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2 de abril: Dia Mundial de Conscientização do Autismo
O Transtorno do Espectro Autista (TEA), popularmente conhecido como autismo, reúne alterações neurobiológicas que ocorrem durante o neurodesenvolvimento infantil, manifestando com déficits na socialização, comunicação, comportamentos repetitivos e restritivos. O debate sobre o tema é fundamental para informar as pessoas sobre o que é o autismo, reduzindo mitos e preconceitos. Por isso mesmo, o dia 2 de abril foi instituído como Dia Mundial de Conscientização do Autismo.
O transtorno costuma ser identificado na chamada primeira infância e a prevalência é estimada entre 1 e 2% da população geral. Segundo o coordenador do Ambulatório de Transtornos do Espectro Autista do HC-UFMG, o psiquiatra da infância e adolescência, Felipe Guimarães de Castro Amorim, os déficits mais comuns são prejuízo no compartilhamento da atenção, diminuição do contato visual sustentado, não atender ao nome quando chamado, pouca iniciativa social, preferência por brincadeiras individuais e explorações do brinquedo ou objeto de forma não convencional e sem o uso simbólico.
“Podem ocorrer ainda interesses por temas específicos com pouca variação ou flexibilidade, brincadeiras ou ações repetitivas e padronizadas, como alinhar os objetos e desconfortos sensoriais significativos (sonoros, gustativos, táteis), que influenciam no hábito alimentar e no comportamento”, completou.
As causas do autismo são epigenéticas, ou seja, influências genéticas e ambientais. A literatura atual descreve que aproximadamente 95% dos casos têm origem genética e um percentual menor pode ser relacionado a fatores ambientais.
O Hospital das Clínicas da UFMG/Ebserh presta atendimento para pacientes com autismo no Ambulatório de Transtornos do Espectro Autista, que funciona no Borges da Costa e faz parte da formação dos residentes da psiquiatria da infância e adolescência, neuropediatria, genética médica e pediatria. Cerca de 200 crianças são acompanhadas atualmente. Por causa da pandemia, a equipe está readaptando os atendimentos e organizando a agenda ambulatorial para reabertura de novos agendamentos.
São diversos os tratamentos disponíveis, porém, de acordo com Felipe, o planejamento deverá ser realizado individualmente, de acordo com as necessidades específicas de cada paciente. “Acho importante frisar que a maior limitação não vem da pessoa com autismo e sim do preconceito diante daquele com alguma necessidade especial. Quando a escola não acolhe como deveria, quando as oportunidades sociais de lazer e profissionais não acontecem, mais barreiras são criadas, dificultando e muito o seu desenvolvimento”, afirmou.
Redação: Luna Normand (Jornalista do HC-UFMG/Ebserh)