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Fonoaudiologia atua em frentes de habilitação, reabilitação e prevenção, definem profissionais do Hospital de Clínicas
Foto: Luana Cunha/HC-UFTM
De janeiro a novembro de 2021, as profissionais de Fonoaudiologia do Hospital de Clínicas da UFTM realizaram 11,5 mil atendimentos. Com a celebração do Dia do Fonoaudiólogo (9 de dezembro), a equipe destaca os desafios do cotidiano de trabalho e a importância de se estabelecer uma interação especial com as famílias dos pacientes, apesar da rotatividade e intensidade dos casos que demandam atenção hospitalar ou ambulatorial.
Esse grupo de profissionais é responsável, principalmente, por tratar pessoas com dificuldades na deglutição (quebrando o estereótipo de que trabalhariam apenas os problemas relacionados à fala), em unidades como terapia intensiva (UTIs), Clínica Médica e Cirúrgica, Pronto-Socorro (PS) Adulto e Infantil, Cuidados Intermediários e Centro de Reabilitação. A maioria delas tem buscado se especializar ou pós-graduar em temas ligados à disfagia, que é a dificuldade para engolir alimentos. Essa condição está presente nas diversas fases da vida dos pacientes e pode ser consequência de patologias ou ocorrências de urgência que chegam ao HC.
Enilda Ana de Oliveira formou-se há 22 anos. Atua no Hospital de Clínicas desde 2020. Ela conta que o maior desafio por ela identificado se refere ao aleitamento materno, devido às condições adversas que muitas vezes caracterizam a relação mãe-bebê-tempo: “A mãe chega sensibilizada, cansada e acaba tendo uma resistência; ela fica 24 horas dentro do hospital com o bebê. Então é mais difícil convencer essa mãe a fazer o aleitamento”, explica.
Formada há 18 anos, Luciana Cristina Oliveira está desde 2006 na instituição. Ela atende pacientes pediátricos da Unidade de Cuidados Intermediários. “Sempre fiquei na área infantil. Na época, só existiam três fonos: uma que trabalhava com pacientes adultos e duas com os infantis. Com o tempo, o pessoal foi valorizando nossa profissão, vendo que tinha demanda, e aí a Ebserh entrou, e com ela, novas profissionais para a Pediatria e a UTI Neonatal. Conseguimos uma cobertura melhor para o adulto na Neurologia, Clínica Médica e Pronto-Socorro”, detalha.
Já a fonoaudióloga Luciana Ávila dos Santos formou-se há 14 anos e atende pacientes no PS Adulto e nas UTIs geral e coronariana. A profissional pontua algumas atuações no dia a dia hospitalar que, de acordo com ela, ocorrem a partir do momento em que o bebê nasce prematuro. “Ele precisa aprender a controlar a sucção, deglutição, a respiração. Existem algumas dificuldades ou até mesmo patologias associadas a comorbidades que podem impedir essa criança de ter um bom desenvolvimento. Com o paciente adulto, se ele chega muito grave, com quadro infeccioso elevado, uma alteração neurológica importante, isso afeta a deglutição”, exemplifica. Nessa área, ela deixa claro a importância da profissão: “O carro-chefe do trabalho é minimizar o risco de pneumonia aspirativa, como um episódio de broncoaspiração (entrada de alimentos ou resíduos alimentares ou secreção nas vias aéreas)”, analisa.
Formada há 16 anos, Vanessa Pimenta Rocha é mais uma componente da equipe. Trabalha na UTI Neonatal e faz cobertura no PS Infantil. Atualmente também exerce a função de RT (referência técnica) responsável pela distribuição setorial das colegas no serviço. Ela desmistifica o principal clichê sobre a profissão: “Para muita gente, ter uma fono que atende bebê é estranho. A gente escuta muito isso... que estamos ensinando esse bebê a falar. Na verdade, a gente está ali para acolher a mãe, auxiliá-la nas questões do aleitamento, porque ele precisa aprender a deglutir, coordenar a sucção, respiração, e isso demanda um trabalho que vai muito além da fala. A gente está desenvolvendo um papel de habilitação, reabilitação e de certa forma prevenção de alguma desordem futura”, define.
O atendimento não ocorre somente com os prematuros, mas também com os egressos da UTI, dos Cuidados Intermediários, da enfermaria e na maternidade (onde ficam as puérperas e os neonatos). “Cabe a nós trabalhar a musculatura e treinar para conseguir tirar a sonda. Isso é competência do fonoaudiólogo”, Vanessa Rocha esclarece.
Taisa Aparecida Ferreira é a mais nova integrante do grupo. Está lotada na Clínica Médica e Cirúrgica, atendendo somente adultos. Com brilho nos olhos, ela exalta o potencial de seus pares: “Os profissionais que têm a carreira no hospital têm uma energia diferente dos demais, porque lidam com muitas emoções, têm de estar preparados para todas elas, e saber também dar o suporte necessário para os pacientes. É muito gratificante acompanhar a evolução deles, [vê-los] restabelecer sua qualidade de vida com seus familiares, é uma coisa que não tem preço”, relata.
As fonos afirmam que, mesmo trabalhando em setores distintos, dão suporte umas às outras, comentam casos, dividem angústias, comemoram a cada alta de paciente. Recentemente, porém, tiveram de lidar com uma nova e grave demanda: os acometidos pela Covid-19. “Se for da minha carreira, o maior desafio foi ter trabalhado com paciente de Covid-19. Se for dentro do meu setor, é enfrentar os que estão retornando com sequelas”, diz Luciana Ávila, que complementa: "Temos recebido pacientes no PS que deixaram de fazer seguimento ambulatorial, em virtude do lockdown, ou por receio de sair de casa após o retorno dos atendimentos. Isso impactou em diversas patologias e manifestações clínicas, principalmente pós Covid-19".
A família é peça-chave para a recuperação dos enfermos, segundo Taisa Ferreira. “[É essencial] a compreensão da família sobre as limitações do paciente. Muitas vezes nós somos porta-vozes de uma notícia não muito boa: a pessoa precisa parar de fazer a alimentação oral e vai precisar de uma via alternativa de alimentação, que seria a sonda. Acham que [o paciente] está perdendo função [alimentação via mastigação e deglutição], qualidade de vida, e na realidade é o contrário”, pondera.
O Dia do Fonoaudiólogo foi instituído pela Lei 11.500, de 3 de julho de 2007. A data escolhida faz referência à lei que regulamentou a profissão, assinada em 9 de dezembro de 1981. De lá para cá, novos caminhos têm sido trilhados, como foco na qualidade de vida dos pacientes. “A Fonoaudiologia não era muito reconhecida. É uma profissão que está crescendo muito e ela tem o seu papel dentro do Hospital e no Ambulatório. É um dia para comemorar, sim”, arremata Enilda de Oliveira.
Unidade de Comunicação HC-UFTM