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PREMIAÇÃO
‘Mãe Adolescente” recebe premiação do projeto "Atitude Sustentável"
Projeto Mãe Canguru,do Hucam, foi premiado em segundo lugar na categoria "Escola" do Projeto Atitude Sustentável.
Publicado em
05/11/2015 15h41
Atualizado em
17/12/2015 13h17
Pesquisadores do Projeto Mãe Adolescente no Hospital Cassiano Antonio Moraes, Vitória, Espírito Santo (Hucam), ganharam nesta quarta-feira (16/12) o segundo lugar na categoria "Escola" da premiação do Projeto Atitude Sustentável. O cerimônia ocorreu na sede da Rede Gazeta, em Vitória, que organiza o evento em parceria com empresas privadas.
Dez trabalhos que promovem cidadania e fazem a diferença em comunidades de todo o Espírito Santo foram premiados. Ao todo, 108 trabalhos foram inscritos para concorrer ao evento nas categorias de Empresa, Escola, Terceiro Setor, Incentivo (Cidadão) e ao prêmio de Melhor Atitude Sustentável do ano.
Os projetos foram avaliados por uma banca de sete jurados nos quesitos: inovação, sustentabilidade, impacto direto, alcance, abrangência, e efeito multiplicador.
Os pesquisadores do Projeto Mãe Adolescente traçaram um retrato das gestantes jovens que tiveram bebês na maternidade do Hucam. O estudo foi apresentado no 37º Congresso Brasileiro de Pediatria, realizado no período de 13 a 16 de outubro de 2015 no Rio de Janeiro - RJ, na categoria autores do Tema Livre: Mãe Adolescente: Geração Nem – Nem, e recebeu na ocasião Menção Honrosa pelo Melhor Trabalho inscrito pelo Estado do Espírito Santo.
O coordenador do projeto, professor Francisco Luiz Zaganelli, fez apresentação oral do trabalho no evento médico, realizado no Rio de Janeiro. Essa seleção ocorreu em um universo de mais de 1.200 trabalhos inscritos de todo o país.
O Projeto Mãe Adolescente nasceu em novembro de 2008, em parceria com o Rotary Clube Praia Comprida. É um projeto de extensão da Pró-Reitoria de Extensão que acompanha as adolescentes durante a internação e após a alta da maternidade.
No acompanhamento após a alta, o projeto procura assistir durante três anos a adolescente e seu filho. Além disso, auxilia a mãe adolescente e seu filho nos ambulatórios de ginecologia, pediatria, psicologia, serviço social e planejamento familiar. Procura ainda, quando for o caso, auxiliar o pai adolescente. Objetiva também o projeto orientar a adolescente a retornar aos estudos logo após a licença da gravidez, realizar cursos profissionalizantes junto ao FINDES-SESI - SENAI, instituições parceiras do Projeto.
“Hoje nosso projeto não se encerra quando a adolescente dá à luz, mas damos suporte para que ela tenha como primeiro plano de sua vida o estudo e o trabalho, evitando mais gravidez precoce. Não estamos aqui para criticá-la pela gestação não planejada e não desejada e nem incentivá-la na gestação desejada. Orientamos que a gravidez durante a adolescência pode colocar em risco a vida e o futuro da adolescente e de seu filho. Aumenta o círculo da pobreza. Trabalhamos com “Compreensão – Saúde – Educação e Orientação” sublinhou o coordenador.
A pesquisa apresentou resultados estatisticamente significativos quando foram comparadas, antes e depois da gravidez, as variáveis “estudo”, “trabalho” e “uso de anticoncepcionais”. A maioria delas deixou de estudar e trabalhar o que justifica o termo nem – nem.
Entretanto, segundo o médico Francisco Zaganelli, foi gratificante o dado de que a maioria das mães adolescentes passou a usar métodos contraceptivos para não engravidarem novamente. Além de Zaganelli, o trabalho foi assinado pelas alunas voluntárias Geórgia Maciel e Maria Julia Morguetti; o pós-graduando em Estatística da UFES, Higor Henrique Cotta; o ginecologista-obstetra do Hucam Alexandre Sales Santos; Consultoria Internacional: Dr. João Vieira Nunes - City University of New York e o professor-pedagogo João Alvécio Sossai, da Faesa.
O Hucam é hospital classificado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), há mais de vinte anos, para atender a gestação de alto risco e de adolescentes. E elas chegam de todo o estado do Espírito Santo. Em 2014, três mães adolescentes foram aceitas para trabalhar na Lorenge. Elas foram contratadas como estagiárias. Passaram a ter carteira profissional assinada e tinham que estudar. Os dados do projeto chamam a atenção e tem mostrado a necessidade de o projeto crescer.
“Observamos que se essas adolescentes forem motivadas para o estudo e trabalho em um emprego que as encantam, podem mudar o foco de namorado- casamento, consequentemente o número de filhos pode diminuir e elas podem acertar a vida delas.”, considera Dr. Zaganelli.
O “Projeto Mãe adolescente” foi fortalecido após ser selecionado em 2011 em um edital do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Concav). Essa seleção gerou recursos no período de 2012 a 2014, que foram administrados pela Fundação de Apoio ao Hospital Universitário (FAHUCAM). Em abril de 2014 acabou o recurso.
O projeto, que era para ser de dois anos, foi reescrito. Novamente foi selecionado pelo Concav em novo edital em 2014. “Estou aguardando a liberação do recurso. Se o dinheiro chegar nós vamos ter fôlego para mais dois anos com aluno bolsista e ampliaremos as ações”, destaca Zaganelli.
São quatro etapas este projeto. A primeira ocorre na maternidade para a assistência ao parto, a segunda ocorre no ambulatório para a assistência materno – infantil durante três anos após a alta da maternidade, a terceira é a busca de auxílio para que a mãe adolescente retorne aos estudos, faça cursos profissionalizantes e se prepare para o primeiro emprego. A quarta etapa ocorre nos colégios e trabalha com a prevenção da gestação da adolescente e doenças sexualmente transmissíveis.
Os profissionais envolvidos começaram a fazer no final do ano de 2014 a ida aos colégios. “Fomos a nove colégios no município de Vitória, aplicando um questionário, e coletamos dados de 250 adolescentes. Essa pesquisa está em fase de análise estatística com o pós-graduando em Estatística da Ufes, Higor Henrique Cotta, que é aluno da Professora Eliana Zandonade da UFES”, revelou Zaganelli.
O “Mãe Adolescente” abre oportunidades para alunos de graduação e pesquisadores. Os alunos do projeto que estão na graduação enriquecem sua formação profissional. Além disso, o projeto está ligado ao Programa de Pós Graduação de Gestão Pública da UFES. Duas dissertações de mestrado já foram defendidas, uma aluna está terminando em dezembro de 2015 e em 2016 chegará mais outra do mestrado.
A declaração de um aluno foi surpreendente:
_“Adaptar-nos ao Projeto Mãe Adolescente foi difícil, exigindo tempo, paciência e persistência. Esta etapa foi a mais enriquecedora. Terminamos dominando a HCP-SIP/CLAP, com o benefício aca
Pesquisadores do Projeto Mãe Adolescente no Hospital Cassiano Antonio Moraes, Vitória, Espírito Santo (Hucam), ganharam nesta quarta-feira (16/12) o segundo lugar na categoria "Escola" da premiação do Projeto Atitude Sustentável. O cerimônia ocorreu na sede da Rede Gazeta, em Vitória, que organiza o evento em parceria com empresas privadas.
Dez trabalhos que promovem cidadania e fazem a diferença em comunidades de todo o Espírito Santo foram premiados. Ao todo, 108 trabalhos foram inscritos para concorrer ao evento nas categorias de Empresa, Escola, Terceiro Setor, Incentivo (Cidadão) e ao prêmio de Melhor Atitude Sustentável do ano.
Os projetos foram avaliados por uma banca de sete jurados nos quesitos: inovação, sustentabilidade, impacto direto, alcance, abrangência, e efeito multiplicador.
Os pesquisadores do Projeto Mãe Adolescente traçaram um retrato das gestantes jovens que tiveram bebês na maternidade do Hucam. O estudo foi apresentado no 37º Congresso Brasileiro de Pediatria, realizado no período de 13 a 16 de outubro de 2015 no Rio de Janeiro - RJ, na categoria autores do Tema Livre: Mãe Adolescente: Geração Nem – Nem, e recebeu na ocasião Menção Honrosa pelo Melhor Trabalho inscrito pelo Estado do Espírito Santo.
O coordenador do projeto, professor Francisco Luiz Zaganelli, fez apresentação oral do trabalho no evento médico, realizado no Rio de Janeiro. Essa seleção ocorreu em um universo de mais de 1.200 trabalhos inscritos de todo o país.
O Projeto Mãe Adolescente nasceu em novembro de 2008, em parceria com o Rotary Clube Praia Comprida. É um projeto de extensão da Pró-Reitoria de Extensão que acompanha as adolescentes durante a internação e após a alta da maternidade.
No acompanhamento após a alta, o projeto procura assistir durante três anos a adolescente e seu filho. Além disso, auxilia a mãe adolescente e seu filho nos ambulatórios de ginecologia, pediatria, psicologia, serviço social e planejamento familiar. Procura ainda, quando for o caso, auxiliar o pai adolescente. Objetiva também o projeto orientar a adolescente a retornar aos estudos logo após a licença da gravidez, realizar cursos profissionalizantes junto ao FINDES-SESI - SENAI, instituições parceiras do Projeto.
“Hoje nosso projeto não se encerra quando a adolescente dá à luz, mas damos suporte para que ela tenha como primeiro plano de sua vida o estudo e o trabalho, evitando mais gravidez precoce. Não estamos aqui para criticá-la pela gestação não planejada e não desejada e nem incentivá-la na gestação desejada. Orientamos que a gravidez durante a adolescência pode colocar em risco a vida e o futuro da adolescente e de seu filho. Aumenta o círculo da pobreza. Trabalhamos com “Compreensão – Saúde – Educação e Orientação” sublinhou o coordenador.
