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PEDIATRIA
Diagnóstico precoce auxilia no tratamento de disfunções neurológicas
Foto: Freepik.
Para celebrar o mês dedicado às crianças, a equipe da Pediatria do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF/EBSERH) realizou palestra de formação para os profissionais de saúde com o tema “Neurodesenvolvimento Infantil”. O objetivo é refletir e auxiliar no diagnóstico precoce das disfunções neurológicas em crianças, a partir da discussão de temas como o desenvolvimento na primeira infância, os fatores sociais, o cuidado dos pais e a interação com o meio e novas tecnologias.
O cuidado com a criança deve começar desde o período gestacional, com o acompanhamento médico, chamado de pré-natal. Quanto mais cedo for detectado algum tipo de problema, maior será a capacidade de minimizar seus possíveis efeitos – inclusive aqueles relacionados ao neurodesenvolvimento, ou seja, às competências de interação com o meio pelo sistema nervoso do indivíduo, incluindo a motricidade, aptidões sensoriais e cognitivas, comportamento, afeto e emoções.
Na primeira infância, período compreendido entre a idade de zero a seis anos, há o processo de aquisição de novas funções intelectuais, motoras e sociais. Nesta fase, é essencial a realização do acompanhamento periódico com a pediatria. “A primeira identificação de algum tipo de atraso surge da percepção do pediatra, mas os pais também devem estar alertas, seja por meio dos sinais graves ou mesmo os moderados, que costumam passar despercebidos. É essencial que os especialistas façam uma escuta mais elaborada da família”, destaca Ivana Lúcia Damásio Moutinho, pediatra e professora adjunta do Departamento Materno Infantil da Faculdade de Medicina da UFJF
Diversos denominadores de funcionamento acompanham o progresso da criança, como mudanças físicas (movimentos), sociais (fala), emocionais (nível de pensamento) e mentais (habilidades de se relacionar). Ela precisa brincar, ter acesso à saúde, aleitamento materno, alimentação, proteção, segurança, afeto, liberdade e autonomia, esses fatores ajudam no progresso das potencialidades delas, ressalta Ivana.
Nesse sentido, o psiquiatra infantil Thiago Andrade Pedrosa elencou as fases de evolução na infância. A partir de um ano de idade, a cognição social é estabelecida, há o aumento da capacidade de interação (início da formação do ser social). Neste estágio, a criança passa a fazer imitações (sons). Ao completar dois anos, surge a fase em que a criança começa a adquirir as ferramentas essenciais para desenvolver as emoções e poder se adaptar socialmente. É quando, por exemplo, a criança age de determinada maneira para conseguir algo que deseja. Ele explica que, quando há algum déficit dessas ferramentas, elas não estão equilibradas.
Dessa forma, a orientação é que os pais permaneçam vigilantes aos fatores de risco que podem interferir no crescimento saudável: alimentação inadequada, negligência, baixo nível de escolaridade, abusos e violência física ou verbal, enumera o profissional. Além disso, a família deve zelar para a manutenção dos fatores de proteção, priorizando um espaço de qualidade e cuidado. Os pais devem oportunizar autonomia com segurança aos pequenos, procurando sempre incentivá-los com brincadeiras que possibilitem novas descobertas.
A respeito do desenvolvimento da oralidade, considerada uma habilidade sociointeracional, a fonoaudióloga Letícia Guedes Cintra explica que o bebê passa a atribuir sentidos às coisas. “Assim surgem as manifestações de conforto ou desconforto caracterizado pelos diferentes tons de choro. O adulto deve estar atento e ser capaz de atribuir significado e forma às produções vocais e gestuais, para construir um círculo de comunicação”, explica.
Aos poucos, a partir da percepção, surge a imitação do outro, favorecendo o crescimento do vocabulário das crianças. Há, portanto, um aumento na extensão de frases e diminuição das palavras simplificadas, por isso é essencial que os pais incentivem as crianças. Contudo, é imprescindível estar atento aos sinais de alerta, como a falta de sorrisos (expressões de alegria), ausência de respostas em meio as tentativas de interação e falta de resposta quando a criança é chamada pelo nome. Quando detectadas estas características, é indispensável procurar especialistas das áreas de fonoaudiologia, neurologia e psicologia, recomenda Letícia.
Relações humanas
Além dos fatores elencados, deve-se considerar, ainda, elementos socioculturais e que envolvem as relações humanas. A psicóloga Martha Loures Choucair de Oliveira acrescenta que “é preciso cultivar emoções nas crianças, a fim de melhorar o relacionamento familiar. O crescimento saudável dos filhos depende de uma família bem estruturada. Os pais precisam se dedicar mais aos filhos e estabelecer uma relação mais concreta”, alerta.
Atualmente, devido à rotina corrida, observa-se grande fluidez e fragmentação nas relações humanas. Marta ressalta a necessidade de reversão desse quadro: “com apoio mútuo e colaboração, a união transmite suporte para a criança; é indispensável trabalhar a empatia nas relações familiares. A família promove acolhimento, este gesto se transformado em respeito, carinho e compreensão”, finaliza.
Bolsista: Jacqueline Silva.