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Projeto Curumim
Hucam-Ufes/Ebserh desenvolve estudo sobre a eficácia da vacina Coronavac em crianças e adolescentes
Vacinados serão acompanhados pela equipe de pesquisa, composta por médicos pediatras, infectologistas, pneumologistas, pesquisadores e enfermeiros
Vitória (ES) – Verificar a eficácia, segurança e a produção de anticorpos (proteínas de defesa) e células de defesa nas crianças e adolescentes, após a administração de duas doses da vacina Coronavac, e comparar com a vacina da Pfizer. Esse é o objetivo de uma pesquisa realizada no Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), vinculado à Rede Ebserh. Podem participar do estudo crianças e adolescentes, com idade de 3 a 17 anos, que ainda não tenham recebido nenhuma dose de vacina para Covid-19.
Intitulada “Eficácia, Imunogenicidade e Segurança da Vacina Inativada (Coronavac) contra Sars-Cov-2 em Crianças e Adolescentes”, a pesquisa ficou conhecida como Projeto Curumim. De acordo com a responsável pelo estudo, Valéria Valim, ele se faz necessário “para que a Coronavac possa ser incluída como uma opção de vacina para crianças no Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde Brasil”.
Até o momento, algumas pesquisas já foram finalizadas, incluindo crianças e adolescentes, e estão em andamento outros 17 ensaios clínicos, utilizando nove vacinas diferentes. A pediatra infectologista e pesquisadora do projeto Ana Paula Burian complementou que a vacinação das crianças e adolescentes será necessária para o retorno às atividades normais e esse projeto de pesquisa visa verificar se a Coronavac é eficaz nesse público. “A tecnologia e mecanismo das vacinas são diferentes e isso pode explicar porque algumas são mais eficazes ou mais seguras”, explicou.
Segundo Carolina Strauss, pediatra pneumologista e aluna de doutorado no projeto Curumim, a Coronavac é uma vacina inativada, ou seja, o vírus inteiro é morto e, então, aplicado como vacina. “Essa tecnologia é muito conhecida e utilizada há muitos anos e tem a vantagem de induzir uma grande diversidade de resposta, além de ser mais segura, ou seja, produz menos efeitos colaterais. Pelo mesmo motivo, também é menos eficaz. No entanto, as crianças maiores de 3 anos têm um sistema imunológico muito ativo e respondem às vacinas melhor do que os adultos. Por isso, há uma base científica para considerar que uma vacina inativada pode ser suficientemente eficaz e com menos efeitos colaterais em crianças”, reforçou.
Benefícios e riscos
Os dados pessoais fornecidos para o projeto serão usados apenas para fins da pesquisa e não serão divulgados, preservando a identidade dos participantes. Os participantes serão acompanhados pela equipe de pesquisa, composta por médicos pediatras, infectologistas, pneumologistas, pesquisadores e enfermeiros especializados em vacinas em crianças e adultos. Também terão acesso a exames laboratoriais que não são feitos de rotina.
Se a vacina for efetiva, resultará no benefício direto de prevenir a Covid-19 e controlar a pandemia. Se isso ocorrer, também haverá um benefício indireto para toda a sociedade, pois esses resultados podem direcionar as estratégias do país para vacinar crianças e adolescentes. Os resultados da dos testes de imunidade (defesa) para covid-19 serão disponibilizados aos participantes.
Efeitos colaterais podem ocorrer, porém leves e de curta duração. Os mais comuns são dor, vermelhidão, inchaço ou coceira onde a injeção é aplicada, cansaço ou indisposição geral, calafrios ou febre, dor de cabeça, dor muscular, dor nas juntas, enjoos e dor de barriga, perda de apetite e suores excessivos. Efeitos colaterais sérios são raros.
Valéria Valim destacou que em estudos publicados, sendo um deles com Coronavac em crianças, todas as vacinas foram bem toleradas e seguras na faixa etária pediátrica e a resposta imune foi adequada, quando comparada ao da população adulta. “Países como o Chile, o Equador e China já vacinaram as crianças com Coronavac. No Brasil, a vacina da Pfizer já está liberada para o uso em crianças de 5 a 17 anos”, finalizou.
Sobre a Rede Ebserh
O Hucam-Ufes faz parte da Rede Ebserh desde abril de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.
Essas unidades hospitalares, que pertencem a universidades federais, têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas.
Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde das regiões em que os hospitais estão inseridos, mas se destacam pela excelência e vocação nos procedimentos de média e alta complexidades.
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede Ebserh/MEC