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100 ANOS
Lideranças da UFF analisam desafios e oportunidade para formação médica do Hospital Universitário Antônio Pedro
A Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF) celebra, nesta quarta-feira (25), seu centenário de história dedicada à formação de profissionais de excelência. Nesse percurso, o Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), tem desempenhado um papel fundamental, contribuindo de maneira significativa tanto na formação prática quanto nas pesquisas clínicas.
Reunimos opiniões de três lideranças da universidade que compartilham suas visões sobre os desafios e as oportunidades que se apresentam. São elas: o reitor, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, que é professor de Cardiologia e coordenou a implantação da Unidade de Pesquisa Clínica do Huap-UFF; Adauto Dutra Moraes Barbosa, professor de Pediatria e diretor do curso de Medicina; e professor Beni Olej, superintendente do Huap e especialista em Alergia e Imunopatologia.
Na sua visão, de que maneira a parceria entre o Huap e o curso de Medicina beneficia a assistência à comunidade que acessa o Sistema Único de Saúde?
Reitor: Como hospital universitário, ele tem uma missão tripla: prestar serviços de saúde, formar profissionais e produzir conhecimento. Essa combinação cria um ambiente mais criativo, onde novas soluções podem ser buscadas, e os pacientes têm acesso a profissionais em formação que trazem suas histórias pessoais, promovendo um atendimento mais humanizado. Além disso, os pacientes percebem que estão ajudando a formar novas pessoas e a gerar conhecimento sobre saúde, o que traz um efeito positivo na experiência deles.
Quais aspectos da formação médica precisam ser priorizados para atender às demandas atuais?
Diretor da Medicina: Devemos focar na formação que prepare o médico para o dia a dia da prática clínica, incluindo conhecimentos de baixa complexidade. É importante ensinar o que o profissional realmente enfrentará na rotina, complementando com aspectos de alta complexidade de maneira a formar um médico completo, capaz de atuar em diferentes contextos.
Como a Ebserh tem fomentado a pesquisa e a inovação no hospital?
Superintendente do Huap: Temos programas internos de bolsas de iniciação científica e tecnológica, além de estímulos para ampliar e consolidar centros de pesquisa clínica e de simulação realística. Essas ações criam um ambiente propício à inovação, promovendo uma maior interação entre a academia, serviço, ensino, pesquisa e extensão.
Como a Ebserh tem contribuído para a formação de médicos, especialmente na integração entre ensino, pesquisa e extensão?
Superintendente do Huap: Vejo uma melhora significativa na oferta do hospital tanto para os usuários do SUS quanto para nossos alunos. A modernização da infraestrutura, a aquisição de equipamentos de ponta e a oferta de procedimentos avançados criam um ambiente de aprendizado real e atualizado. A Ebserh tem sido fundamental ao valorizar o hospital universitário como um grande laboratório de ensino e pesquisa, promovendo ações específicas como programas de bolsas de iniciação científica e tecnológica, além de fortalecer centros de pesquisa clínica e de simulação realística.
Como a mudança para o novo prédio da Faculdade de Medicina, ao lado do Huap, impacta essa integração?
Diretor da Medicina: A mudança para o novo prédio, realizada em 2024, facilitará a integração ao permitir que o hospital utilize áreas anteriormente da faculdade. Isso amplia as possibilidades de instalação de equipamentos, aumenta as áreas de atendimento e melhora o ambiente de ensino, promovendo uma maior sinergia entre os setores.
Quais são os principais desafios enfrentados na integração entre ensino, pesquisa e assistência no hospital universitário atualmente?
Reitor: Um dos maiores desafios é a comunicação. É fundamental que todos entendam o papel de cada área — a faculdade de Medicina, a Enfermagem, a Psicologia, entre outras — e como elas se integram ao hospital. Com regras mais rígidas de segurança, vigilância sanitária e eficiência, é necessário que a academia e o hospital trabalhem juntos de forma articulada, sempre buscando garantir a segurança do paciente e a formação de profissionais qualificados. Informar e promover uma comunicação clara é essencial para que todos percebam o valor da sua contribuição para essa unidade acadêmica especial.
Na sua opinião, a participação da Ebserh tem contribuído para superar esses desafios?
Reitor: Sim, a Ebserh tem contribuído bastante. Ela oferece instrumentos de gestão, como orçamentos mais sustentáveis e uma rede de boas práticas entre unidades, o que ajuda a melhorar o funcionamento do hospital. Apesar das dificuldades na organização orçamentária, ela tem facilitado o gerenciamento e promovido uma maior integração entre as unidades, colaborando para a superação de alguns obstáculos.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap-UFF) faz parte da Rede Ebserh desde abril de 2016. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Elisa Monteiro Andrade
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh