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ATENÇÃO À SAÚDE
HC é referência no tratamento do HIV desde 1994
Prof. Dalmo Correia Filho; terapeuta ocupacional Hélia Morais Assis; enfermeira Ana Cintia Ribeiro da Silva; psicóloga Patrícia Carvalho; assistente social Cacildo Neto e o responsável técnico pelo tratamento de HIV/Aids na macrorregião, Rodrigo Juliano Molina / Foto: João Pedro Vicente/HC-UFTM
No dia 1.º de dezembro, celebra-se o Dia Mundial de Luta contra a Aids. Desde os anos 1980, foram notificados 798 mil casos de infecção pelo vírus no Brasil. A epidemia no país está estabilizada, com taxa de detecção em torno de 19,7 casos a cada 100 mil habitantes. Isso representa cerca de 40 mil novos casos ao ano. O coeficiente de mortalidade por aids caiu 13% na última década: de 6,4 mortes por 100 mil habitantes, em 2003, para 5,7 mortes a cada 100 mil pessoas, em 2014.
Brasil registra queda na detecção e mortalidade por aids
Em 1986, o Hospital de Clínicas da UFTM iniciou o atendimento ambulatorial de pacientes com HIV. No ano de 1994, a instituição tornou-se referência no tratamento da doença na região Triângulo Sul do Estado de Minas Gerais. Mais de duas décadas depois, o HC atende, em ambulatório, a em média 150 pacientes com HIV por semana - o retorno acontece mensalmente para consultas, realização de exames e recebimento de receita para retirada da medicação que combate o vírus.
“Muito se evoluiu no que diz respeito ao tratamento, nesse período. No início dos anos 90 havia poucas opções de remédios, com alta toxicidade. O paciente chegava a tomar mais de 40 comprimidos por dia. Hoje, os fármacos de primeira linha apresentam baixa toxicidade e nos casos de pacientes que iniciam o tratamento, é necessário tomar um único comprimido diário”, compara o infectologista Dalmo Correia Filho, que é professor na UFTM e atua na Unidade de Doenças Infecciosas e Parasitárias do HC - Udip.
Correia Filho explica que, além do atendimento ambulatorial, no qual as pessoas vivendo com HIV realizam o acompanhamento de seu quadro de saúde, o Hospital de Clínicas também possui um setor específico para internação de pacientes com complicações. Trata-se da Udip, onde uma equipe multiprofissional oferece tratamento a pacientes com HIV e doenças oportunistas, como tuberculose, neurossífilis e toxoplasmose. O setor possui terapeutas ocupacionais, enfermeiros, psicóloga, assistentes sociais, odontólogos, fisioterapeutas, médicos e residentes.
Na Udip há nove leitos, com taxa de ocupação de 95,7% e taxa de permanência de 12,7 dias, segundo dados de outubro de 2015. Depois da alta, uma equipe de assistentes sociais, psicóloga, terapeuta ocupacional e residentes multiprofissionais realizam visitas domiciliares durante em média três meses, a fim de acompanhar a adesão dos pacientes ao tratamento.
Protocolo terapêutico
“O acesso precoce aos antirretrovirais, política adotada pelo Brasil em 2013, melhora a qualidade de vida das pessoas vivendo com o vírus,”, avalia o infectologista Rodrigo Juliano Molina, que atua no HC-UFTM e é responsável técnico pelo tratamento de HIV/Aids na região Triângulo Sul de Minas Gerais.
Molina e Correia Filho salientam que os casos mais graves, que geram internação na Udip, são característicos de pacientes que desenvolveram resistência viral à medicação, devido a falhas e abandono do tratamento, ou mesmo casos diagnosticados tardiamente, nunca tratados e que chegaram a estágios avançados.
“Em pacientes com boa adesão, o estado de saúde é preservado, por meio da supressão da carga viral, além do restabelecimento do sistema imunológico. Isso favorece o aumento dos linfócitos CD4, que atuam na defesa do organismo contra outras doenças. A correta adesão ao tratamento reduz, ainda, a possibilidade de transmissão do HIV, a partir do momento em que os pacientes atinjam carga viral indetectável, que será mantida com o uso correto e regular da medicação”, Molina destaca.
O Ambulatório de Infectologia HC-UFTM, adicionalmente, realiza um trabalho de busca ativa dos pacientes que faltam a consultas, remarcando-as, de modo a evitar o abandono do tratamento. Para os casos dos pacientes multiexperimentados, ou seja, com resistência viral desenvolvida devido a interrupções na terapia antirretroviral, alternativas de tratamento são buscadas. “Temos 69 pacientes nessa situação. Nesses casos são oferecidas terapias de resgate, com o mesmo objetivo de supressão da carga viral e restabelecimento do sistema imunológico, mas sendo necessário usar drogas mais complexas e que exigem um número maior de doses diárias”, relata Correia Filho.
Como marcar atendimento
Pessoas que tenham se exposto a relações sexuais sem uso de preservativo ou tido contato direto com sangue de outras pessoas devem procurar o guichê de atendimento do Ambulatório de Especialidades, à Avenida Getúlio Guaritá, n.º 331, de segunda a sexta-feira, das 7h às 12h ou das 13h às 16h, para agendamento de consulta. Casos de violência sexual, entretanto, têm portas abertas no Pronto Socorro, 24 horas/dia, sendo considerados de urgência.
“No casos dos testes rápidos vendidos em farmácias, inclusive, é recomendável que o paciente procure um médico para avaliar o resultado, seja positivo ou negativo. O paciente não deve, sozinho, interpretar o resultado dos testes rápidos como um diagnóstico”, alerta Molina.
De acordo com o Ministério da Saúde, o total de brasileiros com acesso aos antirretrovirais mais do que dobrou entre 2005 e 2014, passando de 165 mil para 400 mil. Atualmente, o SUS oferece, gratuitamente, 22 medicamentos para esses pacientes. Desse total, 12 são produzidos no Brasil.
Na Farmácia Ambulatorial do Sistema e Controle Logístico de Medicamentos - Siclom -, administrada pelo HC-UFTM, o tratamento antirretroviral é distribuido mensalmente a 1.500 pacientes de Uberaba e região. A média de novos pacientes inseridos em tratamento na região é de 25 a 30 por mês.