Física Médica
O que é a Física Médica?
É uma área da física aplicada que em 2012 foi classificada internacionalmente como profissão pela Organização Mundial do Trabalho (OIT), e parte integrante da força de trabalho dos profissionais da área de saúde (IF-USP)¹. A Física Médica utiliza conhecimentos teóricos e experimentais da física e os aplica à saúde, é comumente encontrada em áreas como Radiodiagnóstico, Radioterapia e Medicina Nuclear.
Breve histórico
Desde a antiguidade, a física vem sendo usadas nas ciências médicas como, por exemplo, Hipócrates (Grécia Clássica), com o 1º método diagnóstico para o mapeamento da distribuição da temperatura da pele. Durante o século XX, a física Marie Sklodowska Curie iniciou os estudos da radioatividade, posteriormente aplicados à medicina, e descobriu os elementos químicos Rádio e Polônio pelos quais foi ganhadora de dois prêmios Nobel.
Física Médica no Serviço de Medicina Nuclear do HUAP
No setor de medicina Nuclear do HUAP, os físicos médicos atuam na garantia da segurança dos profissionais, dos pacientes e do público em geral em relação a exposição radiológica. Além disso, gerenciam a garantia da qualidade dos equipamentos e procedimentos realizados, assim como contribuem em pesquisas científicas que tragam benefícios para rotina clínica no setor. O físico médico precisa compreender a função dos profissionais para participar da otimização de processos em relação a qualidade e segurança radiológica.
Formação do Físico Médico
O Caminho mais comum para se tornar um físico médico é realizando uma graduação em física (bacharelado ou licenciatura) ou em física médica. Posteriormente, o profissional deve buscar a especialização em radiodiagnóstico, radioterapia ou medicina nuclear, através dos programas de residência ou aprimoramentos oferecidos por hospitais ou outras instituições de ensino. A formação como pesquisador ocorre através de programas de pós-graduação em Física Médica.
Muitos destes profissionais atuam como Supervisor de Proteção Radiológica (SPR) em radiodiagnóstico, radioterapia ou medicina nuclear, sendo estes dois últimos certificados através de prova realizada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).
Proteção Radiológica
A proteção radiológica é gerenciada pelo SPR, ele é o mais habilitado para treinar e instruir os profissionais. Os requisitos básicos da utilização de material radioativo são a justificação, otimização e limitação, ou seja, para a administração de materiais radioativos em pacientes é necessário que o benefício obtido seja maior que o risco caso utilizem. Além disso, as doses precisam ser tão baixas quanto exequíveis (princípio ALARA).
A proteção radiológica envolve distância, tempo e blindagem. A radiação é atenuada segundo a lei do inverso do quadrado da distância, isto é, quanto mais distante da fonte emissora, menor a taxa de exposição. O tempo de exposição ao material radioativo também influência, então, quanto maior o tempo de exposição, maior a dose recebida pelo paciente. A blindagem também é importante para atenuação, ela pode ser calculada com base na utilização de alguns materiais que são escolhidos de acordo com a necessidade do setor. As diretrizes para a realização do cálculo de blindagem encontram-se na publicação 147 da NCRP (National Council on Radiation Protection and Measurements). Com base nesses pontos, recomendamos que os acompanhantes aguardem os pacientes na recepção para que não haja uma exposição desnecessária, ressalva, casos excepcionais.
Os profissionais do setor utilizam um monitor de exposição individual no pulso e na altura do tórax para assegurar que os limites de exposição ao profissional estejam dentro do permitido pela norma 3.01 da Comissão Nacional de Energia Nuclear.