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HC-UFTM inaugura sinos da vitória e da perseverança, na Central de Quimioterapia
A tarde de 12 de novembro foi repleta de emoção na Unidade Dona Aparecida do Pênfigo, onde funciona a Central de Quimioterapia do Hospital de Clínicas da UFTM. Quatro pacientes com sorriso no rosto e lágrimas nos olhos inauguraram dois instrumentos que, na maioria das vezes, são como relógios das igrejas: os sinos.
O Sino da Perseverança passa a representar a força do paciente em tratamento de câncer na unidade hospitalar. “Aguente firme! Dia após dia, de conquista em conquista, estaremos juntos até a vitória final!”. O outro instrumento, também dourado, é destinado ao fim do tratamento, a tão desejada alta, num toque de acolhimento e comemoração. “Celebre a vida! A vitória chegou! Sorria, cante, dance... viva! Deu tudo certo!”, estimula o texto junto ao Sino da Vitória.
Para que o evento pudesse ocorrer, houve uma campanha promovida pelo Grupo de Trabalho e Humanização (GTH) do Hospital de Clínicas para adquirir os sinos, que foram doados por pessoas da sociedade civil de Uberaba. Conseguidos os instrumentos, chegou a hora de organizar o momento tão aguardado por quem frequenta a unidade de tratamento.
Atualmente afastada do trabalho como auxiliar de serviços gerais por conta de um linfoma, Jandira Cândida do Espírito Santo, (60), natural de Tiros/MG, começou as sessões em junho de 2021. Ela foi uma das pacientes que encerraram a quimioterapia balançando efusivamente o Sino da Vitória. Emocionada, conta que frequentava a Unidade Dona Aparecida do Pênfigo em períodos de 21 dias, e na inauguração do sino, encerrou-se o ciclo. Ela relata as dificuldades daqueles dias.
“Eu não estava me alimentando mais, achei que não ia aguentar [os sintomas da enfermidade]. Comecei o tratamento, passei mal na primeira quimio, mas eles [a equipe] fazem os trâmites aqui e a gente volta a ficar boa de novo. Falei para minha filha: ‘Acho que estou me sentindo melhor da doença’”, relembra Jandira. Os badalos no sino marcaram sua oitava e derradeira sessão. Ela voltará em janeiro de 2022 para continuar o acompanhamento.
A superintendente substituta do Hospital de Clínicas, Heloisa Shih, avaliou o momento como uma celebração pelo trabalho desenvolvido na unidade. De acordo com Shih, o HC procura ver o paciente como um todo e ensinar os alunos em formação a terem a mesma abordagem. “A equipe se empenha muito. Essa vitória, é claro que é dos pacientes. Nenhum chega nesse momento sem se empenhar muito, sem sofrimento, mas a equipe sofre junto, trabalha junto. Cada paciente [que] toca o sino, toca o coração da equipe como um todo, dá força para fazer todo dia melhor”, disse.
Presente à solenidade, o chefe da Unidade de Oncologia, Hematologia e Hemoterapia (UOHH) do HC, Leonardo Rodrigues de Oliveira, destacou a importância da simbologia criada pelos sinos. “Não temos aqui no nosso meio nada que represente o fim de uma trajetória boa, que é o fim do tratamento e o estabelecimento do diagnóstico de cura. Essa simbologia que foi criada é tão importante para a equipe de assistência e muito mais importante para o paciente, traz para a gente essa renovação de forças e esperanças”, considerou.
Quem também aplaudiu o sucesso da iniciativa de implementação dos sinos foi Luana Pereira Barbosa, coordenadora do GTH: “Nada se compara ao dia de hoje, que faz a diferença na vida dessas pessoas que entendem que isso é uma celebração da vitória. A gente conseguiu atender ao desejo dessa equipe, que era um sonho de muitos da Central de Quimio, e só conseguimos com a ajuda de todos”, comemorou a fisioterapeuta.
Mostra de Artes
Carro de boi (com os animais puxando a carroça cheia de toras), fornos à lenha, mesas, fusquinha, bicicleta... O universo dos adultos em miniatura, sob os olhos de Célio Donizet Motta (59), pedreiro. Com muita paciência e dedicação, munido de canivete, ele dá formas aos pedaços de madeira oriundos de podas das árvores do quintal de casa.
Ele encontrou uma forma positiva de conferir contornos artísticos aos objetos de outras épocas, dando uma rajada de ânimo no tratamento contra o câncer de próstata. Célio exibiu orgulhoso na tarde do dia 12 o certificado de participação na mostra de artes produzidas por pacientes da unidade hospitalar, entregue por Paulo Estevão Pereira, terapeuta ocupacional da UOHH.
No terceiro trimestre de 2021, a Central de Quimioterapia do Hospital de Clínicas da UFTM realizou mais de 2,3 mil consultas, resultando em mais de 1,3 mil administrações de terapia anticâncer por quimioterapia, imunoterapia ou hormonioterapia.
Unidade de Comunicação HC-UFTM