Notícias
CONSCIENTIZAÇÃO
HC-UFMG conta com ambulatório para diagnóstico e tratamento da Doença de Parkinson
Lembrado em 11 de abril, o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson é uma oportunidade de falar e promover o debate sobre este tema. O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), conta, há pouco mais de 30 anos, com um ambulatório para atendimento especializado a pacientes com Doença de Parkinson, além de outros distúrbios do movimento.
Caracterizada por ser uma enfermidade degenerativa crônica do sistema nervoso central e que compromete a coordenação motora, o Parkinson surge a partir de causas diversas. Sarah Camargos, neurologista do HC-UFMG, destaca que um conjunto de fatores, genéticos e ambientais, favorecem esse surgimento. “Existem os fatores genéticos e os fatores ambientais. E, na verdade, não se trata apenas de um único fator genético, mas de vários genes que podem fazer parte da composição da doença”, afirma a médica. Além disso, dentre as causas ambientais, a especialista reforça que a exposição a agrotóxicos é um desses motivos. “Através de alguns estudos, sabemos que os pesticidas são um fator de risco importante. Aqui, por exemplo, temos mais pacientes da zona rural do que de áreas urbanas. Outro aspecto é o consumo de café. Até o momento sabemos que as pessoas que consomem essa bebida apresentam menor predisposição à doença, mas isso é uma tendência populacional, não uma garantia individual”, explica Sarah.
Assim como não há uma causa determinada para a pessoa ser acometida pela Doença de Parkinson, não há um marcador exato para seu diagnóstico. É necessária a realização de exames clínicos que vão evidenciar um conjunto de sinais de identificação da doença e, ao contrário do imaginário popular, nem sempre o tremor é o sintoma principal. “O paciente geralmente começa a ter uma certa lentidão para realizar os movimentos do dia a dia, como cortar uma laranja ou escrever. Ele percebe uma certa rigidez no braço, alguns tremem outros não. Porém, o que aponta para o diagnóstico de Parkinson é a lentidão para executar seus movimentos, associada ao tremor ou a rigidez”, reforça a médica.
A Doença de Parkinson não tem cura. Após diagnosticado, o paciente é tratado por toda a vida com objetivo de minimizar seus efeitos, sendo um deles a diminuição da produção de dopamina, hormônio muito importante para o funcionamento e controle dos movimentos do corpo. Além da questão motora, Sarah Camargos alerta para outras questões relacionadas à Doença de Parkinson que afetam o paciente. “Até pouco tempo atrás não se dava tanta importância, mas hoje sabemos que um grande problema na vida do paciente com Parkinson são sintomas não motores, como ansiedade, depressão, fadiga ou alterações que podem ser de memória, de sudorese e do sono”, alerta.
Parte do acompanhamento do paciente é feito por outros profissionais de saúde, já que ele necessita de assistência multidisciplinar. Patrícia Marques de Oliveira, fonoaudióloga do HC-UFMG, é uma dessas profissionais. “A gente identifica se o paciente tem algumas dificuldades específicas, que podem aparecer na comunicação, na área da deglutição, principalmente, e na área da cognição também”, pontua. Comunicar-se bem é um os fatores a ser tratado, já que esse paciente, quando não se comunica bem, tende a se isolar, acarretando outros problemas de cunho emocional. “Tratando, por exemplo, a comunicação, o paciente fica com maior interação com a família, com um humor melhor e menos irritado. Então, a gente consegue melhorar a comunicação para que ele consiga se integrar melhor ao ambiente”, explanou Patrícia.
Em tratamento no HC-UFMG, José Laerte Pinto, 79 anos, é acompanhado pelo ambulatório há 30 anos. Os sintomas iniciaram por volta do ano de 1995 e, segundo ele, inicialmente houve muita dificuldade na definição do diagnóstico. Atualmente, o projetista aposentado destaca que, apesar de tantas dificuldades, foi possível, ao longo dessas décadas, conviver com o Parkinson. “Já são 30 anos convivendo com essa doença. Eu tomo banho sozinho, visto minha roupa e, de um modo geral, tenho autonomia. Se não tivesse esse acompanhamento aqui, acho que seria bem mais difícil”, disse.
Importância da pesquisa científica
Apesar de identificada e descrita desde 1817, pelo médico inglês James Parkinson, a comunidade médica e científica ainda necessita de muitos estudos sobre este tema. No HC-UFMG alguns deles, de amplitude internacional, estão em curso. “Alguns desses estudos são realizados em parceria com a Michael J. Fox Foundation e com o Global Parkinson’s Genomic Program (GP2). Nós estamos investigando os fatores genéticos da população brasileira e comparando-os, com o objetivo de coletar amostras de milhares de pessoas ao redor do mundo. É uma pesquisa exploratória, não um estudo clínico, no qual o foco é testar um medicamento e saber a resposta. O que estamos procurando são alterações genéticas que possam dar alguma pista para sobre como manejar e tratar o paciente”, ressalta Sarah Camargos.
Rede Ebserh
O HC-UFMG faz parte da Rede Ebserh desde dezembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.