Notícias
NOVEMBRO LARANJA
Profissionais alertam sobre relação entre perda auditiva e demência
Juiz de Fora (MG) – Em celebração ao Novembro Laranja, mês de conscientização sobre a saúde auditiva, profissionais do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realizaram salas de espera nos ambulatórios da instituição sobre o tema. A ação foi um momento educativo e de troca entre equipes e usuários, a respeito da ligação entre perda auditiva e risco de demências, incluindo o Alzheimer.
Os problemas auditivos, quando não tratados, podem piorar progressivamente a audição, levando a consequências também cognitivas, sociais e emocionais. No caso dos problemas cognitivos, a diminuição da sensibilidade auditiva faz com que o cérebro receba menos estímulos sonoros e perca a habilidade de interpretá-los, explica Sirlei Mariano, fonoaudióloga do HU-UFJF.
As equipes dos Serviços de Fonoaudiologia e Otorrinolaringologia junto com residentes e acadêmicos da Liga de Otorrinolaringologia (LAORL) conversaram com pacientes e acompanhantes que aguardavam nas recepções dos ambulatórios. Foram abordados o conceito de perda auditiva e a relação desta com isolamento social, risco de declínio cognitivo e demência, além de sinais de alerta para identificá-la. Houve também um momento lúdico, com um minijogo de mitos e verdades e, ao final, os profissionais reforçaram informações importantes, como quando procurar avaliação e tratamento.
“O conteúdo que estamos usando nas abordagens foi estruturado a partir de revisões e estudos recentes que mostram a perda auditiva como fator de risco modificável para demência, e que o uso de aparelhos auditivos e outras formas de reabilitação podem reduzir o risco de declínio cognitivo a longo prazo”, contextualiza Lucas Escarião, residente de Otorrinolaringologia.
Para o acadêmico Felipe Monteiro, que participou do trabalho, “foi uma experiência muito enriquecedora para a formação dele e dos colegas. Esse contato mais próximo com os pacientes permite maior liberdade para conversar e entender as dúvidas que eles têm”. Ele reforçou a relevância de abordar o tema com a população: “As pessoas atribuem a perda auditiva como algo normal, que faz parte do processo de envelhecimento. Por isso, ações como essa são importantes para conscientizar os pacientes e ressaltar a relevância do acompanhamento profissional”.
Quem estava nas salas de espera durante a ação interagiu com a equipe e tirou dúvidas. Michelli Zamperlim, 40 anos, foi ao HU para acompanhar o pai em uma consulta ao pneumologista: “Acredito que a abordagem feita pode ajudar muitas pessoas que estejam passando por situações como essa. A explicação feita sobre a perda auditiva, associando à perda de memória, orienta quem precisa saber como lidar e como buscar o tratamento correto”.
Relação entre saúde auditiva e memória
A audição permite ao indivíduo perceber, identificar e localizar os estímulos sonoros e é indispensável para que ocorra uma comunicação eficiente, estabelecendo relações e o desenvolvimento linguístico e psicossocial.
O ato de ouvir é uma habilidade desenvolvida pelo ser humano a partir das experiências vivenciadas com os estímulos sonoros do seu meio ambiente e depende da integridade dos sistemas envolvidos. Essa habilidade auditiva ocorre desde a captação do som pela orelha externa, passando pela orelha média até chegar na orelha interna, em que ocorre a análise e a interpretação dos estímulos sonoros.
“Com a redução da capacidade auditiva, o cérebro faz mais esforço para ouvir, sobrecarregando outras funções cognitivas. Essa dificuldade deteriora a comunicação, especialmente em ambientes ruidosos, gerando a necessidade constante de pedir repetição e, frequentemente, resultando em conflitos familiares e isolamento social. E evitar interações sociais pode ser um vetor para distúrbios emocionais graves, como ansiedade, depressão e baixa autoestima”, ressalta a fonoaudióloga Sirlei.
Além disso, a falha no sistema auditivo ocasiona em riscos de segurança, como a dificuldade para ouvir alarmes, buzinas, gerando maior risco de acidentes. Em crianças, acarreta atraso na aquisição e desenvolvimento da fala e da linguagem, dificuldades de aprendizagem e atenção, prejudicando o desempenho escolar.
Sinais de alerta
A condição de perda da função auditiva é caracterizada por alguns sintomas relacionados à dificuldade em ouvir sons agudos, como campainhas. Outros sinais incluem: dificuldade em compreender as palavras, falar muito alto, sensação de ouvido tapado, ouvir pequenos zumbidos, necessidade de aumentar o volume da TV ou rádio, dificuldade em conversar no telefone, intolerância a sons muito intensos, isolamento social e depressão.
Os profissionais orientam que, ao identificar esses sintomas, é necessário procurar uma avaliação profissional. “A perda da audição possui tratamento e cuidar da saúde dela também é uma forma de cuidar da memória”, pontua o residente Lucas.
Serviços oferecidos no HU
Exame de Audiometria Tonal Limiar
É fundamental na avaliação audiológica, já que pesquisa o limiar auditivo, determinando a menor intensidade sonora necessária para que o indivíduo perceba e responda aos estímulos sonoros apresentados. É realizada em adultos e também em crianças que conseguem responder corretamente aos estímulos sonoros.
Logoaudiometria (audiometria vocal)
O exame de Audiometria Tonal Limiar, além da pesquisa das vias aérea e óssea, inclui a Logoaudiometria, realizada após a determinação dos limiares tonais. Avalia o índice percentual de reconhecimento de fala (IPRF), limiar de reconhecimento de fala (SRT) e o limiar de detecção de voz (LDV).
Medidas de Imitância Acústica – Imitanciometria/Timpanometria
Permite avaliar as condições da orelha média e da tuba auditiva, fornecendo informações sobre a integridade funcional da membrana timpânica e da cadeia ossicular. Avalia também a presença ou ausência do reflexo do músculo estapédico que irá auxiliar no topodiagnóstico da perda auditiva.
Exame Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico – PEATE/BERA
O Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico é um exame audiológico que avalia a integridade auditiva, registrando a atividade elétrica que ocorre no sistema auditivo em resposta a um estímulo auditivo, desde a orelha interna até o córtex cerebral.
A sigla utilizada para designar os potenciais evocados auditivos é ABR (Auditory Braisntem Response). BERA (Braisntem Evoked Response Audiometry) é a sigla utilizada no Brasil para designar a audiometria de tronco encefálico. Esse exame é indicado quando o paciente não pode ou não consegue responder a audiometria convencional e no diagnóstico e monitoramento de comprometimentos otológicos e neurológicos. Para realizar esse exame o paciente precisa estar dormindo, em sono natural, ou sob sedação.
Exame de Vectoeletronistagmografia
É um conjunto de procedimentos que avalia a função do sistema vestibular (equilíbrio) e as doenças do labirinto (labirintite). Esse exame é indicado quando o paciente apresentar: tonturas, vertigens, zumbido no ouvido, alteração do equilíbrio, alterações auditivas, síndromes neurológicas e transtorno das habilidades escolares.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF) faz parte da Rede Ebserh desde 2014. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Alice Lannes (estagiária) sob supervisão de Alessandra Gomes