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PROTEÇÃO
Segurança e apoio: conheça a equipe de Vigilância do HU-UFJF
Juiz de Fora (MG) – O fluxo de pessoas é intenso no dia a dia das unidades do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), gerido pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). E, para manter a segurança de todos, a equipe de vigilantes está preparada para entrar em ação. Mas qual é a verdadeira função de um vigilante?
O profissional é responsável por proteger a vida das pessoas e dos bens materiais presentes num determinado local. “Se acontecer algum caso de agressão, furto ou princípio de incêndio dentro da instituição, temos que intervir”, explica Ângelo Santana, que atua no Centro de Atendimento Psicossocial (Caps).
Apesar de desafiador, o trabalho dos vigilantes é essencial para o funcionamento do HU. A seguir, conheça alguns dos membros da equipe que zelam pelo bem-estar do Hospital Universitário. No total, são 18 vigilantes que trabalham em turnos diurno e noturno, de oito horas no Caps e no modelo de escala 12 por 36 no Ambulatório do Dom Bosco e na Unidade Santa Catarina.
A chave é sempre ouvir
Brendow Vale, 28 anos, chega na Unidade Dom Bosco do HU às 6h e começa a sua rotina fazendo a primeira ronda do dia. “Fazemos uma vistoria do hospital inteiro para checar se tem algo fora do lugar ou quebrado. Também é nossa responsabilidade abrir as salas do bloco C, incluindo 1° e 2° andares, e cuidar do sistema de monitoramento do hospital”, relata o vigilante.
Ele também acompanha e gerencia ocorrências na unidade, como pequenos furtos. Nestes casos, a primeira providência é checar as câmeras de segurança e, se confirmado, acionar a Polícia Militar.
Outra situação possível é o desentendimento entre pacientes e profissionais. Algumas pessoas demonstram muita ansiedade durante a espera pelo atendimento. Por isso, a chave para controlar o problema é manter a calma, como relata Brendow: “A nossa conduta nesses casos é ouvir os dois lados. Eu, particularmente, nunca aumento a voz com o paciente. Tento acalmá-lo, falando o mais baixo possível”.
Ronda noturna
Durante o período noturno, Pedro da Silva, 45 anos, é um dos responsáveis pela vigilância no HU Dom Bosco. Ele está no Hospital Universitário há 10 anos e, nesse meio tempo, atuou na Unidade do Santa Catarina e do Dom Bosco no turno do dia.
A madrugada possui algumas particularidades e, por isso, o profissional precisa estar preparado. “Trabalhar à noite é para os fortes (brinca). Para quem não está acostumado, é complicado. Normalmente, é bastante silencioso, por isso mesmo, qualquer barulho pode assustar e você precisa checar”, pontua Pedro.
O vigilante inicia seu turno às 18h, mas é quando o hospital fecha, às 22h30, que a sua função principal começa. A partir deste horário, as pessoas não têm mais acesso livre para circular no local, nem mesmo os funcionários. Por isso, eles precisam acompanhar, caso alguém retorne por ter esquecido ou perdido algum item.
Cuidar da área externa também é uma das tarefas de Pedro. Ele relata que é comum casais aparecerem de madrugada para tirar fotos no mirante ou namorar. O procedimento, nesses casos, é orientar que não pode ficar no local. “É preciso ter jogo de cintura, tratar bem essas pessoas e lidar com a situação com tranquilidade”, contextualiza.
Por volta das 4h, o espaço começa a ficar movimentado com a chegada de pacientes. Os profissionais da vigilância explicam que, mesmo chegando cedo, não é permitida a entrada antes do horário de abertura do hospital, às 7h.
Tanto no período da noite quanto do dia, é preciso entender que todos passam por realidades diferentes, sendo importante se colocar no lugar do outro. Um exemplo relatado por Pedro é a história de um casal de idosos que esperava pela van para retornar à cidade onde moram. Já passava do horário de fechar o hospital, então ele decidiu convidá-los para aguardar a chegada do transporte na sala da vigilância. “Eles tomaram um café e comeram um biscoitinho. Hoje em dia, quando eles vêm aqui no HU, perguntam sempre por nós”, relembra.
Descontração com os pacientes
A vigilância também exige equilibrar a formalidade da função com a leveza, como é o caso de Ângelo Santana, 35 anos. Ele trabalha no HU-UFJF há três anos, mas está há cerca de sete meses atuando no Caps.
Ângelo relata que os pacientes regulares da instituição normalmente são mais tranquilos. As ocorrências mais comuns acontecem com pessoas que vão ao centro pontualmente. Mesmo assim, o profissional lida facilmente com a situação, “são raros os casos em que preciso intervir. Na maioria das vezes, não é necessário falar nada, eles nos veem e respeitam”.
Apesar desses desafios, o clima no Caps costuma ser descontraído, principalmente na recepção e área de convivência. “Eles fazem muitas brincadeiras, não dá pra trabalhar de cara amarrada. Você tem que impor respeito, claro, mas é uma interação mais descontraída”, comenta o vigilante.
Além dos pacientes, Ângelo tem uma boa relação com o seu colega de posto e com outros funcionários da unidade, “a gente acaba criando um laço de amizade”.
Cuidado e formação
O trabalho da vigilância na Unidade do Santa Catarina também é desafiador. Aparecido Souza, 33 anos, explica que a recepção é um ponto crítico, com um fluxo grande de pessoas. Acontecem diversas situações, como acompanhantes de pacientes que chegam fora do horário de visita. O hospital exige muita atenção no controle da entrada e saída.
Além de fiscalizar a entrada, os vigilantes também fazem rondas, verificando os leitos e a área de carga e descarga. Eles trabalham cuidando do patrimônio e também zelando pelas pessoas, destaca Aparecido. “O bem material a gente consegue repor. Mas o bem maior que a gente preza na área da segurança é a vida”, reforça.
Por se tratar de um ambiente hospitalar, Aparecido destaca que é preciso ter empatia ao lidar com o público do Santa Catarina. A unidade recebe pacientes em situações complexas e, em alguns casos mais graves, podem vir a óbito. “É um ambiente muito sensível. A gente tenta se colocar no lugar do outro, e muitas vezes as pessoas não estão preparadas para isso”, complementa.
A profissão exige um preparo para lidar com estas circunstâncias. Para assumir o cargo, é necessário concluir o Curso de Vigilância Patrimonial, com carga horária de 200h. A formação inclui aulas de primeiros socorros, combate a incêndio, técnicas de defesa pessoal, manuseio de armamento e prática de tiro. Também deve ser feita uma reciclagem a cada dois anos.
Aparecido ainda é formado em Gestão de Segurança Pública e já trabalhou no Exército por oito anos. Ele sempre quis ter uma profissão que zelasse pela vida dos outros: “via profissionais de segurança pública atuando e achava muito bonito”, conta.
Trabalho em equipe
Ao longo desta reportagem, foi demonstrado como o trabalho dos vigilantes é fundamental para o bom funcionamento do HU-UFJF. Apesar da função aparentar ser um trabalho solitário no dia a dia, somente através do alinhamento em equipe é possível fazer da instituição um local mais seguro para todos.
Pedro destaca que a equipe de vigilantes é muito boa e conta com uma gestão que sempre dá atenção quando precisam. “Todos são muito qualificados e empenhados”, comenta. Aparecido afirma que a chave está no respeito mútuo, fazendo o ambiente de trabalho ser mais agradável: “Sempre falo que é importante termos essa amizade, porque não conseguimos estar em todos os lugares ao mesmo tempo”, completa.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Alice Lannes e Renata Guarino (estagiárias) sob supervisão de Alessandra Gomes