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ATENÇÃO INTEGRAL
Ambulatório multiprofissional oferece tratamento para dores crônicas
O Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF/EBSERH) iniciou o atendimento do novo Ambulatório Multiprofissional de Dor, que oferece uma abordagem completa a pacientes portadores de dores crônicas. São caracterizadas como crônicas as dores persistentes, que superam quatro meses de duração mesmo após o tratamento. Elas também podem causar crises intermitentes, como explica Gláucia Vieira, fisioterapeuta e preceptora do ambulatório: “Muitas vezes o paciente não faz o tratamento que deveria ou, quando o faz, persiste algum resquício. Quando isso acontece, essa dor passa a ser crônica e a pessoa carrega essas dores por toda a vida”, expõe.
Entretanto, as dores crônicas não estão somente ligadas ao modelo biomédico, relacionado diretamente à doença. Em vista disso, o novo ambulatório oferece atendimento biopsicossocial, que considera fatores somáticos, biológicos, psicológicos, sociais e emocionais como parte do processo da dor. Isso, de acordo com a fisioterapeuta e preceptora do ambulatório Anna Paula Sarchis, faz com que o paciente seja cuidado na sua integralidade.
A fisioterapeuta Gláucia exemplifica esse processo na prática: “Se uma pessoa tem uma lombalgia (que é uma dor na região lombar), não propriamente ela tem uma lesão na área. Essa lombalgia pode ser exacerbada por um problema emocional. Às vezes, a pessoa está passando por algum problema e acaba sentindo mais dor naquele local - trata-se de um aspecto psicológico. Ou, vamos supor, ela está passando por um problema financeiro e não tem alimento em casa - é uma questão social. A pessoa começa a desenvolver uma dor, que se torna crônica, e aquela situação faz com que ela sinta ainda mais dor”, esclarece.
Implementação do modelo de tratamento
Para que o modelo de tratamento fosse implementado foi formada uma equipe multiprofissional, que conta, atualmente, com três residentes de áreas distintas (psicologia, assistência social e fisioterapia), com as preceptoras Anna Paula Sarchis e Gláucia Vieira e a tutora Claudia Marmora, professora da Faculdade de Fisioterapia da UFJF.
A demanda para a criação do novo ambulatório veio diretamente das residentes, que acreditam ser de essencial saber mais sobre as dores crônicas. A preceptora Anna Paula acredita que as futuras profissionais só têm a ganhar com o aprendizado no ambulatório: “Nós precisamos educar o profissional, porque se ele não entende que a dor tem todos esses componentes, que precisam ser avaliados e tratados, ele será fadado ao fracasso. O modelo biomédico não cabe mais em lugar nenhum, nós estamos avançando nesse quesito. Essa construção do aprendizado está sendo muito importante para o crescimento profissional dos residentes”, defende.
Atendimento
Os pacientes acompanhados pelo ambulatório multiprofissional são atendidos pela Clínica da Dor, e o encaminhamento é feito a partir de critérios pré-estabelecidos. Já no ambulatório, há uma ficha interprofissional, que engloba todos os aspectos da dor, e que pode ser preenchida por qualquer um dos profissionais envolvidos no atendimento.
Os casos tratados são analisados e discutidos pela equipe que, conjuntamente, define os próximos passos a serem seguidos em relação a cada paciente. Caso seja observada a necessidade de uma abordagem multiprofissional, um novo atendimento é agendado junto ao ambulatório, e o paciente passa a ser acompanhado quinzenalmente durante três meses.
Educação em Saúde
Além disso, mensalmente, os pacientes amparados participam de uma reunião de Educação em Saúde, na qual são abordadas várias temáticas relacionadas à dor, como aspectos nutricionais, psicológicos e sociais. No primeiro encontro, o tema discutido foi Educação em Dor. Em grupo, os assistidos relataram as atividades em que sentem maior e menor dor, debateram sobre o que causaria esse sofrimento e foram orientados a buscar mecanismos individuais para alívio da dor.
“Nessa forma de trabalho, nós informamos aos pacientes os motivos de eles sentirem isso há tanto tempo e quais fatores influenciam a permanência dessas dores. Assim, fazemos com que eles ressignifiquem a dor e façam com que ela diminua”, esclarece Anna Paula Sarchis.
Uma das pacientes atendidas pelo ambulatório, Vanice de Aguiar, acredita que essa experiência será enriquecedora para todos: “Vai ser muito bom para nós, eu tenho certeza disso! Nós vamos nos sentir muito melhor, vamos sair daqui muito melhor do que entramos”, celebra.
Bolsista: Leandro Carneiro.