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NOVO CORONAVÍRUS
Hucam participa de estudo para nova forma de diagnóstico
VITÓRIA (ES) - O Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes é uma das frentes de estudo para o desenvolvimento de um novo método de diagnóstico de infecção pelo novo coronavírus. A estratégia é identificar o rastro de luz infravermelha que o vírus causador da Covid-19 gera e, assim, descobrir a "impressão digital" do Sars-CoV-2 no espectro eletromagnético.
O nome da técnica é a espectroscopia por infravermelho. O princípio é simples. As coisas na natureza refletem cores diferentes porque são feitas por substâncias diferentes. É assim com aquilo que o olho humano consegue ver, e é assim também no mundo microscópico dos vírus e das mais diminutas moléculas. Para as coisas que não conseguimos ver, a máquina que faz a espectroscopia por infravermelho nos ajuda a identificar do que se trata tal substância pela "cor" que reflete.
É essa busca pelo infravermelho que o novo coronavírus reflete que pesquisadores da Ufes, em colaboração com universidades do Brasil e da Inglaterra, estão fazendo para identificar, de forma rápida e de baixo custo, as tendências e as reações em tempo real do vírus da Covid-19. Os resultados obtidos por esse procedimento podem fornecer dados importantes para o diagnóstico e o rastreamento da infecção em toda a população brasileira, principalmente em um momento que a pandemia está em todo o território nacional e aumenta a necessidade de realizar testes em massa para detectar a doença e verificar o número real de infectados.
“A espectroscopia de infravermelho é uma técnica analítica rápida, de baixo custo, sem reagentes, não invasiva e não destrutiva, capaz de gerar um espectro de impressões digitais de materiais biológicos. A luz infravermelha interage com as estruturas moleculares das principais biomoléculas contidas na amostra, como os ácidos nucleicos, gerando um sinal quantitativo para a informação viral. Além disso, o teste é passível de automação, de modo que os diagnósticos podem ser realizados quase instantaneamente e o modelo de diagnóstico pode ser facilmente atualizado para mutação viral ou outras cepas”, explica o coordenador do projeto e professor do Departamento de Ciências Fisiológicas da Ufes, Valério Barauna.
As coletas estão sendo realizadas no Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam-Ufes) - instituição integrante da Rede Ebserh - no Vila Velha Hospital e no Hospital Roberto Arnizaut Silvares (São Mateus), e, em breve, pretende-se iniciar nos Hospitais Dório Silva e Jayme dos Santos Neves (ambos no município de Serra).
“Estamos na primeira etapa da pesquisa e já temos dados preliminares promissores. Inicialmente, vamos coletar amostras de swab, que é um cotonete estéril que serve para coleta de saliva dos pacientes suspeitos de Covid-19. Após a coleta, as amostras são analisadas pelo computador com a tecnologia de espectroscopia de infravermelho. Por meio desse sistema de inteligência artificial, o computador vai identificar se os pacientes estão infectados ou não pelo coronavirus”, explica um dos pesquisadores e gerente de Ensino e Pesquisa do Hucam-Ufes, José Geraldo Mill.
O objetivo inicial é chegar a 600 amostras num prazo de dois meses. Atualmente, 250 pessoas já fizeram o teste. O professor Mill ressalta que a pesquisa também pretende incluir outros municípios e outros estados, uma vez que o vírus não é igual, tem várias mutações, manifestando-se de forma diferente em cada região. O projeto pretende incluir na pesquisa pacientes das cidades de Belo Horizonte (MG) e de Ilhéus (BA): “Um diagnóstico exato é fundamental para propor aos órgãos de saúde medidas de prevenção e de controle da doença”, enfatiza.
Software
Na segunda fase da pesquisa, está previsto o desenvolvimento de um software que realiza todo o processo automático de reconhecimento da doença, similar a um reconhecimento de face ou de impressão digital.
“A partir desse momento, o teste será realizado pelo computador e será extremamente rápido, gerando o resultado entre um e dois minutos. Além disso, o custo estimado do exame ficará aproximadamente entre 50 a 75 reais, bem abaixo dos atuais testes, que estão custando entre 200 e 300 reais e levando até 48 horas para divulgar o resultado”, explica Barauna.
O professor reforça ainda que a testagem é fundamental para se identificar as pessoas infectadas e onde estão as regiões de maior risco. Isso permitirá o isolamento inteligente de áreas sem afetar a dinâmica de um país inteiro e facilitar a alocação de recursos para combater estrategicamente a doença, como equipamentos de suporte e ventilatório, medicamentos e equipe médica.
Além dos professores Barauna e Mill, participam do projeto o professor da Ufes Leonardo dos Santos, os pesquisadores Luis Felipe de Carvalho, de São Paulo; e Paula Vassallo, de Minas Gerais; além de profissionais da empresa inglesa Biocel Analytics. A pesquisa tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes) e foi a única proposta aprovada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), cuja coordenação está no Espírito Santo.
Sobre a Ebserh
O Hucam-Ufes faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.
Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas.
Devido a essa natureza educacional, a os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede de Hospitais Universitários Federais atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.