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MARÇO AMARELO
Saiba mais sobre a doença que afeta 1 em cada 10 mulheres
A campanha Março Amarelo é importada dos Estados Unidos. Foi oficializada a partir de 1993, por uma associação de mulheres, que buscavam orientar e dar suporte a mulheres que sofriam de endometriose. No Brasil, estima-se que pelo menos 8 milhões sofram com a doença e boa parte não saiba.
De acordo com o Ministério da Saúde, endometriose é uma modificação no funcionamento normal do organismo em que as células do tecido que reveste o útero (endométrio), em vez de serem expulsas durante a menstruação, se movimentam no sentido oposto e caem nos ovários ou na cavidade abdominal, onde voltam a se multiplicar e provocam sangramentos.
O Sistema Único de Saúde (SUS) registrou, nos últimos três anos, aumento de aproximadamente 76,24% nos atendimentos na atenção primária relacionados ao diagnóstico da endometriose. Em 2022, foram realizados 82.693 atendimentos, subindo para 115.765 em 2023, e os dados preliminares de 2024 atingiram a marca de 145.744 atendimentos.
O Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) realiza o acolhimento de pacientes com a doença, no ambulatório de ginecologia geral, após encaminhamento da regulação.
André Lanza, ginecologista e obstetra do HC-UFU, conta que a endometriose pode atingir até 1 em 10 mulheres, mas só uma pequena parte necessita de tratamento cirúrgico. Esses casos mais graves são encaminhados para o ambulatório de pré-operatório. “A maioria das pacientes vai ficar estável apenas com anti-inflamatórios e tratamento hormonal, feito comumente com pílulas anticoncepcionais. Por isso, geralmente, iniciamos o manejo antes de um diagnóstico definitivo, através da suspeita clínica”, comentou o médico.
O diagnóstico precoce, através de consultas regulares ao ginecologista, é a melhor maneira de prevenção, já que a doença é de difícil diagnóstico. Segundo o Ministério da Saúde, a identificação da endometriose e o início do tratamento adequado podem levar em média de seis a sete anos. Procurar atendimento médico em casos de dores pélvicas é a principal recomendação dos especialistas.
“A endometriose tem caráter genético, portanto mulheres que têm na família casos de endometriose têm mais risco. Atualmente, a maioria das teorias acredita que as pessoas já nascem com focos de endometriose e vão desenvolvendo ao longo da vida, podendo agravar e causar mais sintomas de endometriose, em situações como cesarianas e obesidade. Mas, não há como prevenir o aparecimento da endometriose”, contou o ginecologista.
Por ser uma doença crônica, a paciente com diagnóstico de endometriose pode precisar lidar com a doença até a menopausa. Portanto, é imprescindível não esperar um tratamento mágico, que irá oferecer uma cura em definitivo. “Mesmo a cirurgia, que pode ser mais ou menos extensa e agressiva, com possibilidades até da retirada do útero e dos ovários (o que tem mais sequelas), pode não resolver em 100% o quadro de dor clínica e não trazer alívio em definitivo para a paciente. Por isso, é necessário fazer uma abordagem múltipla e multiprofissional, a longo prazo, envolvendo melhora na qualidade de vida, medicação e, na minoria dos casos, também cirurgia”, explicou o médico.
“Iniciar uma terapia medicamentosa com anti-inflamatórios e regulação hormonal, e em paralelo, melhorar o estilo de vida com atividade físicas, tanto aeróbica, quanto atividades de força, pode ajudar no manejo da dor, além de estar atento à alimentação saudável, balanceada com a base de plantas e vegetais, sem muitos alimentos ultraprocessados. Há evidências que a melhoria na qualidade de vida ajuda a regular o componente inflamatório da endometriose e no alívio da dor”, finalizou André Lanza.
Rede Ebserh
O HC-UFU faz parte da Rede Ebserh desde maio de 2018. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Redação: Pollyana Freitas