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PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS
Práticas de educação ambiental refletem inovação e sustentabilidade nos hospitais universitários
Manaus (AM) – O Dia Mundial da Educação Ambiental, celebrado em 26 de janeiro, convida à reflexão. Nos hospitais universitários federais administrados pela Ebserh, a reflexão se traduz em prática no cotidiano. A Política Ambiental da Rede orienta a ampliação de práticas sustentáveis, com responsabilidades definidas, monitoramento, melhoria contínua, integração aos processos de compras e contratos e a educação permanente como eixo de mudança cultural.
Em um país do tamanho do Brasil, o que une realidades tão distintas é um “norte”: sustentabilidade como parte da segurança, da eficiência e da organização. Na prática, a educação ambiental aparece em decisões repetidas: compreender que nem tudo vira resíduo infectante, padronizar fluxos para reduzir erros, medir conformidade e transformar resultado em plano, além de incorporar critérios ambientais na infraestrutura e nos suprimentos.
Indicadores que organizam a ação
No Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, da Universidade Federal de Alagoas (HUPAA-Ufal), a pauta ambiental se estruturou com a criação da Comissão de Gestão Ambiental, em 2024, e ganhou metas no Plano Diretor Estratégico (PDE 2024–2028). Igor Duarte, presidente da Comissão, afirma que a prioridade foi definida com base na realidade do Hospital e destrinchada no PDE.
“A organização do trabalho foi dividida em frentes”, explica Igor. Segundo ele, o plano inclui a gestão de resíduos, com base no Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS), a manutenção sustentável (com resíduos da construção civil) e medidas para reduzir o consumo de energia e água. “Também trabalhamos com educação ambiental”, completa. Para sustentar continuidade, a Comissão estruturou rotina de governança. “Hoje a gente já tem pautas das reuniões, a gente já tem uma periodicidade definida a cada 15 dias”, relata, citando ações de comunicação voltadas à adesão de profissionais e terceirizados.
No monitoramento apresentado à Sede no segundo semestre de 2025, o Hospital já havia executado cerca de 30% do planejado. “Nosso principal indicador é o Percentual de Conformidade Ambiental, que chegou a 62,6%”, afirma Igor, destacando o papel da Política Ambiental no alinhamento de responsabilidades e processos.
Engajamento como peça-chave da segregação
No Hospital Universitário Getúlio Vargas, da Universidade Federal do Amazonas (HUGV-Ufam), o ponto de partida é mobilizar quem lida com o descarte. Pedro Ribeiro de Souza, chefe substituto do Setor de Hotelaria, resume: “O maior desafio hoje na fiscalização e na gestão do serviço de coleta de resíduos é garantir o envolvimento de toda a comunidade acadêmica e hospitalar”. Para ele, “É fundamental que todos compreendam seu papel como geradores de resíduos e a importância da segregação correta desde a origem”.
Para ampliar a adesão, o Hospital criou um grupo de trabalho com representantes de setores e passou a integrar alunos, residentes, colaboradores, pacientes e acompanhantes. “A iniciativa busca fortalecer a educação em saúde, promover a responsabilidade compartilhada e transformar cada participante em parte ativa e consciente da gestão de resíduos”, relata. A iniciativa inclui o mapeamento de lixeiras e treinamentos que funcionam também como espaço de escuta, ajudando a identificar dificuldades e ajustar processos.
Energia do sol, compras sustentáveis e educação permanente
No Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA), a sustentabilidade aparece na infraestrutura e na gestão. Eurico Santos Neto, gerente administrativo, destaca a implantação de subestações fotovoltaicas, distribuídas entre os prédios de atendimento hospitalar e ambulatorial, que somam 305 kWp de potência instalada. “Tal iniciativa não apenas reduz a pegada ambiental, mas também reforça a racionalidade econômica e a segurança energética da unidade hospitalar”, pontua.
A pauta ambiental também passou a orientar as contratações, com critérios voltados à sustentabilidade, como compras responsáveis e governança hídrica. Na gestão de resíduos, aponta 2025 como marco de consolidação, com o atendimento integral às exigências para grandes geradores. Para Eurico: “A gestão adequada desses materiais é fundamental para garantir a segurança sanitária de pacientes, equipes e comunidades em torno do hospital”. Além disso, afirma que a segregação correta e o encaminhamento para reciclagem contribuem para “redução de custos” e práticas sustentáveis.
A educação ambiental, segundo Eurico, “foi tratada como prática permanente de sensibilização institucional”, com ações internas ao longo do ano, incluindo a Semana do Meio Ambiente.
Menos “infectante por padrão”, mais segregação com critério
No Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (CH-UFC), a estratégia combina orientação e estrutura. Claudia Sebastiana Da Silva, chefe do Setor de Hotelaria Hospitalar, afirma: “A Comissão do PGRSS realiza periodicamente ações de capacitação e blitz nas unidades para falar dos tipos de resíduos e da necessidade de segregação adequada”. E acrescenta: “Também adotamos lixeiras seletivas para reciclagem”.
A gestora explica que o Complexo conta com coletores para pilhas e baterias, encaminhadas a ecopontos, e com coleta seletiva formalizada para recicláveis, com fluxos estruturados. O principal gargalo, segundo Claudia, é romper o automatismo que classifica como infectante todo resíduo da assistência. “Muitas vezes, itens que não estão infectados acabam tendo esse destino, quando poderiam ir para o lixo comum ou para a reciclagem”, afirma, citando frascos plásticos como exemplo. Para reduzir erros e desperdícios, a Comissão aposta em ações educativas contínuas, com foco na segregação correta no momento e no local de geração.
Na engrenagem institucional, Claudia avalia que a Política Ambiental da Ebserh contribui como estrutura que organiza prática e planejamento, facilitando adesão e melhoria contínua. “A Política Ambiental da Ebserh fornece uma estrutura integrada, normativa e prática para que os hospitais cumpram a legislação ambiental adequadamente, planejem e operacionalizem o gerenciamento de resíduos, eduquem e envolvam equipes dos hospitais, monitorem e melhorem continuamente as práticas ambientais”, afirma.
Um Brasil inteiro, um norte compartilhado
Em uma Rede presente em todo o país, a Política Ambiental da Ebserh contribui para dar unidade a realidades distintas. No cotidiano dos hospitais universitários, a educação ambiental transforma reflexão em prática, orienta decisões, organiza processos e se afirma como parte da cultura institucional, com impactos diretos na segurança, na eficiência e na qualidade do cuidado.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Felipe Monteiro, com edição de Andreia Pires
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh