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DOAÇÃO
HU-UFJF recebe doação de face shield
Nesse momento de pandemia, um equipamento de proteção individual vem ganhando destaque: a face shield ou “escudo da face”, fundamental para auxiliar na proteção dos profissionais de saúde. O Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF/EBSERH) tem o EPI e contou com a ajuda de um projeto que coordenou a fabricação do equipamento para doação a diversos hospitais da cidade.
Como explica a médica do HU-UFJF Maria Augusta de Souza, que esteve envolvida no projeto, a face shield protege principalmente os profissionais que participam de procedimentos geradores de aerossóis ou gotículas, como intubação orotraqueal, aspiração e coleta de amostras. Também ajuda a proteger as máscaras N95 ou PFF2, que são fundamentais e, ao mesmo tempo, escassas, aumentando a sobrevida dessas máscaras. “Como o HU-UFJF tornou-se referência para o atendimento de pacientes com COVID, torna-se indispensável o uso da face shield para garantir a integridade e a saúde dos nossos colaboradores. Além disso, traz tranquilidade e confiança ao profissional, uma vez que tem acesso a todos os equipamentos necessários a sua segurança”, afirma.
Érika Monteiro, coordenadora do Grupo de Trabalho de Doações do Centro de Operações de Emergência COE-HU-UFJF/EBSERH, compartilha a mesma opinião: esse tipo de equipamento de proteção individual tem a vantagem de funcionar como uma barreira física que protege os profissionais e proporciona mais segurança. “A doação de máscaras de proteção facial (face shield), entregues semana passada pela SOS3DJF ao HU, assim como outras doações recebidas, soma esforços para desenvolver soluções que contribuem de maneira estruturada nessa batalha contra a pandemia no novo coronavírus”, ressalta.
O projeto
A médica proctologista Maria Augusta de Souza, sempre interessada em tecnologia e medicina, também participante de healthtech e inovações, diz que ficou sabendo de um grupo da cidade produzindo o EPI em impressora 3D. Ela fez um contato, oferecendo-se para ajudar na organização e logística da distribuição, por conhecer as necessidades dos serviços de saúde. “Quando comecei a entender as necessidades de cada serviço, vi que precisaríamos escalar nossa produção para contemplar a todos. A produção da impressora 3D é de um arco a cada duas a quatro horas, e precisaríamos de muitas impressoras para conseguir grande número de máscaras. Sendo assim, fizemos contato com o pessoal da indústria e, junto com eles, desenvolvemos um modelo de máscara que atende aos requisitos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), é ergonômico, leve e passível de limpeza e desinfecção por não possuir espuma ou borracha”, pontua.
Dessa forma, “foi produzido um molde, que hoje é utilizado para a produção do arco da nossa máscara, através da injeção de polietileno de alta densidade (PEAD), com capacidade de produzir um arco a cada 15 segundos. Em paralelo, fazemos o corte da viseira para compor a máscara completa”, complementa Maria Augusta.
Posteriormente, um microempresário da cidade fez um vídeo que viralizou, oferecendo-se para produzir as máscaras. Isto atraiu parceiros para apoiar financeiramente o Projeto SOS3DJF. “Atualmente temos apoio para 50.000 máscaras destinadas à doação. Nossa capacidade atual de produção é 15.000 máscaras/dia e buscamos novas parcerias para manter as doações”, ressalta a médica.
Um site foi criado para as pessoas interessadas (pessoas físicas, instituições públicas e privadas) cadastrarem os pedidos, e as face shields estão sendo distribuídas de acordo com as parcerias. O projeto conta com o apoio de uma instituição de ensino em Juiz de Fora, que está coordenando a gestão, contabilidade e aspectos jurídicos do projeto. Mas o Projeto SOS3DJF continua em busca de parceiros para continuar fazendo as doações. “A demanda ainda é grande, e queremos ajudar todas aquelas instituições que têm dificuldade em adquirir este EPI tão importante para a proteção daqueles que estão envolvidos no combate à COVID. Temos grande capacidade de produção, mas precisamos de apoio financeiro”, reforça Maria Augusta.
Indagada sobre a rede de solidariedade criada durante esses tempos difíceis de pandemia, a médica diz sentir-se extremamente honrada em poder ajudar o hospital onde fez sua formação médica e hoje ajuda na formação de novos médicos e cirurgiões. “É muito gratificante poder ajudar as pessoas nesse momento tão difícil e ver o olhar de agradecimento de cada uma delas. É isso que me move a continuar voluntariamente neste projeto, ajudando cada vez mais a salvar vidas. Este é meu propósito. Tenho visto a formação de uma grande rede de solidariedade, todos muito dispostos a ajudar. Vejo a transformação de um modelo egocêntrico para um modelo coletivo, em que as pessoas se oferecem, cada uma ao seu modo e ao seu alcance, para ajudar. Recebi várias mensagens de pessoas se oferecendo a ajudar com mão de obra, matéria prima e também ajuda financeira”, comemora.