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Ambulatório de Tuberculose completa 25 anos
VITÓRIA (ES) - O Ambulatório de Tuberculose do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam-Ufes) faz 25 anos em 2019 e, nesta segunda-feira (25/03), estudantes, docentes e autoridades da saúde pública capixaba estiveram no auditório Rosa Maria Paranhos para o ato solene em homenagem à trajetória do ambulatório e discutir os cenários mais atuais envolvendo a doença.
Domingo passado (24), foi o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, uma doença infectocontagiosa transmitida por via aérea (tosse, espirro e fala), que pode ser fatal e que progride silenciosamente. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o Brasil ocupa a 20ª posição na lista dos 30 países prioritários nos esforços contra esta infecção. Por isso, e importante ficar alerta aos sintomas: Tosse persistente por mais de três semanas, cansaço e febre baixa, podem ser sinais de tuberculose.
Na manhã acadêmica, o pneumologista Valderio do Valle Dettoni, um dos pioneiros do ambulatório, contou como a história do hospital se confunde com os esforços da sociedade capixaba em combater a tuberculose, doença infecciosa que ainda hoje é a que mais mata no mundo. Entre as conquistas do Hucam, além das diversas publicações cintíficas na área está o marco de ter o maior índice de cura de tuberculose multirresistente do País.
O secretário de Estado de Saúde do Espírito Santo, Nésio Fernandes, traçou sua expectativa:
“Quem sabe a gente consegue, a partir desse ano com a Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) iniciar vários processos e estruturantes contra a tuberculose no Estado. E colaborar ainda mais com o Brasil por meio de nossa referência e com as políticas que dão certo”.
A superintendente do Hucam-Ufes, Rita Elizabeth Checon de Freitas Silva chamou a atenção para o histórico de parceria entre Hucam e Sesa nesta especialidade e acrescentou: “é uma doença que não deve ser lembrada penas no 24 de março, mas todo dia. Neste contexto, o Hucam se destaca. Nesses anos todos, é um ambulatório referência em todo o estado, principalmente de casos complexos, de tuberculose multidroga-resistente. Temos uma história de sucesso de Ensino e Pesquisa da doença com a parceria com o Núcleo de Doenças Infecciosas da Ufes".
Na mesma data, foi lançado oficialmente o Protocolo de Manejo do Sintomático Respiratório, um conjunto de procedimentos que todos os profissionais da saúde do Hucam devem ter quando encontrarém alguém com sinais sugestivos para tuberculose.
Além disso, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em parceria com a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) e o Hucam realiza na terça-feira (26) uma capacitação em tuberculose para sistema penitenciário.
Dados e sintomas
No Espírito Santo, 60% dos casos de tuberculose estão na região metropolitana. Foram identificados 1.305 novos casos da doença em 2018, com coeficiente de incidência de 32,9 casos por 100 mil habitantes e ano, 68 pessoas morreram vítimas da doença no Estado no ano passado.
Já em 2017, o número de casos foi de 1.155, correspondendo a um coeficiente de incidência de 28,8 casos por 100 mil habitantes. Também foram registradas 68 mortes por tuberculose.
Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) apontam ainda que, a cada 100 mil habitantes, pelo menos duas pessoas morrem vítimas de tuberculose no Estado.
Em 2017 o Estado registrou 76% de cura da doença, mas 9,5% dos pacientes abandonaram o tratamento. Já em 2016, 76% dos pacientes também ficaram curados da doença, mas o índice de abandono do tratamento foi maior, de 10,1%. Os dados de 2018 ainda estão sendo calculados.
Por conta desses números, a coordenadora do Programa de Controle da Tuberculose do Espírito Santo, Ana Paula Rodrigues Costa ressaltou que, além do diagnóstico precoce, é importante que o paciente faça o tratamento até o final para alcançar a cura. Ela destacou ainda que o sintoma principal da doença é tosse por mais de três semanas, com ou sem catarro. No entanto, ela disse que a pessoa também deve ficar atenta a outros sintomas como febre baixa, geralmente à tarde; suor noturno; falta de apetite; perda de peso; cansaço fácil; fraqueza e dor no peito e nas costas. Se observados esses sintomas, a pessoa deve buscar a unidade de saúde mais próxima de sua residência.
