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Projeto do HC-UFMG promove a humanização do parto com “carimbo da placenta”
Carimbo da placenta é feito em papel comum
Belo Horizonte (MG) – Uma iniciativa de residentes do Programa de Enfermagem Obstétrica da UFMG no Hospital das Clínicas da UFMG/Ebserh transformou-se em um projeto de humanização que tem ajudado puérperas a ampliar o significado ou até ressignificar a experiência do trabalho do parto. Intitulado “Árvore da Vida”, ele consiste em registrar a placenta da gestante em papel com os dados do parto e do bebê - como o peso e a altura, promovendo conexão emocional.
Cerca de 150 carimbos já foram realizados em oito meses de projeto. Segundo explica o enfermeiro Fernando Ferreira Dias, residente em Enfermagem Obstétrica, a placenta é feita para proteger, nutrir e envolver o feto com suas membranas amnióticas durante toda a gestação e é a primeira conexão entre mãe e bebê. “Sendo a ‘casa’ do bebê por 9 meses, realizamos o registro de sua face fetal. Os vasos sanguíneos presentes nessa porção do órgão dão um aspecto de árvore e raízes, daí vem o nome do projeto”, explicou.
Para o desenho, que é similar ao processo de xilogravura, utiliza-se uma folha de papel A3, caneta esferográfica, sangue ou tinta. A técnica de enfermagem Roseane Pereira Sousa explica que o desenho é feito dentro do bloco cirúrgico logo após o nascimento. “A placenta é colocada em cima de um campo cirúrgico no chão e em seguida a folha A3 é pressionada sobre ela, simbolizando um carimbo”, explicou.
A placenta é única para cada gestação e varia de mulher para mulher. Mesmo na mesma mulher, ela pode ser diferente em cada gravidez, adaptando-se a fatores genéticos, hormonais e ambientais. “O carimbo é o registro da origem, do começo da vida daquele novo ser”, disse Roseane.
Conexão emocional
O vínculo entre as mulheres e os bebês é o maior triunfo do “Árvore da Vida”. “Ter o registro da placenta, com os dados do parto, traz conexão emocional, integra a família, respeita o ritmo, nos aproxima e valoriza o natural, o fisiológico, algo que, infelizmente, a obstetrícia tem se distanciado muito. As mulheres fixam os carimbos das placentas nas paredes do hospital com orgulho, como símbolo e lembrança de um momento único da vida”, afirmou o enfermeiro Fernando Ferreira Dias, residente em Enfermagem Obstétrica e um dos idealizadores da ideia.
Mães, pais e avós aprovaram a iniciativa. A paciente Ana Carolina Alves de Andrade foi uma das puérperas contempladas. “Foi uma experiência incrível. Quando o Fernando (residente integrante do projeto) me apresentou eu fiquei encantada. Primeiro por poder trazer para casa e eternizar um momento único e também por ter por perto o que foi responsável por nutrir o meu bebê durante toda a gravidez”, afirmou.
Sobre a Ebserh
O HC-UFMG faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Redação e revisão: Luna Normand
Tags: #humanização; #puérperas; #maternidade; #hc-ufmg; #ebserh