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DE OLHO NA PESQUISA
Um remédio para cada pessoa
Uma plataforma biotecnológica desenvolvida no Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap-UFF), vinculado à Rede Ebserh, pode transformar o modo como se define o tratamento de pacientes com câncer. A tecnologia, criada no âmbito do programa Doutor Empreendedor, da Faperj, visa tornar mais precisa a indicação dos quimioterápicos, aproximando-se da lógica de inovação científica retratada em séries como The Good Doctor, nas quais decisões clínicas se beneficiam de tecnologia de ponta aliada à análise individual de cada caso. No De Olho na Pesquisa deste mês, mostramos um dos destaques nessa frente de atuação: a pesquisa em nanotecnologia aplicada à oncologia.
A empresa responsável pela pesquisa é a NanoOnco3D, fundada em 2021, que desenvolve “soluções para facilitar a seleção dos medicamentos quimioterápicos, tornando o tratamento dos pacientes oncológicos mais personalizado e assertivo”. Segundo a CEO da empresa, a biotecnóloga Jéssica Dornelas, o grupo desenvolveu uma plataforma que permite fazer “combinações de medicamentos de forma dinâmica e automatizada”, avaliando a resposta de células tumorais de cada paciente para identificar os quimioterápicos ideais.
O objetivo central da pesquisa é contribuir para uma oncologia mais individualizada. “Entendemos que cada paciente é único, assim como o câncer que o acomete. Dessa forma, escolher o medicamento mais eficiente e assertivo pensando individualmente no paciente pode garantir benefícios extraordinários no tratamento e qualidade de vida para a população”, afirma.
Os modelos tridimensionais utilizados, como os esferoides celulares e os dispositivos microfluídicos, fazem parte do esforço para automatizar os processos de seleção de quimioterápicos. O trabalho é desenvolvido em colaboração com pesquisadores* e redes de desenvolvimento tecnológico, como a NanoSaúde*. De acordo com Jéssica, essas parcerias são estratégicas para o avanço e a validação dos dispositivos desenvolvidos.
A presença em um hospital universitário é considerada, por ela, um diferencial essencial para a evolução do projeto. “É na Unidade de Pesquisa Clínica que temos a oportunidade de validar, juntamente com os médicos, as necessidades de desenvolvimento, mapear as dores encontradas nos setores para que assim nossas pesquisas científicas sejam direcionadas no desenvolvimento de soluções que impactem positivamente a saúde dos nossos pacientes e o SUS”, afirma. O setor é coordenado por uma pesquisadora vinculada ao hospital* e será o ambiente onde a equipe iniciará a validação da solução com culturas tridimensionais das células tumorais dos pacientes, com o objetivo de auxiliar na escolha dos quimioterápicos de eleição.
Os processos regulatórios envolvidos no desenvolvimento de soluções biotecnológicas são longos, exigem tempo e demandam recursos significativos. Nesse cenário, os programas de fomento têm papel decisivo para viabilizar o avanço das pesquisas. A iniciativa da NanoOnco3D foi contemplada por editais como o Doutor Empreendedor e o Pesquisador na Empresa, ambos da Faperj. “Sem os quais não seria viável o desenvolvimento da nossa tecnologia”, diz Jéssica.
* Agradecimento especial a: Gutemberg Gomes Alves (pesquisador parceiro), Alexandre Malta Rossi (Rede NanoSaúde) e Tatiana Guimarães (coordenadora da Unidade de Pesquisa Clínica do Huap-UFF).
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário da Antônio Pedro da Universidade Federal Fluminense (Huap-UFF) faz parte da Rede Ebserh desde o início de 2016. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Felipe Monteiro
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh