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TABAGISMO
Dependência do fumo também é doença
O tabagismo está presente no dia a dia das pessoas. Tanto na rotina dos próprios fumantes quanto na de quem somente convive com a fumaça. Embora visto como um hábito, o ato de fumar é, na verdade, uma doença que possui registro na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID).
A dependência do cigarro afeta o tabagista de diversas formas, uma vez que pode causar infarto, acidente vascular cerebral, e diversos tipos de câncer, principalmente de pulmão, bexiga e colo do útero. Além disso, o mal é origem da morte de cerca de seis milhões de pessoas ao ano, de acordo com relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo a chefe do Centro Interdisciplinar de Pesquisa e Intervenção em Tabagismo do Hospital Universitário, a pneumologista Lígia do Amaral, o cigarro causa três tipos de dependência: química, devido à nicotina; emocional, uma vez que o ato é associado com momentos de alegria ou tristeza; e ainda comportamental, quando o indivíduo liga hábitos diários ao tabaco. “A pessoa que fuma se sente muito pressionada. Fica sentindo os sintomas da abstinência durante um período do dia ou tem que interromper suas atividades e se deslocar pra fumar. E, de forma geral, o fumante está sempre vivendo essa ambiguidade”, destaca.
Embora cause diversos transtornos, o mais difícil para o fumante não é somente lidar com os efeitos colaterais da doença. A grande dificuldade está justamente em se livrar da causa, que é o próprio cigarro. E um dos fatores incentivadores para a mudança costuma vir de quem se vê como fumante passivo, que é aquele que sofre exposição secundária à fumaça. “Essas pessoas também estão sob risco de várias doenças. Não na mesma proporção do fumante, mas seguramente não estão isentas. Não é incomum o tabagista falar que quer parar de fumar por causa dos filhos, ou porque a esposa ou marido está pedindo. Isso de certa forma pode ser um fator positivo”, ressalta Lígia.
Como toda doença, o tabagismo exige tratamento. Esse baseia-se, primeiramente, em entrevista na qual há uma avaliação da motivação do paciente em parar de fumar. Em seguida, ocorre a prescrição de remédios quando há, de fato, uma dependência química à nicotina. A associação dessas duas abordagens pode ser feita individualmente, em um consultório, ou em grupos, nas Unidades Primárias de Atenção à Saúde, conforme orientação do Programa Nacional de Combate ao Tabagismo.
Bolsista: Thamires Pecis
Edição: Amanda Fernandes