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COVID-19
Casos acumulados de Covid-19 no Brasil: o que mostram os dados.
Para que os gestores de instituições de saúde possam tomar decisões assertivas perante as demandas e desafios que a pandemia de Covid-19 trouxe, é fundamental que estes tenham à disposição os dados atualizados em relação ao número de casos confirmados de infectados pelo Covid-19, bem como de óbitos decorrentes da doença.
Diante desse cenário, o Complexo HC criou um Comitê de Crise que realiza reuniões duas vezes por semana para que a atualização e evolução dos dados sejam explicados pelos médicos infectologistas. O grupo é coordenado pela Superintendente do CHC, Claudete Reggiani. Esses dados, são demonstrados por meio de gráficos e referem-se ao que vem ocorrendo globalmente, bem como nos estados brasileiros, com ênfase no Paraná.
Análises dos gráficos feitas por especialistas do CHC-UFPR
Gráfico 1. Número de casos acumulados de COVID-19 por região do Brasil, a partir do 50º
caso registrado. Fonte. https://dms-p2k.ufpel.edu.br/corona/
O gráfico acima demonstra os diferentes comportamentos da infecção por região, estando o Sul e o Centro-Oeste com o menor número de casos e a menor aceleração no acúmulo. O Nordeste tem aumentado o número de casos, já compreendendo quase 30% dos casos nacionais, aproximando-se do Sudeste. O Norte é uma região emergente, sendo o Amazonas seu atual epicentro de casos e colapso do sistema de saúde. O número absoluto de óbitos se distribui de maneira semelhante ao gráfico acima entre as regiões.
Gráfico 2. Número de óbitos acumulados por COVID-19 por milhão de habitantes desde o 1º óbito. Fonte. https://dms-p2k.ufpel.edu.br/corona/
Quando feita uma análise proporcional à população, a região Norte, frente à sua menor densidade populacional, assume a liderança com 55,6 óbitos por milhão de habitantes, seguida pelo Nordeste e Sudeste, com 44,19 e 35,31 óbitos por milhão de habitantes, respectivamente. As regiões Sul e Centro- Oeste estão abaixo da média nacional, estando na primeira, ligeiramente mais elevado o índice (7,3 no Sul versus 5,31 óbitos por milhão de habitantes no Centro-Oeste).
Gráfico 3. Número de casos acumulados de COVID-19 por milhão de habitantes desde o 50º caso, por estado. Fonte. https://dms-p2k.ufpel.edu.br/corona/
Acima tem-se uma análise de estados selecionados que são potenciais emergentes no aumento do número de casos de COVID-19. A avaliação de casos pela população da localidade infere o risco de colapso do sistema de saúde local, já que os leitos de Unidade de Terapia Intensiva disponíveis geralmente são baseados na população que pode vir a necessitar desses leitos. O Amapá se posiciona com o maior índice, seguido do Amazonas e do Espírito Santo. Dentre os estados acima, o Paraná é o único com média abaixo da nacional. Isso pode refletir a baixa capacidade de testagem local, ainda restrita aos casos graves.
Gráfico 4. Número de casos novos e óbitos por COVID-19 por dia no estado do Paraná. Fonte, atualizado em 04/05/2020. http://www.saude.pr.gov.br/arquivos/File/INFORME_EPIDEMIOLOGICO_04_05_2020.pdf
O Paraná apresenta incremento lento no número de novos casos e óbitos por infecção pelo novo coronavírus, de maneira semelhante aos demais estados do sul do Brasil. As causas definitivas para essa apresentação epidemiológica ainda não estão estabelecidas, porém alguns fatores podem ter contribuído, como a implementação de medidas restritivas de circulação de pessoas e de funcionamento de estabelecimentos comerciais em momento precoce e oportuno, apenas 7 dias após a confirmação do primeiro caso no estado. O monitoramento de isolamento social mantém o padrão nacional, estando ao redor de 50% no momento e, apesar da abertura do comércio em Curitiba há 15 dias com restrições, não houve aumento significativo no número de casos nem de ocupação de leitos nos hospitais da capital. Esse comportamento pode decorrer de aumento de adesão às medidas de controle, como uso universal de máscaras, isolamento de casos suspeitos e seus contatos, além de higiene de mãos e etiqueta respiratória. Curitiba e o Paraná também são pioneiros na implementação da telemedicina no SUS para atendimento de síndromes respiratórias leves, evitando que esses pacientes procurem os serviços de saúde, permanecendo isolados em domicílio.
Trabalho realizado pelos médicos: Rafael Mialski (médico infectologista do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar) e Giovanni Breda ( médico infectologista do Serviço de Infectologia).