Notícias
ENFERMAGEM
“EU, ENFERMEIRO”: acompanhamento ambulatorial de crianças tem foco no cuidado
Enfermeiras Silvia Helena Cunha e Márcia Ratto
O foco no cuidado sempre foi um dos pilares do serviço prestado pela Enfermagem do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP). Tendo essa visão como base, a série “Eu, Enfermeiro” traz, esse mês, um pouco do trabalho de acompanhamento de crianças realizado pelos ambulatórios de Puericultura e de Diabetes. O atendimento humanizado feito pelas profissionais é apoiado pela Divisão de Enfermagem, que busca com esse cuidado ter um olhar na prevenção da doença e no atendimento aos pacientes que já estão com a doença.
- Nossos pacientes são de alta complexidade. O objetivo é fazer um acompanhamento individualizado que leve qualidade de vida a cada um. A Divisão de Enfermagem incentiva esse tipo de cuidado com os ambulatórios de Puericultura e de Diabetes no hospital. A orientação do enfermeiro é essencial no dia a dia desses pacientes, porque previne complicações renais, lesões e uma série de coisas que podem acontecer quando se está desorientado quanto a alguma doença -, comenta a Chefe da Divisão de Enfermagem do hospital, Fabiana Braga.
No ambulatório de Puericultura, a enfermeira Márcia Ratto trabalha com crianças desde 2009. Segundo ela, esta é uma ciência que faz a abordagem do paciente na fase do seu desenvolvimento, em todos os aspectos e em qualquer nível de complexidade. Além de Márcia, atualmente, o ambulatório conta com uma pediatra, tendo também o auxílio de uma psicóloga e uma terapeuta ocupacional, tornando o trabalho multidisciplinar. As consultas são individualizadas, mas as profissionais estão sempre discutindo os casos conjuntamente.
- A ideia é avaliar o desenvolvimento na perspectiva do cuidado da criança, entendendo que todo ser humano nasce com um potencial genético já estabelecido. Mas o cuidado interfere muito na busca por alcançar esse potencial. No atendimento, é feito exame físico, além de avaliarmos alimentação, imunização e crescimento, através de dados antropométricos e de compatibilidade com a idade. Na conversa com a mãe, identificamos, ainda, fragilidades que interfiram ou possam interferir. A partir daí, desenvolvemos as atividades e trabalhamos os cuidados básicos de manutenção da vida, bem como os de prevenção de doenças -, explica Márcia.
A enfermeira pontua a enorme importância do vínculo familiar. Afinal, quando uma criança é internada, interna também a sua família. Esse pequeno paciente depende do cuidado em casa para que consiga crescer e se desenvolver da forma mais saudável possível. O trabalho primordial é mostrar aos pais que eles podem protagonizar o cuidado, tendo autonomia e identificando o que fazer nas situações adversas. Márcia complementa que o objetivo é valorizar e ouvir a família, até para entender qual é a demanda específica daquele paciente:
- Eu tento sempre mostrar o quanto esse familiar pode ser ativo no processo, sendo positivo no desenvolvimento dessa criança. Dessa maneira, ela provavelmente vai ter menos internações e menos complicações. Temos que ter em mente que não conseguimos promover saúde sem que o cliente seja protagonista desse cuidado. A enfermagem trabalha muito com a potencialização do cuidado, de instrumentalizar a família, para que ela se sinta responsável pela promoção da sua saúde, não estando ali como mero espectador.
Trabalho com crianças diabéticas é desafiador, e família tem papel fundamental
No ambulatório de diabetes, a enfermeira Silvia Helena Cunha, há três anos no setor, atende pacientes de variados diagnósticos: crianças com o tipo 1, adultos e idosos com o tipo 2, além de gestantes que desenvolvam diabetes gestacional. No caso dos pequenos, o trabalho é feito a longo prazo, já que o pâncreas não produz a insulina a partir das células beta. Assim, é necessário que seja inserido esse hormônio no metabolismo para que a criança possa crescer e se desenvolver. Silvia esclarece como é feito o atendimento a esses pacientes:
- Eles não vêm da rede, são encaminhados através de interconsulta aqui no HUAP, após diagnóstico em consulta pela endocrinologia, nefrologia ou clínica médica. O que eu faço é inserir a insulina no dia a dia da criança, reforçando sua rotina diária. Faço isso perguntando sobre os seus horários de cotidiano. A partir disso, monto uma rotina para a aplicação desse hormônio, tentando juntar com a rotina do paciente e os horários de refeição. Tudo está atrelado para que o resultado saia como esperado.
O desafio de trabalhar com crianças é grande. Afinal, é um ser humano em desenvolvimento. De acordo com Silvia, com elas é necessário ter a linguagem correta para fazê-las compreender a importância da insulina e de seguir o horário exato pré definido nas consultas. Por conta disso, a família, assim como no ambulatório de Puericultura, tem papel fundamental. A responsabilidade dos pais é, principalmente, de supervisionar aplicação e dosagem, além de cuidar da alimentação. A enfermeira tenta entender quem é o cuidado, já que essa criança precisa ter alguém acompanhando o tempo todo.
- Existe um tempo de funcionamento que, se não for respeitado, não vai fazer o efeito. Isso pode gerar uma internação, que deveria ocorrer somente em casos extremos. Então, os pais precisam supervisionar, pois isso tem que fazer parte da rotina da criança. A infância gera uma dificuldade na aceitação, então é preciso trabalhar de forma intensa em conjunto com a família, e a família em conjunto com a escola, que deve estar ciente também da existência dessa condição. Afinal, a partir do momento que a criança começa a reconhecer os alimentos, já é possível perceber o aparecimento da diabetes -, finaliza Silvia.
As duas enfermeiras enfatizam o quanto é prazeroso trabalhar com crianças e suas famílias. Para Márcia, “é renovador e gratificante, porque, de alguma forma, você sabe que foi importante para o desenvolvimento daquela pessoa. Eu acompanho alguns desde o nascimento, outros um pouco maiores”. No caso de Silvia, o trabalho é visto como uma forma de doação, já que o profissional dá um pouco de si para o outro. Ela afirma que a sensação é a mesma de um construtor ou engenheiro ao ver uma obra pronta:
- Quando você cuida das pessoas, você tem que ser humano. Quando sei que a criança vai ter alta, sinto que contribuí de alguma forma não só na saúde, mas na sua educação, já que ela vai levar essas orientações para o resto da vida. Eu quero mudar a vida desse paciente, contribuindo positivamente, para que ele ganhe qualidade de vida. E esse é o resultado da minha obra. A criança quando te abraça, ela te aperta e dá um carinho que, às vezes, é o que você está precisando. É um agradecimento genuíno, um reconhecimento pelo seu trabalho.
Unidade de Comunicação Social (UCS)