Notícias
Avaliação de Programa de Aprendizagem Motora e do uso de um Exoesqueleto no HU-UFSCAR segue para próximas fases de desenvolvimento
São Carlos (SP) – O Acidente Vascular Cerebral (AVC), em grande parte dos casos, pode provocar sequelas motoras em diferentes níveis, como paralisias, dificuldades de locomoção e de flexibilidade. O Hospital Universitário da Universidade Federal de São Carlos (HU-UFSCar), conta com o desenvolvimento de estratégias de tratamento para esse tipo de problema e a mais recente delas foi um estudo focado nos membros superiores (braço, antebraço e mão). A proposta foi realizada dentro do Programa de Inovação Tecnológica (PIT), edital proposto pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), em parceria com Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A pesquisa iniciou em fevereiro de 2023 e foi concluída em abril de 2024, acompanhando dois pacientes.
“Avaliação dos efeitos de um Programa de Aprendizagem Motora mediada por um Exoesqueleto e baseado na observação da ação em pacientes hemiparéticos” foi o título do projeto executado pela orientanda Jaciane Cerqueira, estudante de graduação em Terapia Ocupacional, com orientação de Cláudia Martinez, e coorientação de Gisele Paiva, professoras do Departamento de Terapia Ocupacional da UFSCar. O objetivo foi analisar os efeitos do ‘Programa de Aprendizagem Motora baseado na observação da ação e com o uso de um Exoesqueleto para Participação em Ocupações em Terapia Ocupacional’ (AMANE-PO), desenvolvido durante a tese de Doutorado de Gisele Paiva na Unidade Saúde Escola (USE), que envolve uma série de atividades motoras para membros superiores, junto ao uso do exoesqueleto (estrutura mecânica) na atuação da Terapia Ocupacional como um recurso de reabilitação para quem sofreu paralisia em um lado do corpo (hemiparesia). Essa intervenção une o ensino, a pesquisa e a assistência, de diferentes áreas, em benefício do aprimoramento de técnicas para tratamentos.

O recrutamento dos participantes ocorreu no Ambulatório de Neurologia do HU-UFSCar, com seleção de três pessoas, sendo dois homens (60 e 66 anos) e uma mulher de 37 anos, que participou do piloto. As identidades são preservadas em respeito ao sigilo de pesquisa, mas os relatos das queixas e opiniões sobre o antes e depois são registrados de forma anônima. Foram avaliadas, explicou Jaciane Cerqueira, as funções motoras e de sensibilidade, e o uso dos membros superiores nas atividades diárias. Os desafios mais comuns apontados pelos pacientes foram a dificuldade de segurar objetos, de escrever e até de pescar, ação que um deles gosta de fazer.
A coorientadora Gisele Paiva relatou que as pessoas com AVC muitas vezes vão enfrentar dificuldades na participação ocupacional durante a realização de suas tarefas, por isso, “o desenvolvimento de estratégias de intervenção e a avaliação de seus efeitos, tanto os pontos fortes como os frágeis, são considerados em estudos futuros e auxiliam na produção de conhecimento para a área da Terapia Ocupacional”.
Cláudia Martinez ressalta que os resultados observados nessa pesquisa são promissores. “Houve melhora da pontuação na maioria dos instrumentos aplicados nos participantes antes e após a intervenção realizada, denotando avanços na força, coordenação e destreza”. A pesquisadora ainda acrescentou que, além da verificação de melhora do uso das mãos, os participantes se mostraram motivados a continuar recebendo a intervenção. “Houve impactos sociais pela recuperação de movimentos das mãos, ainda que parciais, favorecendo o retorno às atividades, como, por exemplo, pegar um copo e preparar refeições, com ganho de independência e de maior autonomia no cotidiano”.
Multidisciplinaridade
O exoesqueleto e uma luva de acionamento foram idealizados por Gisele Paiva, em 2017, que, em parceria com o professor Rafael Aroca, do Departamento de Computação da UFSCar, começou a ser executada. Atualmente, o protótipo avançado do exoesqueleto está sendo construído na dissertação de mestrado de Sérgio Henrique Flório, sob orientação de Rafael, no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação (PPGCC) da UFSCar. A aplicação dessa proposta de exoesqueleto e do projeto estão inseridos e dão continuidade ao AMANE-PO, com seleção e avaliação dos participantes sendo executados no HU-UFSCar, e as intervenções das atividades, na Unidade Saúde Escola (USE) da UFSCar. O Programa está na etapa de finalização dos produtos, registro e licenciamento para que seja expandido.
Sobre a Ebserh
O HU-UFSCar faz parte da Rede Ebserh desde 2014. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Marília Rêgo
Coordenadoria de Comunicação Social