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AGOSTO DOURADO
Paciente é incentivada a amamentar no HU, mesmo internada
A paciente Mariane Bonfim Temponi, 30 anos, chegou ao Hospital Universitário (HU-UFJF/EBSERH) para uma cirurgia de emergência. Com um bebê de seis meses em casa e amamentando, ela não sabia o que fazer com o leite produzido e que, sem uso, causava dores e poderia, inclusive, ser um ponto de infecção. Também havia a preocupação com a filha, até então alimentada exclusivamente com leite materno, e o medo de parar de produzi-lo por não estar amamentando.
A mãe pensou em trazer a bebê para amamentar no hospital, uma situação não recomendada, principalmente em função da pandemia de Covid. Ela disse ter sido uma situação muito difícil. Diante do impasse, a equipe de enfermagem tentou ajudar, conta a enfermeira obstetra Ana Beatriz Querino, chamada pelas colegas para auxiliar no caso.
A Mariane nunca tinha tirado o leite antes, só por meio da sugada da filha, conta Ana Beatriz, que orientou a paciente, ensinando a técnica correta para a retirada, com toda a higienização necessária, uso de avental, touca, máscara e o armazenamento em recipiente adequado, esterilizado e tampado. Na primeira tentativa, 200 ml de leite já podiam ser levados à criança. “Ela é uma mãe muito consciente, aprendeu o procedimento”, assegura a enfermeira.
Toda a família se mobilizou para ajudar a paciente. O esposo ficou responsável por buscar duas vezes ao dia o leite retirado, no final da manhã e à noite, garantindo à filha do casal a continuidade da alimentação exclusiva por leite materno. Ficou também sob a responsabilidade do pai e de outros familiares dar o leite em um copinho à criança, com o objetivo de não “enganar” a bebê com o bico da mamadeira em substituição ao bico do seio da mãe.
“Sou muito grata à Beatriz, porque ela teve toda a paciência comigo, me ensinou a ordenhar, ouviu o meu choro, e isso me trouxe muita paz. Ela mesma deve ter visto como eu cheguei desesperada, e depois fiquei bem por poder continuar amamentando a minha filha de longe. Foi muito importante para mim”, emociona-se Mariane. “Quando eu estava grávida dela, tudo que eu queria era poder ter leite para amamentá-la, e ela aceitar, porque os meus dois outros filhos rejeitaram. Se as pessoas soubessem como é importante o leite materno... e para mim é tão importante quanto para a minha filha”, ressalta.
A enfermeira Ana Beatriz aproveitou a oportunidade para passar instruções à equipe de enfermagem em como proceder em casos parecidos. Não havia impedimento para a coleta do leite, porque a mãe não estava tomando qualquer medicação ou tinha problemas de saúde que pudessem ser um risco. A profissional reforça a importância do aleitamento materno e lembra que, em casos de cirurgias eletivas, mães lactantes podem se planejar e estocar o leite. O ideal é guardá-lo em recipientes pequenos, levando em consideração a higienização, e armazenar no congelador em pequenas porções. Em temperatura ambiente, o leite retirado pode ficar até seis horas ou na geladeira até 12 horas. Caso congelado, pode ser guardado por até 15 dias, descongelando em banho-maria para oferecer à criança imediatamente, esclarece a profissional.
Mariane já realizou a cirurgia e está bem, em casa, com a família.