A coordenadora destacou também que a doença tem um tratamento longo, com duração de aproximadamente seis meses, e deve ser feito até o final pois, em caso de abandono, ela pode evoluir para a forma mais resistente ou levar à morte.
“A população tem que se atentar que a tuberculose existe e vem causando um número alto de mortes. Por isso, é preciso imediatamente procurar as unidades de saúde quando observarem os sintomas. Além disso, é importantíssima a continuidade no tratamento, pois se o paciente o abandona, é grande o risco de a doença voltar e, ainda, se tornar resistente as drogas para o tratamento”, explica a coordenadora.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da tuberculose é feito por meio do exame Baciloscopia de Escarro. O resultado fica pronto no mesmo dia, e pode ser feito em todas as unidades de saúde do Estado.
Nos municípios de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica são oferecidos o Teste Rápido Molecular para tuberculose, que identifica o bacilo em até duas horas. O teste rápido é feito com tecnologia biomolecular que além de detectar o bacilo da doença, também identifica se ele tem resistência ao medicamento Rifampicina, principal remédio e um dos quatro medicamentos usados para tratamento. Com a realização de outro exame, denominado Teste de Sensibilidade Antimicrobiana (TSA), também é possível diagnosticar a quais desses medicamentos o bacilo desenvolveu resistência.
Após o diagnóstico, o tratamento também é realizado na própria unidade de saúde, onde o paciente realiza o acompanhamento e retira os medicamentos de forma gratuita. O tratamento é feito por poliquimioterapia (uso de vários comprimidos) com antibióticos. Esses medicamentos devem ser tomados todos os dias, sem interrupção.
População privada de liberdade
O grupo de pessoas privadas de liberdade apresenta características que tornam essenciais iniciativas como esta e o apreço na questão do controle da doença. Por isso, a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), tem um protocolo específico para acompanhamento e tratamento da tuberculose na população carcerária, elaborado conjuntamente com a Sesa, Sejus e centros de referência municipais no tratamento da doença. De maneira sistemática são realizadas ações de busca-ativa da doença.
Serviço:
Programação - 25 anos do Ambulatório de Tuberculose do Hucam
25 de março
Local: Auditório Rosa Maria Paranhos – Hucam
- 8 horas: Abertura
- 9 horas: Trajetória do Ambulatório de Tuberculose do Hucam no Controle da Doença no Espírito Santo: 25 anos de história – palestrante: prof. Valdério do Valle Dettoni, do Programa de Controle da Tuberculose do Hucam/Ufes
- 9h20: Panorama atual da tuberculose no Espírito Santo - palestrante: enfermeira Ana Paula Costa, do Programa Estadual de Controle da Tuberculose
- 9h40: Plano Brasil Livre da Tuberculose – palestrante: dra. Fernanda Dockhorn Costa Johansen, do Programa Nacional de Controle da Tuberculose/MS
- 10h20: Pesquisa em Tuberculose no CCS/UFE:20S: PCT/Hucam, NDI, LabiEpi/Ufes – palestrante: prof. Moisés Palaci, do Núcleo de Doenças Infecciosas – NDI/Ufes // profª Ethel Leonor Noia Maciel, do Laboratório de Epidemiologia – LabEpi/Ufes.
- 11 horas: Lançamento do Protocolo Clínico “Manejo do Paciente Sintomático Respiratório no Hucam” – palestrante: enfermeira Juliana Lopes Favero, da Vigilância Epidemiológica do Hucam
- 11h20: Encerramento
26 de março
Local: Auditório da Polícia Federal – av. Vale do Rio Doce, São Torquato, Vila Velha.
- 8h30: Tuberculose e Tabagismo no Hospital da Polícia Militar ES
- 9h às 17h: Capacitação em TB para sistema penitenciário