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SOLIDARIEDADE
Em dia emocionante, Amor em Cada Fio entrega perucas a pacientes oncológicas ou com alopecia
Solidariedade e emoção foram as palavras chave do último dia 7 de agosto (quarta-feira). O Hospital Universitário Antonio Pedro (Huap) recebeu, pelo segundo ano seguido, o evento Amor em Cada Fio, projeto de extensão da UFF. Cerca de 30 pacientes oncológicas ou com alopecia grave receberam perucas de cabelo natural, feitas com mechas doadas em março, na primeira fase da ação, e ao longo do ano. Além das novas madeixas, as mulheres ganharam mimos e tiveram um verdadeiro dia de princesa, além de acompanharem oficinas e palestras educacionais e de incentivo. Camila Figueroa, ex-aluna da UFF e idealizadora do projeto, falou sobre a ideia:
- O Amor em Cada Fio, para mim, é muito mais do que um evento, ele é uma missão de vida. Eu acredito que nós, como seres humanos, sempre podemos fazer mais pelos outros. É um projeto feito a várias mãos, que muitas pessoas ajudam, mas ele vem todo do meu coração, da vontade de fazer algo diferente, às vezes pouco, e mudar a vida de alguém. Nós temos a capacidade de mudar o mundo todos os dias, talvez não o macro, mas o micro, de alguma pessoa. E é isso que busco com as atitudes, transformar as vidas através do amor. Fico feliz em vê-las felizes. Para elas, não é só pelo bem material, mas pelo carinho que recebem no dia.
Na edição deste ano, o modelo do Amor em Cada Fio se manteve semelhante ao de 2018. Ao chegarem ao Huap, as pacientes foram recebidas com café da manhã, ao som de um coral. A organizadora Camila abriu o evento com um discurso acolhedor. Em seguida, a dermatologista e especialista em doenças do couro cabeludo, Maria Fernanda Gavazzoni conduziu a palestra com a temática de como cuidar do cabelo e das perucas, apresentando uma cartilha e tirando dúvidas de quem estava presente. A segunda palestrante foi Juliana Emerick, que teve um câncer de mama diagnosticado em 2016 e hoje está curada. Ela contou como foi seu processo:
- Acho que a gente tem que falar de câncer sem medo. A pessoa já te olha com uma cara como se você estivesse morrendo. E não. Mas, é um caminho trabalhoso, longo. Tive um diagnóstico tardio, então, foi um tratamento mais complicado. É incrível porque o cabelo não cai, ele despenca. Você fica impotente. Eu fiquei uma semana sem lavar para ver se ele permanecia ali. Mas, não permanece. Comecei, então, a arranjar estratégias. Nunca brinquei tanto com lenço como durante o tratamento. Também tentei peruca e outros acessórios. Não é futilidade, são estratégias para passar melhor pelo processo. O que você achar que vai fazer bem, deve fazer para se cuidar.
Após as palestras, as pacientes participaram de uma oficina de estilização de turbantes, com Luciana Lara, da Cabelo Manero. O momento mais esperado do dia de princesa veio em seguida. Maquiagem, kits com produtos de beleza, bijuterias, lenços e, enfim, a entrega das perucas. Sorrisos e lágrimas de felicidade tomaram conta do auditório. Cada vez que as mulheres se olhavam no espelho, era uma emoção diferente. Miriam de Assis Campos foi uma delas: “Acho muito legal, um grande incentivo, deixa a gente com o astral lá em cima. E é o que a gente precisa nesse momento. Estou doida para sair daqui cacheada”.
- Estou me sentido muito especial, adorei passar a manhã aqui. Eu acho esse tipo de trabalho maravilhoso porque incentiva a gente a melhorar, ficar curada e ajudar também, participar. Você nem lembra que tem problema, porque está tão bem e se sente tão especial que acaba não lembrando nada. Vai mudar muita coisa quando eu pegar a peruca, porque é como se eu estivesse tendo o meu cabelo de volta. Sei que vai mexer muito com o meu emocional -, relatou Sulla Fernanda da Silva, após passar pela maquiagem da equipe do Espaço Juliana Paes e pouco antes de receber suas madeixas.
Evento tem menina de dez anos com alopecia entre as pacientes
Logo quando chegou, Manuela Palhano atraiu olhares. Pela primeira vez, o Amor em Cada Fio teve uma criança entre as pacientes que receberam as perucas. A menina, de apenas dez anos, foi diagnosticada com alopecia aos quatro e perdeu todo o pelo do corpo. Mas, graças ao projeto, ela tem agora duas perucas. Além da feita com cabelo natural, a menina recebeu de Luciana Lara um aplique sintético. “Me sinto muito bem, porque adoro cabelo grande. Não precisa ser exatamente como eu quero, para mim já está ótimo ter conseguido essa peruca. Não faz diferença se loira, preta, marrom, ruiva, eu só queria um cabelo mesmo. A cor não importa”, comentou a pequena. A mãe de Manu, Tatiana Palhano, demonstrou gratidão ao projeto:
- Para nós, pai e mãe, a maior felicidade é ver nossos filhos felizes. Fiquei empolgada e achei tão interessante o trabalho da Camila. Eu, como acompanhante da pessoa que tem a doença, me emocionei muito. Porque quando a Manuela começou a perder todo o cabelo dela, ainda era pequena, então para ela não foi tão doloroso quanto para mim. Eu penteava o cabelo dela, tirava, jogava fora. O cabelo é algo comum. Todas as colegas dela têm e ela não. Eu sempre converso sobre isso com a Manuela. Existem várias diferenças entre as crianças e qualquer diferença gera angustia quando a sociedade não sabe lidar. Então, minha primeira batalha é prepará-la para esse mundo, mas a minha segunda batalha é preparar o mundo para nós.
Projeto que começou como uma ideia já acontece pelo segundo ano seguido
O Amor em Cada Fio nasceu no ano passado, não atendendo apenas pacientes com câncer, mas também aquelas que têm alguma doença grave no couro cabeludo (alopecia). O objetivo, segundo Camila Figueroa, é aumentar a auto estima das mulheres que participam do evento, através da entrega de perucas de cabelo natural. Após o sucesso da última edição, o Amor em Cada Fio se tornou um projeto de extensão da UFF. A seleção de quem recebe a peruca é simples: caso queira participar e seja paciente do Huap, está apta. Desde 2018, foram recebidas cerca de 800 mechas de cabelo, sendo 546 só em março de 2019, na primeira fase da ação. No total, 400 cortes foram realizados gratuitamente com intuito de arrecadar fios.
- Meu sentimento é de gratidão a Deus por me permitir fazer isso. Algumas mulheres já nos deixaram, e não sabemos quanto tempo mais essas vão viver, mas sabemos que nesse dia, por algum tempo, elas vão guardar na memória. O Amor em Cada Fio traduz o amor puro, saber tocar outra pessoa, não precisa de nada científico, é só sentir, doar o seu amor, o seu tempo, o seu olhar e o seu abraço. É isso que, às vezes, falta para médicos, estudantes e pessoas, numa maneira geral. A vida corrida, muitas vezes, nos tira essa essência, que é só parar, respirar e olhar para o outro, entender que naquele momento ele só precisa de um abraço e de um beijo -, finalizou Camila.
Bolsista: Anna Luiza Amorim
Unidade de Comunicação Social (UCS)