A pesquisa apresentou resultados estatisticamente significativos quando foram comparadas, antes e depois da gravidez, as variáveis “estudo”, “trabalho” e “uso de anticoncepcionais”. A maioria delas deixou de estudar e trabalhar o que justifica o termo nem – nem.
Entretanto, segundo o médico Francisco Zaganelli, foi gratificante o dado de que a maioria das mães adolescentes passou a usar métodos contraceptivos para não engravidarem novamente. Além de Zaganelli, o trabalho foi assinado pelas alunas voluntárias Geórgia Maciel e Maria Julia Morguetti; o pós-graduando em Estatística da UFES, Higor Henrique Cotta; o ginecologista-obstetra do Hucam Alexandre Sales Santos; Consultoria Internacional: Dr. João Vieira Nunes - City University of New York e o professor-pedagogo João Alvécio Sossai, da Faesa.
O Hucam é hospital classificado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), há mais de vinte anos, para atender a gestação de alto risco e de adolescentes. E elas chegam de todo o estado do Espírito Santo. Em 2014, três mães adolescentes foram aceitas para trabalhar na Lorenge. Elas foram contratadas como estagiárias. Passaram a ter carteira profissional assinada e tinham que estudar. Os dados do projeto chamam a atenção e tem mostrado a necessidade de o projeto crescer.
“Observamos que se essas adolescentes forem motivadas para o estudo e trabalho em um emprego que as encantam, podem mudar o foco de namorado- casamento, consequentemente o número de filhos pode diminuir e elas podem acertar a vida delas.”, considera Dr. Zaganelli.
O “Projeto Mãe adolescente” foi fortalecido após ser selecionado em 2011 em um edital do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Concav). Essa seleção gerou recursos no período de 2012 a 2014, que foram administrados pela Fundação de Apoio ao Hospital Universitário (FAHUCAM). Em abril de 2014 acabou o recurso.
O projeto, que era para ser de dois anos, foi reescrito. Novamente foi selecionado pelo Concav em novo edital em 2014. “Estou aguardando a liberação do recurso. Se o dinheiro chegar nós vamos ter fôlego para mais dois anos com aluno bolsista e ampliaremos as ações”, destaca Zaganelli.
São quatro etapas este projeto. A primeira ocorre na maternidade para a assistência ao parto, a segunda ocorre no ambulatório para a assistência materno – infantil durante três anos após a alta da maternidade, a terceira é a busca de auxílio para que a mãe adolescente retorne aos estudos, faça cursos profissionalizantes e se prepare para o primeiro emprego. A quarta etapa ocorre nos colégios e trabalha com a prevenção da gestação da adolescente e doenças sexualmente transmissíveis.
Os profissionais envolvidos começaram a fazer no final do ano de 2014 a ida aos colégios. “Fomos a nove colégios no município de Vitória, aplicando um questionário, e coletamos dados de 250 adolescentes. Essa pesquisa está em fase de análise estatística com o pós-graduando em Estatística da Ufes, Higor Henrique Cotta, que é aluno da Professora Eliana Zandonade da UFES”, revelou Zaganelli.
O “Mãe Adolescente” abre oportunidades para alunos de graduação e pesquisadores. Os alunos do projeto que estão na graduação enriquecem sua formação profissional. Além disso, o projeto está ligado ao Programa de Pós Graduação de Gestão Pública da UFES. Duas dissertações de mestrado já foram defendidas, uma aluna está terminando em dezembro de 2015 e em 2016 chegará mais outra do mestrado.
A declaração de um aluno foi surpreendente:
_“Adaptar-nos ao Projeto Mãe Adolescente foi difícil, exigindo tempo, paciência e persistência. Esta etapa foi a mais enriquecedora. Terminamos dominando a HCP-SIP/CLAP, com o benefício acadêmico de conhecer suas dezenas de variáveis, privilégio diferenciado. Aprendemos a avaliar o que influencia as gestações diretamente e indiretamente; a avaliar a qualidade do pré-natal em nosso Estado; a acompanhar parto e puerpério; e a seguir o progresso dos bebês na maternidade e no ambulatório. O projeto nos deu outra visibilidade dentro do hospital: pudemos explicar os objetivos do projeto, quem éramos e o que fazíamos. Tornamo-nos referência e somos reconhecidos e indicados. Fazemos parte da rotina do Hucam. Conhecemos intimamente as rotinas da maternidade, da Utin e do Banco de Leite, e mantemos relacionamento estreito com médicos, enfermeiros, técnicos, auxiliares de limpeza, acadêmicos, psicóloga, assistente social e fonoaudióloga desses setores, o que tem imenso valor pessoal e profissional. Além disso, convivemos com alunos de mestrado, e voluntários leigos ou estudantes de medicina, fisioterapia, nutrição e enfermagem, melhorando nossa visão interdisciplinar da medicina”.
O projeto caminha na direção dos objetivos do milênio da Organização das Nações Unidas (ONU). Esse trabalho vai ao encontro com a Missão estabelecida pelo Hucam que é “Viabilizar o Ensino, a Pesquisa e a Extensão, por meio da assistência interdisciplinar de excelência ao cidadão, integrando-se às políticas públicas de educação e saúde”.