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CULTURA
Festival de Curitiba chega ao Hospital de Clínicas
Os atores Giselle e Klaus se apresentaram pela primeira vez em um hospital
Nos dias 3, 4 e 6 de abril, o Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi palco de performances de companhias que fazem parte da 27ª edição do Festival de Curitiba. Entre as ações, peças foram apresentadas para as crianças das alas de Pediatria e Cirurgia Pediátrica e para funcionários e pacientes à espera de atendimento em frente à Central de Agendamento.
Na terça, dia 3, a artista carioca Eleonora Fabião trouxe a mostra “Se o título fosse um desenho, seria um quadrado em rotação”. Nela, é proposto um intercâmbio de cadeiras entre quatro instituições públicas de diferentes áreas: O Colégio Estadual Tiradentes, o Teatro Guaíra, o HC e a Câmara Municipal de Curitiba;
O objetivo, segundo Eleonora, é proporcionar a criação de novas relações com o entrelaçamento de educação, cultura, saúde e legislação, além de valorizar os trabalhadores e serviços prestados pelas instituições.
“As cadeiras trazem consigo memórias, histórias e, quem sabe, podem rearranjar um pouco os lugares onde passarão a habitar. Quem sabe uma deputada não convidará um enfermeiro a palestrar sobre escuta e cuidado em seu gabinete? ”, imagina a artista.
Os móveis foram levados de um local ao outro amarradas a quatro varas de bambu de três metros. No dia seguinte, também profissionais de cada um deles foi levada a outro, carregados pelos artistas envolvidos na mostra.
Teatro que faz sorrir e pensar
No dia 4, a Cia GiKlaus de Teatro apresentou a peça Sorrir e Pensar para crianças internadas nas alas pediátricas e seus acompanhantes. Na história, o palhaço Tingão é demitido de seu emprego no circo e tem que reaprender, com a ajuda da amiga Duda, a acreditar em si mesmo e adotar uma atitude positiva em relação a vida e às dificuldades.
Foi a primeira apresentação da companhia curitibana em um hospital. Sob a direção de Valdir Manfredini, os atores Giselle Xavier e Klaus Faryj levam o repertório atual de três espetáculos para escolas de diferentes partes do país.
“Foi uma experiência mágica. A gente tem que desprender o pensamento das dificuldades de saúde e ir além, para dar a alegria que a arte pode proporcionar”, contou Klaus.
Pedagoga do Hospital de Clínicas, Cintia Rosa de Oliveira acompanhou as crianças ao auditório onde a peça foi encenada e avaliou com satisfação o resultado: “São crianças que passam muito tempo no hospital, e ficaram muito empolgadas com uma atividade diferente”.
Confira as fotos das três performances:
Mensageiras Abayomis
A amostra Fringe teve as intervenções no HC encerradas no dia 6 de abril com As Panambis, grupo performático que faz intervenções com a execução de poemas e cantos através de um “tubo encantado, que conta, canta e encanta”, falou Cintia Travassos, diretora da companhia.
Cintia explicou que o nome do grupo é de origem Tupi-Guarani e que significa “vales das borboletas azuis, pois a borboleta é símbolo de transformação” e a arte delas, “através da cultura popular com cantos, danças e culinárias, são verdadeiros instrumentos transformadores”.
No Festival, elas estão com o espetáculo intitulado Mensageiras Abayomis, termo de origem Iorubá, (língua nigero-congolesa). Se trata de uma obra que ressalta a cultura negra com poesias e músicas de Carolina Maria de Jesus, Zezé Mota, Machado de Assis, Elisa Lucinda e Adailton, entre outros artistas brasileiros.
Também formado por Angel Beatriz e Jenifer Alves, o grupo veio do Rio de Janeiro especialmente para o Festival de Curitiba.
Sobre a Ebserh
Desde outubro de 2014, o Complexo Hospital de Clínicas faz parte da Rede Ebserh. Estatal vinculada ao Ministério da Educação, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) atua na gestão de hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do SUS, e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.
A empresa, criada em dezembro de 2011, administra atualmente 39 hospitais e é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações em todas as unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.