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NEUROLOGIA CLÍNICA
Tipos resistentes de epilepsia têm tratamento de referência no Hucam
Conhece alguém que tem ou teve uma crise de epilepsia? Ao contrário do que muita gente ainda pensa, a epilepsia tem controle e, em muitos casos, pode ter cura. O distúrbio é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, que não tenha sido causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos. Durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem ficar restritos a esse local ou se espalhar. Se ficarem restritos, a crise será chamada parcial; se envolverem os dois hemisférios cerebrais, generalizada. Por isso, algumas pessoas podem ter sintomas mais ou menos evidentes de epilepsia, não significando que o problema tenha menos importância se a crise for menos aparente.
Ao lado da enxaqueca como uma das queixas mais frequentes no Ambulatórios de Neurologia Clínica, do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), com a gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), a epilepsia ainda é um problema incompreendido no senso comum e alvo de preconceito em todas as faixas etárias.
Mundialmente, o distúrbio atinge entre 1% e 2% da população, segundo dados da Federação Brasileira das Associações de Apoio a Pacientes Portadores de Epilepsia. Dificuldades em conseguir emprego ou manter-se empregado são apenas algum dos estigmas enfrentados na fase adulta. Em idade escolar, episódios de bullying são motivados pela condição.
A crise epilética é uma descarga neuronal capaz de produzir um quadro que pode ser percebido pelo paciente ou por um observador. As manifestações clínicas variam de paciente para paciente. Nem sempre as crises epiléticas se manifestam com convulsões e nem sempre convulsões são sinônimo de epilepsia. Um exemplo de epilepsia sem convulsão são as crises de ausência e um exemplo de convulsão que não é epilepsia são as convulsões causadas por febre alta.
Entre os portadores do distúrbio, há uma minoria que tem o que se chama de epilepsia refratária. É aquela em que o paciente já usou dois entre os remédios mais usados e não houve controle. Outra pequena fração, a de difícil controle - não necessariamente a refratária – é aquela em que o paciente usa uma única droga, mas em alta dose e, ainda assim, continua a ter crises.
São essas variações mais raras que encontram no Hucam referência para tratamento no Ambulatório de Epilepsia Refratária do Serviço de Neurologia Clínica. Atualmente, cerca de 120 pessoas são tratadas no setor.
"Durante o período de crise, existe uma diminuição da oxigenação e, consequentemente, um sofrimento cerebral que pode comprometer, a longo prazo, áreas nobres, como da memória de curto prazo, que é o hipotálamo. A crise prolongada por mais de cinco minutos, mesmo que seja uma vez por mês, é algo preocupante e diria que é de difícil controle", explica a coordenadora do Serviço de Neurologia Clínica do Hucam, a neurologista Giselle Alves de Oliveira.
A coordenadora afirma que a epilepsia é absolutamente explicada cientificamente e não se deve, ao contrário de mitos que envolvem a doença, relacioná-la a causas espirituais:
"Existe uma ignorância muito grande sobre o que causa a epilepsia. Há toda uma explicação em nível de funcionamento cerebral que é a causa da epilepsia. Não está ligado a causas espirituais ou punições. O correto é que, infelizmente, o paciente, ou tem uma herança familiar, ou sofreu alguma mutação durante a gestação que causou má formação ou mau funcionamento".
Como ajudar um paciente em crise de epilepsia
1- Se a pessoa cair ao chão, o melhor é virá-la de lado para facilitar a drenagem da saliva.
2- Se há algo que possa causar aperto, como gravata ou colarinho abotoado, melhor afrouxar.
3- A crise pode ocorrer em qualquer ambiente. Se há cadeiras ou objetos em que o paciente possa se chocar contra, o ideal é deixar o espaço livre ao redor.
4- Depois da crise, o portador de epilepsia normalmente fica sonolento e confuso. Reservadamente, conte a ele como foi a crise. Cada detalhe é importante para a avaliação médica.
5- Se há um objeto como uma colher, pode-se, com muito cuidado, ajudar a impedir que a pessoa morda a língua durante a crise. Se o paciente não está mordendo a língua, é melhor que não se faça nada.
6- Não há risco de morrer durante a crise, apenas se cair de um local arriscado, como uma escada, esteja na direção de um veículo, ou nadando sozinho.
7- Crises que levam mais de 20 minutos são preocupantes e são casos para se levar ao pronto-socorro.