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No centenário da insulina, número de diabéticos cresce
No centenário da descoberta da insulina, que revolucionou o tratamento do Diabetes, um dado acende o alerta: em um intervalo de 10 anos, houve um aumento de 60% no diagnóstico da doença no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que 1 em cada 11 pessoas no mundo convive com a doença. Por isso mesmo, a campanha Novembro Diabetes Azul, realizada em todo o mundo, busca conscientizar a população sobre a doença, as suas formas de prevenção e complicações.
O Diabetes Mellitus, doença crônica e progressiva causada pela produção insuficiente ou pela incapacidade do organismo de utilizar a insulina produzida de forma eficiente, relaciona-se com maior risco cardiovascular – infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e alterações da circulação arterial, em especial dos membros inferiores. Relaciona-se também com alterações da microcirculação, levando a lesões na retina, nos rins e nos nervos, podendo resultar em perda da visão e da função renal, alterações de sensibilidade nas pernas e pés e no chamado pé diabético, com risco de amputações. Além disso, o paciente diabético tem maior risco de infecções e outras complicações,
“É uma doença séria, que como qualquer outra exige compromisso do médico no seu manejo e, principalmente, o compromisso e responsabilidade do paciente para o controle dos fatores de risco associados, como da pressão arterial, do peso corporal, do nível de colesterol e da glicemia de forma adequada. Não fumar e não beber bebidas alcoólicas também é fundamental para um bom controle”, ressaltou a chefe do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do HC-UFMG, a professora Ana Lúcia Cândido.
O Hospital das Clínicas da UFMG/Ebserh é referência no tratamento das gestantes diabéticas desde 1990, por meio do Ambulatório de Patologias Endócrinas na Gestação. “É uma parceria com o Serviço de Ginecologia e Obstetrícia (Ambulatório de Alto-Risco) que oferece um protocolo conjunto de atendimento pela equipe assistencial. As pacientes recebem assistência multiprofissional e em caso necessidade de internação, isso é realizado imediatamente. Todo o esforço da equipe visa os melhores desfechos materno-fetais em gestantes diabéticas.
“Porém, um grande problema na paciente diabética, em especial nas que tem o tipo 1, é a ausência de uso de métodos contraceptivos eficazes e daí a gravidez indesejada e em condições de descontrole crônico. A paciente obesa e com Diabetes do tipo 2 também precisa ser conscientizada sobre isso. Assim, todo médico ou outro membro da equipe de saúde que atenda uma paciente que seja diabética deve garantir o quanto antes orientações sobre a importância de se evitar a gravidez não planejada e ter o acesso para o planejamento familiar e contracepção efetiva” ressaltou a médica.
Insulina
Hormônio produzido pelo pâncreas, a insulina é responsável por controlar os níveis de açúcar (glicose) no sangue. No organismo, quando a produção desse hormônio é insuficiente ou ausente, o açúcar não consegue ser levado para o interior das células, provocando o Diabetes.
A descoberta desse hormônio, em 1921, mudou a história natural da doença e abriu caminhos para que ele passasse a ser sintetizado em laboratório e administrado através de seringas, canetas e bombas de infusão de insulina, oferecendo mais qualidade de vida ao paciente – até então, o Diabetes Mellitus era uma doença fatal.
Avanços
As inovações no tratamento da diabetes são constantes e promissoras, tanto em termos de tecnologia - novos modelos de bomba de insulina e monitorização glicêmica, quanto em medicamentos para controle glicêmico e pesquisas. Entretanto, segundo a professora Ana Lúcia, há inúmeros desafios para o controle da doença e melhoria da qualidade de vida e a falta de adesão do paciente ao tratamento segue como um dos principais problemas. “Mesmo em países desenvolvidos e com recursos, esse fato é bem evidente”, enfatizou.
O diabetes mellitus é uma doença multifatorial. Sabe-se que fatores genéticos e ambientais estão relacionados ao desenvolvimento da doença. A médica afirma que uma parcela dos pacientes diagnosticados não se motiva à melhora do seu estilo de vida mesmo tendo acesso à informação e com suporte médico e multiprofissional. Além disso, negligencia o uso dos medicamentos e da insulina e permanece sedentário – já que está provado que a prática regular de exercícios físicos é essencial no controle dos índices glicêmicos.
Serviço
O Serviço de Endocrinologia e Metabologia (SEEM) do HC-UFMG/Ebserh está em funcionamento desde 1979. São 42 anos ininterruptos de atendimento a pessoas portadoras de diabetes e várias outras endocrinopatias. O acesso se dá por meio de encaminhamento da Prefeitura de BH.
No caso do HC-UFMG, por se tratar de um hospital de nível terciário, geralmente são pacientes que apresentam várias comorbidades associadas e são acompanhados em várias especialidades. “O Serviço é constituído de ambulatórios gerais e específicos. Atuamos no atendimento ambulatorial e no suporte aos pacientes internados quando a avaliação da equipe de endocrinologia se faz necessária. Temos vários projetos de pesquisa, alunos de pós-graduação, parcerias nacionais e internacionais, além de muitos projetos de extensão em andamento. A equipe conta com 10 professores, 5 médicas, 6 médicos residentes, 2 enfermeiras, 6 técnicas de enfermagem e uma nutricionista, além de apoio administrativo”, finalizou professora Ana Lúcia Cândido.
Redação: Luna Normand (Jornalista do HC-UFMG/Ebserh)