Notícias
HUMANIZAÇÃO
Profissionais de diversas áreas do HU trabalham para deixar ambiente mais acolhedor aos pacientes
Muito além dos setores assistenciais diretamente envolvidos no atendimento aos pacientes internados no HU-UFJF, todas as áreas da instituição têm atuado neste momento difícil de pandemia.
Os pacientes estão tendo uma atenção especial, não só no tratamento, mas também no cuidado do dia a dia, na tentativa de amenizar o período no isolamento ou por não poderem mais contar com acompanhantes ou receber visitas.
Dois projetos têm despertado a atenção no hospital: um desenvolvido pelo Setor de Gestão de Processos e Tecnologia da Informação e outro pela Nutrição.
A pedido da Gerência de Atenção à Saúde, a equipe de Infraestrutura de Tecnologia de Informação e Comunicação conseguiu configurar e instalar um roteador de wi-fi capaz de disponibilizar sinal para a área de internação e isolamento da Unidade Santa Catarina. “Agora pacientes poderão acessar internet e contactar parentes e amigos mesmo estando internados e em isolamento”, comemora o responsável pelo setor, Sérgio Lima. Os analistas Daniel Rodrigues e Paulo Assis, com auxílio do técnico Diego Oliveira, conseguiram instalar e configurar um roteador em área próxima à do isolamento, permitindo o wi-fi, com a utilização do link de acesso do HU-UFJF, explica.
"Esse é um projeto muito importante pelo viés social”, ressalta o analista de TI - Suporte de Redes, Daniel Pereira. “Conseguimos usar a tecnologia para aproximar o paciente em isolamento de seus familiares e amigos. Foi disponibilizada uma rede de dados exclusiva por wi-fi, com acessos liberados à internet e permissão para uso de aplicativos de mensagens. É uma rede de dados apartada, ou seja, totalmente independente, e, através das melhores práticas em tecnologia da informação, garantimos a segurança da rede de produção do Hospital Universitário", ressalta.
Para outro envolvido no trabalho, Paulo Assis, analista de TI - Suporte de Redes, o objetivo não é somente cuidar da saúde do corpo, mas, acima de tudo, da saúde de uma forma integral. “O wi-fi para os pacientes em isolamento, nesse momento, vem encurtar distâncias e aproximar corações, pois, justamente em momentos de fragilidade, sentirmo-nos amados nos propicia forças e motivação para continuarmos lutando”, pontua.
O analista de TI também destaca o trabalho em equipe: o técnico Diego Oliveira, trabalhando no local, movimentando equipamentos, preparando cabeamento; a chefia imediata, intermediando com a gerente de Ensino e Pesquisa, Angela Gollner, para disponibilização do roteador, e os analistas trabalhando em home office, configurando os equipamentos, alterando estrutura da rede de dados. Foi muita cooperação, sinergia, afirma Paulo. “Um grande esforço de todos, mas extremamente compensatório, quando imaginamos o bem que poderá gerar. Esperamos, sinceramente, que esse serviço possa ajudar muitas pessoas e todos esses pacientes hoje em isolamento possam, em pouco tempo, retornar para suas casas, para seus afetos com a certeza de que o time do HU-UFJF fez o seu melhor, trabalhando para sua saúde, não somente física, mas também emocional. Somos gratos por fazermos parte dessa equipe”, comemora.
Do celular ao papel
Da mensagem via tecnologia avançada ao bom e velho papel e caneta. Outra ação, que inclusive ganhou muitos elogios nas redes sociais e tem alegrado os pacientes no Hospital Universitário, vem da Nutrição.
Os pacientes internados têm recebido suas refeições com mensagens escritas à mão por profissionais do hospital. Como explica Clorisana Abreu, nutricionista do HU-UFJF, a ideia veio quando os pacientes começaram a ficar muito estressados por conta das notícias sobre o coronavírus. “Nós, da Nutrição, experimentamos a comida antes de liberar para montar as quentinhas. Em um dia, a copeira tinha comentado que os pacientes da cirurgia estavam muito nervosos por conta da possibilidade da gente entrar em quarentena aqui, isso logo no início. Aí eu comecei a escrever os bilhetinhos. Quando as copeiras voltaram, disseram que tinha dado super certo, as pessoas agradeceram, e alguns até recortaram e pregaram o recadinho na parede. Aquilo me estimulou a continuar escrevendo”, conta.
Como a nutricionista trabalha 12 x 36, tem deixado os recadinhos escritos para o almoço e o jantar para os dias em que não está no hospital. Ela também conta com o auxílio de outras pessoas. “Sugeriram imprimir e colar, mas isso não é a mesma coisa que um recado escrito à mão” ressalta. “As mensagens são de otimismo, perseverança, fé, porque o momento está difícil, e eles estão isolados, literalmente, sem acompanhante, sem visita. Isso tem tido um resultado muito positivo, já veio paciente querer saber quem escreveu, porque o recado foi certo para ele, só que a gente não sabe para quem escreve; muitos ficam na expectativa da chegada da refeição para saber qual o recadinho do dia”, lembra. É um trabalho em conjunto, frisa a nutricionista
A técnica e a copeira da Servir ajudam muito e dão um feedback: “‘oh, o fulano está muito triste’, aí fazemos os recados mais específicos. Começou há um bom tempo, e temos sentido que está fazendo muito bem para os pacientes”, comemora Clorisana.
“O efeito nos olhinhos dos pacientes é o melhor retorno que temos”, diz Gleici Fonseca, fonoaudióloga do HU-UFJF. “A nossa amiga nutricionista iniciou esse gesto afetuoso e nos contagiou. Nos nossos plantões, escrevemos nas tampas do dia e preparamos para os outros dias que não estaremos. Estamos felizes em levar um pouco de alegria, amor e positividade nestes dias tão difíceis, nos quais os abraços são evitados e as visitas estão restritas. Aproveito para convidar colegas, a fim de mantermos a ação ativa por muito tempo”, enfatiza.
Apoio do Grupo de Humanização
Ações como as citadas têm tido o apoio do Grupo de Humanização do HU-UFJF. Como afirma o vice-coordenador do grupo, Iuller Xavier, “essa pandemia e as incertezas geradas por ela fazem com que a forma de ouvir e cuidar das pessoas seja totalmente remodelada, tanto na relação profissional como familiar. O GTH, juntamente com os diversos setores do hospital, por meio das ações desenvolvidas, tenta amenizar a angústia e sofrimento tanto dos pacientes como dos profissionais e familiares, possibilitando que a passagem por esse período crítico que a humanidade está vivendo seja mais reconfortante”, assegura.