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FEVEREIRO LARANJA
Mês de conscientização da leucemia traz alerta importante
O mês de fevereiro tem datas importantes: o Dia Mundial do Câncer, que foi lembrado dia 04/02, e o mês todo recebe a cor laranja, para conscientizar sobre a leucemia. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) divulgou no dia 04/02 que o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano, entre 2026 e 2028. No mundo, cerca de 35,3 milhões de novos casos de câncer devem ser registrados por ano até 2050.
O Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realiza acompanhamento de pacientes com câncer no Hospital do Câncer, como é conhecido o setor de oncologia do HC-UFU. Em 2025, foram atendidos 10.239 pacientes, totalizando mais de 80 mil consultas realizadas.
Os canceres das células sanguíneas da medula óssea, em sua maioria os glóbulos brancos, são chamados de leucemia. Estima-se, para 2026 a 2028, 12.220 novos casos de leucemia no Brasil, sendo 6.540 homens e 5.680 mulheres para cada ano do triênio, segundo o INCA. O HC-UFU realizou somente no ano passado (2025) mais de 2,1 mil (2.170) consultas e acolheu 253 pacientes internados com leucemia.
Sintomas
“Existem dois grandes grupos de leucemias: as leucemias agudas e as leucemias crônicas. As leucemias agudas se manifestam através da parada de produção do sangue, pela infiltração da medula óssea por células leucêmicas. A consequência dessa ‘parada de produção do sangue’ é que o paciente desenvolve uma anemia aguda. Então, geralmente, o paciente apresenta sintomas de anemia: palidez, fraqueza e indisposição. A instalação é bem rápida, em questão de dias o paciente se torna anêmico, e com anemia forte. Então, são sintomas inespecíficos”, afirma Elmiro Ribeiro Filho, médico hematologista no HC-UFU.
“Na leucemia aguda, as plaquetas caem bastante. Isso traz, como consequência, os sangramentos. E o paciente passa a ter sangramento espontâneo: na gengiva, no nariz e sangramentos na pele. Alguns pacientes têm também sangramento ao urinar ou sangramento do intestino. Outro sinal de atenção são as febres. Muitos pacientes com leucemia apresentam febre. Febre associada a sintomas de anemia, e associada a alterações que sugerem deficiência na plaqueta, como os sangramentos, são sinais muito indicativos de leucemia aguda. O paciente precisa procurar atendimento rápido, em urgência, no pronto-socorro”, alerta o médico.
Fatores de risco
“A leucemia aguda é uma doença que pode acontecer a qualquer pessoa, por mais saudável que seja, em qualquer momento da vida. Eu já tive pacientes com leucemia aguda com 15 dias de vida e com mais de 90 anos. A leucemia aguda, na maioria das vezes, vem de forma aleatória, sem nenhum motivo aparente. O paciente está bem e no dia seguinte acorda com a leucemia aguda. Eu sempre explico dessa forma para o paciente. Não é uma doença de cunho hereditário. Existem alterações genéticas, mas o fato de ter uma pessoa na família com leucemia não faz com que os familiares tenham maior risco. Porém, todos nós estamos sujeitos à doença, e isso não se aplica só a leucemias agudas e crônicas, mas também outros tumores hematológicos, como o linfoma, o mieloma. Qualquer pessoa pode desenvolver”, explica Elmiro.
Tratamento
O HC-UFU oferta o tratamento para leucemias agudas e crônicas disponibilizado no SUS: quimioterapia endovenosa, principalmente para as leucemias agudas; quimioterapia oral, para muitas das leucemias crônicas, e a quimioterapia subcutânea, em alguns momentos do tratamento. A quimioterapia é o tratamento padrão das leucemias. Alguns casos de leucemias agudas, principalmente algumas apresentações da linfoide aguda, podem, em algum momento, precisar de radioterapia, que também está disponível no HC-UFU.
“O tratamento da leucemia aguda sempre é iniciado pela quimioterapia. O paciente elegível ao transplante de medula óssea é aquele que já controlou a leucemia com a quimioterapia. O transplante de medula óssea é um outro tipo de tratamento, que a gente emprega para alguns tipos das leucemias agudas, mas não são todas as leucemias agudas que tem indicação de transplante de medula. É feita uma classificação, de acordo com o tipo de leucemia e com o risco, para verificar se aquele paciente vai se beneficiar do transplante. Então, a gente seleciona, analisa e estratifica o paciente e vê aquele que vai se beneficiar futuramente do transplante, após a quimioterapia. Aí existe o protocolo de quimioterapia e, dentro das fases do protocolo de quimioterapia, a gente vê o momento adequado de se fazer o transplante”, alerta o especialista.
“Cada leucemia tem dois grandes grupos de leucemias agudas: as linfóides agudas e as mieloides agudas. Os protocolos de tratamento das linfóides agudas são mais extensos: em média entre um ano até dois anos de protocolo de quimioterapia. O protocolo de tratamento da leucemia mieloide aguda é mais curto: em seis a oito meses, geralmente, é feito o tratamento quimioterápico do paciente. Uma equipe multidisciplinar, bem treinada, focada e disposta, faz toda a diferença no tratamento do paciente”, aponta Elmiro. No HC-UFU, a equipe é composta com técnicos de enfermagem, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, profissionais da odontologia, psicologia, terapia ocupacional e assistente social.
Pós-tratamento
Feito o tratamento da quimioterapia, se o paciente não precisar de transplante de medula óssea, o paciente termina o tratamento quimioterápico, mas continua fazendo o acompanhamento. “Assim como no câncer de mama, a gente também aplica o conceito de cinco anos sem atividade da doença para considerar um paciente curado de leucemia. Nesse acompanhamento, são feitas consultas e exames de sangue periódicos no ambulatório, a cada dois a quatro meses. Se, em até cinco anos, a doença não reincidir, a chance de voltar depois é pequena. Mas, ainda existe”, finalizou o hematologista.
Rede Ebserh
O HC-UFU faz parte da Rede Ebserh desde maio de 2018. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Redação: Pollyana Freitas
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh