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FORMAÇÃO PROFISSIONAL
CAPS HU é pioneiro em Juiz de Fora, junto com o CAPS Casa Viva, em atendimento humanizado no SUS
O Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF/EBSERH) é um dos poucos da rede Ebserh a contar com um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Tal especificidade tem resultado em um diferencial na formação de profissionais de saúde e áreas afins.
Para entender melhor essa história, é importante rememorar o modelo de assistência em saúde mental no Brasil, predominantemente centrado na segregação e na violência, em que as pessoas consideradas “loucas” eram separadas da sociedade para tratamento. A partir da década de 1970, começam a ser discutidas mudanças que incorporavam recomendações da chamada reforma psiquiátrica. O objetivo foi estabelecer um novo olhar para o cuidado de pessoas com transtornos mentais, a partir de um atendimento mais humanizado e com a participação ativa do próprio paciente.
Nesse contexto de reformas, os CAPS surgem como um serviço comunitário e de portas abertas, oferecendo diversos serviços e atendimento multidisciplinar para pacientes com diferentes transtornos mentais. No HU-UFJF, o CAPS Liberdade nasceu há 18 anos, lembra Sabrina Barra, chefe da Unidade Psicossocial do HU-UFJF, estruturado por meio da residência médica em psiquiatria, surgindo de uma trajetória acadêmica, inicialmente da formação médica.
A residência em psiquiatria do HU-UFJF é um serviço já consolidado e participou ativamente desse processo histórico de reforma psiquiátrica em Juiz de Fora e da rede de atenção, assegura Alexandre de Rezende, médico, professor e supervisor do programa de residência médica em psiquiatria da instituição. Como reitera o profissional, o CAPS HU é pioneiro em Juiz de Fora, junto com o CAPS Casa Viva.No Brasil como um todo, no início dos anos 2000, estava em discussão essa mudança da assistência, da substituição do hospital psiquiátrico para os serviços comunitários.
O CAPS foi o grande personagem dessa época. Na cidade, a Unidade Básica de Saúde era a porta de entrada, e existiam centros regionais, de onde os pacientes eram encaminhados para diversos ambulatórios (transtorno de ansiedade, humor, paciente psicótico, dependência química) e tinham também o CAPS Casa Viva e o CAPS HU. Nesse momento, numa época em que o CAPS começou a funcionar sem ainda ser credenciado, tínhamos somente esses dois. “Assim, o CAPS HU foi pioneiro na cidade. Já havia essa ideia de ter o paciente que vinha no acompanhamento ambulatorial mais grave necessitando de atenção mais próxima, diária, então a equipe, naquele momento, absorveu o que tinha de tendência no Brasil, que era a implantação desse serviço substitutivo, e fez essa proposta”, explica Alexandre.
Além da residência médica em psiquiatria, o CAPS hoje conta com a residência multiprofissional em saúde mental. Ela surge da necessidade de uma maior participação de outras unidades acadêmicas no CAPS. Conforme Sabrina Barra, “nós procuramos parcerias nas unidades acadêmicas, e assim nasceu o programa de residência em saúde mental com 18 bolsas, um programa robusto, construído em parceria com a rede de saúde mental, temos residentes em vários CAPS em Juiz de Fora. Já estamos formando a terceira turma, e é muito importante para os outros serviços também terem os residentes, acho de uma importância histórica”, ressalta. Além da residência, há projetos, estágios e programas de treinamento profissional para alunos da graduação e pós-graduação na área multi, além de acompanhamento da Liga Acadêmica de Saúde Mental.
O CAPS hoje atende pacientes graves, quase a metade moradora de residências terapêuticas, usuários que vieram de hospitais psiquiátricos que fecharam em Juiz de Fora e não puderam voltar para as suas famílias. Nos ambulatórios, são assistidos pacientes com transtorno médio e leve.