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ESTUDO
Pesquisa recruta voluntários para estudo sobre câncer de próstata
Laço azul é o símbolo da luta contra o câncer de prós´tata; investigação científica pretende reduzir efeitos adversos de tratamentos
Uma pesquisa desenvolvida por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS) está recrutando cerca de 200 pacientes entre 18 e 78 anos, de vários Estados, para o estudo de um acompanhamento menos invasivo e mais seguro para pacientes com câncer de próstata de baixo risco no Sistema Único de Saúde (SUS).
Podem se inscrever para o estudo pacientes da rede pública atendidos nos centros de saúde localizados nos municípios de Barretos (SP), Belo Horizonte (MG), Vitória (ES), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Rio Grande (RS), Pelotas (RS), Curitiba (PR) e Osasco (SP).
Iniciado em 2022, o estudo é conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), em parceria com o Ministério da Saúde, e inclui três hospitais vinculados à Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Rede Ebserh), responsável pela gestão de 41 hospitais universitários federais, localizados nas cinco regiões do País.
Na Região Sul, participam da pesquisa os hospitais de Pelotas (Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas – HE-UFPel) e Rio Grande (Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr., da Universidade Federal do Rio Grande – HU-Furg), ambos no Rio Grande do Sul. No Sudeste, participa o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo – Hucam-Ufes).
Em Vitória, o oncologista clínico Vitor Fiorin, pesquisador principal do estudo no Hucam-Ufes, explica que umas das utilidades do estudo será analisar se a vigilância mais ativa da doença, de modo que se evite uma cirurgia desnecessária, por exemplo, é possível ser realizada com os recursos do Sistema Único de Saúde. Ser mais certeiro no tratamento pode significar, para o paciente, que ele seja poupado de consequências possíveis da cirurgia, como a impotência e a incontinência urinária.
"Com a vigilância, evitamos cirurgias desnecessárias. Existem pacientes que nunca vão precisar ser operados e há ouros que poderão ser operados mais adiante" , afirma o pesquisador Vitor Forin.
Critérios
Para ser voluntário na pesquisa, é preciso ter diagnóstico de adenocarcinoma de próstata realizado nos últimos 12 meses, com toque retal com doença localizada, exame de PSA menor que dez nanogramas por mililitro (ng/ml) e biópsia prostática com Escore de Gleason menor ou igual a seis.
Durante o processo, os participantes são avaliados por exame clínico, PSA, ressonância multiparamétrica de próstata e biópsia prostática, com a possibilidade de se evitar ou postergar tratamentos radicais em pacientes com câncer menos agressivo.
No Espírito Santo, os interessados em serem voluntários podem entrar em contato pelo telefone (27) 99283-0676.
Objetivos
Entre os diversos tipos de tumores de próstata, há os considerados de baixo risco, que não causam dor e têm um crescimento lento. Esses tumores não costumam trazer transtornos ao paciente, com baixo risco de complicações e óbito. Nesses casos, estimados em 40% do total, os tratamentos com cirurgia ou radioterapia têm efeitos adversos, principalmente na função urinária, sexual, e até intestinal.
O estudo vai avaliar a eficácia no SUS de uma tendência na medicina mundial chamada de Vigilância Ativa (VA), em que o paciente com tumores de baixo risco é acompanhado de perto através de exames, como ressonância, biópsia, toque retal e PSA, um exame que rastreia o câncer de próstata. Se esses exames mostram evolução do câncer no paciente, então os médicos avaliam a adoção de tratamentos mais agressivos.
Os objetivos da pesquisa são: incentivar e coletar dados da estratégia de VA, que tem potencial para diminuir em até 50% o número de intervenções por prostatectomias e/ou radioterapia em pacientes com câncer de próstata de risco favorável; realizar análise de custo-efetividade da estratégia de VA em relação à cirurgia e radioterapia; avaliar os desfechos oncológicos, qualidade de vida, diferenças étnico-raciais e aspectos econômicos.
Sobre a Rede Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.