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QUALIDADE ASSISTENCIAL
HU-UFSCar: estudo sobre sedação em pacientes críticos é destaque na Jornada de Iniciação Científica
São Carlos (SP)- O Hospital Universitário da Universidade Federal de São Carlos (HU-UFSCar), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), conquistou o primeiro lugar na Jornada de Iniciação Científica e Tecnológica com o trabalho “Levantamento das dificuldades encontradas para sedação de pacientes graves em um Hospital Universitário”. O estudo, desenvolvido no âmbito do Programa de Iniciação Científica (PIC), mapeou práticas de sedação na UTI e indicou que a adequação sedativa é um fator potencialmente modificável, com reflexos diretos na segurança do paciente e na qualidade assistencial.
Segundo o orientador do projeto, Paulo Vasconcelos, apesar da existência de protocolos, a prática diária mostrou variações relevantes entre esquemas farmacológicos, tempos de infusão e estratégias de desmame. “Houve uma distribuição distinta dos esquemas entre os grupos, com maior uso de midazolam e fentanil nos dias de menor adequação de sedação e predominância de dexmedetomidina quando a sedação esteve a níveis considerados adequados”, afirmou.
Os dados também relacionaram a menor adequação da sedação a piores marcadores clínicos. Paulo destacou que “a menor adequação da sedação está associada com instabilidade hemodinâmica (taquicardia/hipertensão), maior tempo de ventilação mecânica e pior desempenho nas análises de sobrevivência”. Para o orientador, os achados reforçam a pertinência de metas leves de sedação e monitorização sistemática como estratégia para otimizar desfechos respiratórios e o cuidado integral ao paciente crítico.
A trajetória da bolsista Maria Eduarda evidencia o papel formativo do PIC no ambiente assistencial. Em sua avaliação, a escolha do tema articulou interesse científico e impacto concreto no cuidado intensivo do HU. “A sedação parece um daqueles pontos discretos e protocolados da terapia intensiva, mas pode acabar mudando completamente o rumo de quem está ali. Pequenas decisões ao longo dos dias podem repercutir significativamente lá na frente, na parte pós-sobrevivência”, disse.
Para além do resultado acadêmico, o projeto contribui para o fortalecimento da cultura de decisões baseadas em dados no hospital. Paulo ressalta que a iniciação científica inseriu a estudante em todas as etapas do ciclo de pesquisa aplicada — da coleta em prontuários à análise e interpretação —, com ganhos de autonomia e pensamento crítico. “Os achados do estudo também permitirão ao hospital avaliar protocolos, planejar melhorias assistenciais e fortalecer a cultura de decisões baseadas em evidências”, pontuou.
O reconhecimento na Jornada confirma a relevância institucional do trabalho e a vocação do HU-UFSCar para formar profissionais comprometidos com a melhoria contínua. Para Maria Eduarda, a premiação indica um começo, não um fim. “Ver esse trabalho reconhecido em primeiro lugar é muito gratificante, principalmente ao lado de tantos outros trabalhos importantes que ajudam a fortalecer a imagem do nosso HU-UFSCar na pesquisa científica. Sensação de dever cumprido, mas ao mesmo tempo o começo de uma fase, já que ainda existem tantas possibilidades e ângulos nos quais o cuidado intensivo do nosso hospital pode ser explorado”, afirmou.
Ao integrar ensino, pesquisa e assistência, a iniciativa aponta caminhos práticos: perseguir metas leves de sedação, padronizar monitorização e alinhar a aplicação de fármacos aos melhores desfechos possíveis. Com isso, o HU-UFSCar reafirma seu compromisso com a segurança do paciente, a qualificação da formação em serviço e a pesquisa aplicada ao SUS.
Rede Ebserh
O HU-UFSCar faz parte da Rede Ebserh desde outubro de 2014. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Felipe Monteiro