serviço de Bacteriologia da Unidade de Análises Clínicas e Anatomia Patológica (Uacap) sempre prestou serviço de referência, atendendo as necessidades do Complexo, recomendações do Ministério da Saúde e da Vigilância Sanitária. Felipe Fortino, chefe da Uacap ressalta que um dos diferenciais da instituição é “que a rotina laboratorial conta com equipamentos de ponta, insumos de alta qualidade, e colaboradores especialistas com muita experiência na área”.
Keite da Silva Nogueira, ponto focal local do Projeto “Fortalecimento do Sistema Brasileiro de Vigilância da Resistência Antimicrobiana” no CHC-UFPR, lembra que o Laboratório de Bacteriologia do Complexo é referência nacional e internacional e “isso permite que façamos parte de projetos de relevância global, atuando no fornecimento dos dados necessários para elaboração de protocolos e posterior tomada de decisões no intuito de prevenir doenças causadas por microrganismos multiresistentes e patógenos de importância para a saúde pública mundial”.
A microbiologista Sarah Sabour, do Center for Disease Control and Prevention (CDC), elogiou a estrutura, o parque tecnológico, os procedimentos e a qualidade do serviço no controle e prevenção de doenças infecciosas. Ela destacou o que mais lhe chamou a atenção: a expertise da equipe de microbiologia clínica; os testes rápidos da imunocromatografia (que estão começando a ser usados agora nos Estados Unidos, mas que o HC-UFPR já faz uso há bastante tempo) com alto nível de controle técnico; o uso do GeneExpert – um equipamento de detecção molecular - para fazer a vigilância e o formato da comunicação dos resultados, muito rápida; a integração dos sistemas; e o modelo da gestão de leitos realizada pelo CHC-UFPR.
Segundo a especialista, foi a primeira vez que viram essa prática no Brasil. “Acredito que isso é algo importante para levarmos para dentro do Programa, para expandir para outros sentinelas”- complementou Sabour.
Por sua vez, Gisela Kussen, responsável pelo Serviço de Bacteriologia da Uacap do CHC-UFPR/Ebserh, que também participou da visita técnica, avaliou a troca de modo muito positivo: “Apresentamos nosso espaço, rotinas diárias, metodologias, equipamentos, processos e controle de qualidade”.